Lucro da Galp dispara 41% para 272 milhões no primeiro trimestre com subida do preço do petróleo

O resultado compara com a estimativa média de 276 milhões de euros no ‘consensus’ dos analistas. Empresa diz que continua a prever acordo com espanhola Moeve em meados deste ano.

ECO Fast
  • O lucro líquido da Galp aumentou 41% no primeiro trimestre, alcançando 272 milhões de euros, impulsionado pela subida dos preços do petróleo.
  • O EBITDA também cresceu 41%, totalizando 943 milhões de euros, refletindo uma sólida execução operacional em um ambiente geopolítico volátil no Médio Oriente, segundo a empresa.
  • A Galp está a avançar com a exploração de petróleo na Namíbia e negociações para uma fusão de duas áreas de negócio com a Moeve, prevendo um acordo até meados deste ano.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

O lucro líquido da Galp disparou 41%, em termos homólogos, para 272 milhões de euros no primeiro trimestre, beneficiando do aumento da produção e dos preços do petróleo no contexto da guerra no Médio Oriente, anunciou esta segunda-feira a empresa,

O EBITDA (sigla em inglês para resultado antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) também subiu 41% para 943 milhões de euros entre janeiro e março, face ao mesmo período de 2025, informou a Galp em comunicado divulgado no site da CMVM.

Segundo o consensus divulgado pela Galp no página online de Relações com Investidores, com informação atualizada a 20 de abril, as estimativas médias dos analistas apontavam para lucro líquido de 276 milhões de euros e EBITDA de 890 milhões.

“O desempenho da Galp no primeiro trimestre refletiu uma sólida execução operacional nos negócios de upstream e downstream, num contexto macroeconómico altamente volátil decorrente do aumento do risco geopolítico no Médio Oriente“, referiu a petrolífera.

A empresa co-liderada pelos CEO Maria João Carioca e João Diogo Marques da Silva explicou os próximos passos em relação a dois dos principais desenvolvimentos recentes: o avançar da exploração de petróleo na Namíbia, em parceria com a francesa TotalEnergies, e as conversações com a espanhola Moeve com vista a um acordo para unir os negócios industriais e comerciais.

Olhando para o futuro, estamos a avançar com os preparativos para a nossa próxima campanha de exploração e avaliação na Namíbia, cujo início está previsto para o final deste ano. Paralelamente, as discussões com os acionistas da Moeve relativamente à potencial fusão das nossas atividades a jusante continuam a avançar de forma construtiva, estando ainda prevista a celebração de um acordo até meados do ano.

“Olhando para o futuro, estamos a avançar com os preparativos para a nossa próxima campanha de exploração e avaliação na Namíbia, cujo início está previsto para o final deste ano”, explicou. “Paralelamente, as discussões com os acionistas da Moeve relativamente à potencial fusão das nossas atividades a jusante continuam a avançar de forma construtiva, estando ainda prevista a celebração de um acordo até meados do ano”, sublinhou a Galp.

“Assegurar o abastecimento”

“A Galp arrancou o ano de uma forma sólida, apesar do aumento da volatilidade dos mercados, e da incerteza global, graças à resiliência dos seus ativos e a uma disciplinada execução operacional”, afirmou Maria João Carioca, co‑CEO da Galp, também em comunicado. “Esta solidez permitiu-nos prosseguir o desenvolvimento dos nossos projetos, mas também assegurar o abastecimento energético do país em momentos críticos como as tempestades do início do ano ou a disrupção das cadeias de abastecimento com o bloqueio do estreito de Ormuz”.

No negócio upstream, ou seja de exploração e produção, o EBITDA saltou 78% em termos homólogos para 685 milhões de euros, impulsionado pelo “aumento da produção e pela subida dos preços realizados de venda do petróleo“, informou a Galp, adiantando que também beneficiou da reavaliação das posições, “num contexto de preços mais elevados”.

A 13 de abril, no trading update, a Galp informou que a produção, maioritariamente composta por petróleo (87%), atingiu 129 mil barris por dia, um número que compara com os 105 mil barris diários contabilizados nos primeiros três meses de 2025. Trata-se de um aumento homólogo de 23% e de 14% face ao trimestre anterior.

Esta segunda-feira adiantou que esse aumento reflete “um menor impacto das manutenções planeadas e um desempenho resiliente dos projetos já em andamento no Brasil, ao mesmo tempo que se beneficia da progressiva aceleração da produção da FPSO Bacalhau”.

Os preços do petróleo dispararam desde início dos ataques pelos EUA e Israel ao Irão a 28 de fevereiro, tendo o do barril de Brent – referência para a Europa – chegado perto dos 120 dólares a 9 de março. Esta segunda-feira a cotação dessa matéria-prima negoceia nos 101,23 dólares por barril.

Os investidores e analistas reagiram de forma positiva à apresentação dos resultados, com as ações da Galp a avançarem 1,54% para 1,95 euros cada, ajudando o índice PSI a ganhar 0,43%.

Os analistas do RBC salientaram que o EBIT (resultado antes de juros e impostos), da área de upstream “ficou bem acima das previsões do mercado, apoiado por preços de venda do petróleo mais elevados, bem como pelo aumento dos volumes do Bacalhau [campo de produção no Brasil] em março, numa altura em que os preços estavam elevados”. A Galp reportou EBIT de 598 milhões de euros, face a uma estimativa média de 482 milhões.

O EBITDA do negócio Industrial & Midstream, situou-se nos 198 milhões de euros, registando uma descida de 9% em relação ao ano anterior, “uma vez que a contribuição da refinação e o sólido desempenho subjacente das atividades de comercialização de matérias-primas foram parcialmente compensados por efeitos de desfasamento contabilístico nas fórmulas de fixação de preços do fornecimento de petróleo e outros efeitos de inventário de cerca de menos 130 milhões de euros, num contexto de rápida escalada dos preços das matérias-primas”.

No trading update de 13 abril a Galp já tinha referido que a margem de refinação mais do que duplicou, entre janeiro e março, face ao período homólogo, passando de 5,6 para 14,8 dólares por barril e superando o consenso dos analistas de entre 10 e 11 dólares por barril.

Na área de negócio comercial, que inclui a venda de combustíveis, a Galp registou um EBITDA de 84 milhões de euros, um aumento de 37% em relação ao ano anterior, refletindo a melhoria contínua das condições de mercado no segmento B2B em Espanha. A área de ‘Conveniência e Soluções para o Cliente’ representou 22% dos resultados da divisão, acrescentou.

O negócio de energias renováveis registou um EBITDA negativo de 2 milhões de euros, pressionado pelo pelo preços da energia solar na Península Ibérica, embora parcialmente compensados pelo aumento da geração.

(Notícia atualizada às 10h49 com citação co-CEO, cotação e comentário analista)

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