Avaliação das casas pelos bancos dá salto de 16,5% em março

Preços das casas continuam a subir. A avaliação bancária colocou o metro quadrado nos 2.151 euros em março, mais 29 euros face a fevereiro, com a Península de Setúbal a registar o maior salto anual.

ECO Fast
  • O valor mediano de avaliação bancária na habitação atingiu um novo recorde de 2.151 euros por metro quadrado em março, segundo o INE.
  • Os apartamentos continuam a impulsionar os preços, com uma valorização de 21,2% relativamente ao ano anterior, especialmente na Grande Lisboa e Algarve.
  • A diminuição de 10,3% do número de avaliações bancárias em março pode indicar uma procura reduzida por crédito à habitação, refletindo a pressão financeira sobre as famílias.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

O valor mediano de avaliação bancária na habitação atingiu os 2.151 euros por metro quadrado (euros/m2) em março, mais 29 euros do que no mês anterior, estabelecendo um novo recorde, segundo os dados do Inquérito à Avaliação Bancária na Habitação divulgados esta segunda-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Em termos homólogos, ou seja, face a março de 2025, a subida chega aos 16,5%, ainda que ligeiramente abaixo dos 17,2% registados em fevereiro, numa trajetória de aumento dos preços da habitação que não dá sinais de abrandamento significativo.

  • O mercado dos apartamentos continua a puxar os valores em alta. O valor mediano de avaliação bancária de apartamentos fixou-se nos 2.511 euros/m2, o que representa uma valorização de 21,2% face ao mesmo mês de 2025.
  • Nas moradias, o crescimento foi mais moderado, mas ainda expressivo: o valor mediano situou-se nos 1.542 euros/m², representando um “acréscimo de 12,6% em relação ao mesmo mês do ano anterior”, segundo o INE.

Lisboa e o Algarve continuam a ditar as regras do mercado. No segmento dos apartamentos, os valores mais elevados foram observados na Grande Lisboa (3.333 euros/m²) e no Algarve (2.883 euros/m²), ao passo que o Alentejo e o Centro registaram os valores mais baixos, com 1.477 euros/m² e 1.626 euros/m², respetivamente.

Nas moradias, a fotografia é semelhante: a Grande Lisboa lidera com 2.838 euros/m² e o Algarve surge logo a seguir, com 2.755 euros/m², sendo o Centro e o Alentejo novamente os territórios mais acessíveis.

A Península de Setúbal é a região que mais acelera. Com um crescimento homólogo de 26,5% nos apartamentos e de 24,8% na habitação em geral, esta zona, onde vivem centenas de milhares de famílias que procuram alternativas à cara Lisboa, está a registar pressões crescentes sobre os preços.

O valor mediano da avaliação bancária dos apartamentos T1 no interior da Grande Lisboa subiu 48 euros para 3.174 euros/m², enquanto os T2 e T3 aumentaram para 2.586 euros/m² e 2.170 euros/m², respetivamente.

Na análise por regiões, a Grande Lisboa apresentou valores de avaliação superiores à mediana nacional em 52,4%, enquanto as regiões do interior, como Terras de Trás-os-Montes e Beiras e Serra da Estrela, ficaram mais de 50% abaixo dessa mesma mediana.

No interior da Grande Lisboa, os apartamentos T1 atingem valores de referência que deixam pouco espaço para os compradores de menores rendimentos, com o valor mediano dos apartamentos T1 a subir 48 euros para 3.174 euros/m², enquanto os T2 e T3 aumentaram para 2.586 euros/m² e 2.170 euros/m², respetivamente.

Juntos, estes três tipos de fração representam 92,5% de todas as avaliações de apartamentos realizadas em março, o que dá uma imagem clara de que é neste segmento que se concentra a esmagadora maioria do crédito à habitação contratado.

O número de avaliações bancárias realizadas em março foi de 32.839 – 62% de apartamentos e 38% de moradias –, um valor que cresce 10,8% face ao mês anterior, mas que cai 10,3% em termos homólogos. Tal descida face ao ano passado pode refletir, em parte, uma menor procura por crédito à habitação, numa conjuntura em que as condições de financiamento permanecem exigentes para muitas famílias.

O próximo destaque do INE sobre esta matéria está agendado para 27 de maio de 2026.

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