André Ribeiro Pires: “O principal fator de decisão é o salário, só depois é que vem tudo o resto”
Terminou o secundário e, em vez de ir para a faculdade, começou a trabalhar num call center. Hoje, André Ribeiro Pires é administrador da Clan e explica como os seus empregos foram a sua maior escola.
André Ribeiro Pires, Administrador da Clan, é o 75º convidado do podcast “E Se Corre Bem?”. Curioso por natureza, sempre se imaginou a trabalhar em vários setores de atividade, mas a vida acabou por lhe trocar as voltas. Depois de acabar o secundário, percebeu que não conseguia entrar no Técnico e decidiu começar a trabalhar num call center. A partir daí, foi criando os seus próprios postos de trabalho e quando se cruzou com a área de Recursos Humanos, nunca mais a abandonou.
“Quando acabei o secundário, queria entrar no Técnico. Como não consegui, decidi esperar um ano até entrar e optei por ocupar-me a trabalhar. Comecei num call center, onde estive seis meses, e depois passei a efetivo. Acabei por ficar 13 anos na Portugal Telecom. E isso aconteceu porque criei o meu próprio posto de trabalho ao fazer manuais que explicavam como se trabalhava em cada sistema operativo, como se fazia tecnicamente aquilo que eu tinha para fazer”, começou por dizer.
Mas, ao fim de 13 anos, André Ribeiro Pires reconhece que “precisava de mais velocidade”: “Eu não me sentia com a velocidade que gostava de ter. Gostava de ter mais projetos e de mais desconforto. Como aquilo que eu gosto mesmo é de estar ligado à transformação, o desconforto permite-me fazer esse processo com vontade. Então eu precisava de sentir algo que me motivasse mesmo e, de forma orgânica, apareceu”.
A oportunidade surgiu da Randstad, que estava num projeto de transformação da organização, e o desafiou para criar uma área de IT para suporte de contact centers. “Dos quatro anos em que lá estive, apenas um deles foi a fazer esse processo. Depois estive com o CEO a fazer a parte de inovação e de mudança da própria organização, onde tive a possibilidade de criar algo novo e fazer parte de uma mudança muito agradável e interessante”, contou.
Apesar de estar animado com o impacto positivo das mudanças que estava a criar na Randstad, André Ribeiro Pires foi desafiado para ir trabalhar para uma concorrente – a Multipessoal – e acabou por aceitar o convite: “Quando cheguei à empresa, a noção que existia é que tínhamos de comprar e instalar tecnologia. Só que essa é a parte mais fácil porque todos conseguem comprar, mas nós queríamos ser diferentes. Queríamos mudar a génese da organização, ou seja, seria sempre uma empresa de recursos humanos, mas iria trabalhar de forma muito mais próxima com as nossas pessoas, como um clã“.
Foi esta ideia de clã que marcou o início do percurso de André Ribeiro Pires na Multipessoal e que levou a que, ao final de 30 anos de história, o nome Multipessoal se transformasse em Clan. “Nós não mudamos só o nome, nós fomos adaptando a cultura. E as pessoas sentem isso. Fizemo-lo com muito envolvimento. Aquilo que fez a grande diferença foi estarmos todos ligados a este mesmo princípio. Eu encontrei pessoas que não sentiram medo de mudar“, afirmou.
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André Ribeiro Pires, Administrador da Clan, no 75º episódio do podcast "E se corre bem?" Hugo Amaral/ECO -
"Como aquilo que eu gosto mesmo é de estar ligado à transformação, o desconforto permite-me fazer esse processo com vontade" Hugo Amaral/ECO -
"A maior parte das pessoas que estão à minha volta não estão a fazer aquilo que inicialmente faziam na organização. Fazem coisas diferentes. Elas próprias construíram o seu próprio posto de trabalho. E esse talvez seja o maior desafio de quem trabalha comigo: a total autonomia que eu lhes dou" Hugo Amaral/ECO -
"A cultura de uma empresa não está numa pessoa. Aliás, eu não conheço nenhuma organização que tenha perdido a sua cultura por ter saído alguém dela, seja quem for" Hugo Amaral/ECO
Hoje a Clan é “100% digital” e alargou a sua oferta: “Nós agarramos no core da nossa transformação e começamos a transformá-lo em produto – oferta tecnológica de Recursos Humanos. Há empresas que utilizam o nosso software para fazer gestão de RH, mas também temos a parte de marketing, onde as pessoas nos delegam a gestão de marcas. Foi um processo completamente natural. Fizemos a transformação com as nossas pessoas, não recorremos a nada externo, sempre com o objetivo de transformar esta área de negócio“.
Esta capacidade de adaptação é uma característica que André Ribeiro Pires considera crucial, quer para o crescimento das empresas, quer para os próprios trabalhadores. “Gosto de quem gosta de fazer esta adaptação. Eu diria que a maior parte das pessoas que estão à minha volta não estão a fazer aquilo que inicialmente faziam na organização. Fazem coisas diferentes. Elas próprias construíram o seu próprio posto de trabalho. E esse talvez seja o maior desafio de quem trabalha comigo: a total autonomia que eu lhes dou“, disse.
Esta autonomia contribui, de acordo com o administrador da Clan, para a capacidade de a empresa sobreviver, independentemente de quem entra e de quem sai: “A cultura de uma empresa não está numa pessoa. Hoje somos 200 e existe uma cultura clã, mas quando cheguei à organização já existia uma cultura. Aliás, eu não conheço nenhuma organização que tenha perdido a sua cultura por ter saído alguém dela, seja quem for“.
“Quem conseguir ganhar cada vez mais competências, vai ter a melhor sorte do mundo. Hoje, não consegues fazer nada sem dados. E nós temos de saber lidar com isso, temos de nos adaptar. Enquanto gestor, o desafio é esse. Não posso só falar da retenção e atração de talento como sendo o maior desafio porque viver com esta inconstância vai ser normal. Tem é de se garantir que a cultura de empresa fica neste fio condutor”, continuou.
Para André Ribeiro Pires, “os melhores gestores são aqueles que se conseguem adaptar a esta realidade” e que também sabem aproveitar a “boa capacidade de adaptação” dos portugueses, atraindo-os com um bom salário: “O principal fator de decisão é o salário, só depois é que vem tudo o resto. E o resto é commodity e todos podem ter. Se é assim, temos de nos adaptar. E isso não é um problema. Não vale a pena ficarmos a queixar-nos, temos é de nos adaptar“.
Este podcast está disponível no Spotify e na Apple Podcasts. Uma iniciativa do ECO, na qual Diogo Agostinho, COO do ECO, procura trazer histórias que inspirem pessoas a arriscar, a terem a coragem de tomar decisões e acreditarem nas suas capacidades. Com o apoio da Nissan.
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