Exclusivo Portuguesa Orion Technik investe dois milhões para abrir operação nos EUA

Mercado norte-americano já representa cerca de 10% dos resultados da empresa nacional que tem planos de crescimento no maior mercado de defesa e MRO a nível global.

Equipa da Orion Technik.

A Orion Technik está a investir cerca de dois milhões de dólares (cerca de 1,7 milhões de euros) para abrir a operação da empresa nos EUA, mercado que já representa cerca de 10% dos resultados da companhia que opera na Europa e no Médio Oriente. Globalmente, com cerca de 100 pessoas, a companhia, que atua na área de manutenção e reparação de aeronáutica no setor civil e militar, prepara-se para avançar “a qualquer momento” para a fase de industrialização neste mercado.

Uma “decisão estratégica” é como Francisco Oom Peres descreve a abertura da operação da companhia portuguesa nos Estados Unidos, “o maior mercado a nível global das indústrias de Manutenção, Reparação e Operações (MRO), defesa e aeronáutica”.

Esta nova operação aproxima-nos de atuais clientes deste mercado, abre-nos inúmeras novas oportunidades comerciais assim como de parcerias estratégicas com os fabricantes norte-americanos e reforça exponencialmente a nossa capacidade de servir o mercado com maior eficiência”, justifica Francisco Oom Peres, chief operating officer (COO) da Orion Technik, ao ECO/eRadar. “Mais do que uma presença institucional, este investimento representa uma extensão operacional da nossa plataforma (até aqui) Europeia e do Médio Oriente”, continua.

“O objetivo é simples: reduzir tempos de resposta, do lado do cliente como do lado do fornecedor ou parceiro industrial, aumentar competitividade em pricing e entrega e posicionar a Orion Technik nesta indústria como um parceiro global”, diz o responsável.

Nos Estados Unidos, a operação está localizada na região de Miami, na Florida. O motivo é simples: é nessa região que “estão instalados a maioria dos players das indústrias de MRO e defesa, para além de ser uma zona estratégica com acesso direto a infraestruturas logísticas e aeroportuárias e com diferença horária para a Europa de apenas 5/6 horas”, justifica o COO.

A operação está sob a liderança de Duarte Oom Peres — “transferido depois de uma curta passagem pelas nossas operações em Portugal” — sendo a restante equipa “um misto entre recursos locais com suporte direto por alguns períodos de tempo da equipa baseada em Portugal”, descreve. “Pretendemos potenciar os recursos humanos locais com as vantagens específicas que têm, ao mesmo tempo que garantimos o alinhamento estratégico e uma execução de proximidade com as nossas operações atuais”, destaca.

Aguardamos pela licença de construção que nos permitirá avançar a qualquer momento para a terceira fase do plano que é o da industrialização. Ou seja, pelo desenvolvimento nessas instalações de novas capacidades de manutenção direcionadas para o mercado norte-americano.

Francisco Oom Peres

COO da Orion Technik

Para dar força à operação a companhia tem um plano de investimento a curto prazo. “O plano de investimentos inicial é de aproximadamente dois milhões de dólares, faseado e de acordo com um business plan de dois anos”, adianta o COO. “Teve um foco inicial na otimização da nossa supply chain proveniente deste mercado e nos procedimentos de certificação exigidos pelo Governo e pelas autoridades norte-americanas necessários para nos constituirmos como entidade certificada e autorizada na sua plenitude para a indústria, desenvolvimento e comércio de bens e tecnologias militares ou de dupla utilização”, explica Francisco Oom Peres. “Estes primeiros passos estão cumpridos na sua plenitude”, refere.

O plano está agora na segunda fase: “o início das operações de desenvolvimento de negócios e captação de mercado”. “Este plano passa desde logo pela captação de procura dos bens e serviços que são atualmente assegurados pelas nossas capacidades instaladas em Portugal e simultaneamente, pelo estabelecimento de novas parcerias industriais que levem à integração da Orion Technik em cadeias de valor mais próximas de fabricantes de origem [Original Equipment Manufacturer – OEM] e dos operadores sediados neste mercado”, descreve.

Mas há intenções de aumentar a ambição da companhia neste mercado. “Aguardamos pela licença de construção que nos permitirá avançar a qualquer momento para a terceira fase do plano que é o da industrialização. Ou seja, pelo desenvolvimento nessas instalações de novas capacidades de manutenção direcionadas para o mercado norte-americano“, revela o COO.

Com esta terceira fase, a empresa “transita da primeira fase em que é de facto uma ponte comercial entre os dois lados do Oceano Atlântico, para uma unidade autossustentável e com crescimento próprio no momento em que terminarmos a operacionalização da terceira fase do plano”, refere. “Qualquer expansão adicional será sempre dependente de escala e oportunidades, o que nunca falta neste mercado, mantendo no entanto, uma abordagem disciplinada quanto ao investimento, como temos feito até aqui.”

A Orion Technik foi uma das mais de 20 empresas de defesa que participaram na missão empresarial à feira Sea-Air-Space Expo e no PT-US Defence Industry Days que se realizou na semana passada em Washington, nos EUA.

EUA já representa cerca de 10%

Fundada em 1992, à data como Aeroequipo, por Francisco Peres Pimenta, engenheiro aeronáutico na Força Aérea Portuguesa e que decidiu começar o seu próprio negócio nas áreas de suporte de engenharia à indústria aeronáutica, hoje a empresa já atua na Europa e no Médio Oriente — neste último mercado através da Orion Technik Global Services, sediada nos Emirados Árabes Unidos e dedicada à gestão e desenvolvimento das operações nos mercados do Extremo e Médio Oriente — e EUA.

Os EUA já “representa uma componente relevante da atividade, na casa dos 10%”, ainda que “servida maioritariamente a partir da Europa”. E com esta presença local as estimativas são de “crescimento consistente do volume de negócios local”, bem como “um aumento gradual do peso dos EUA no nosso mix global”, diz o COO.

“Estimamos que no final desta década possa equivaler no seu volume de negócios ao que temos atualmente na Europa. O objetivo não é crescimento pontual ou disfuncional, mas sim a construção sustentada de uma quota num mercado altamente competitivo”, reforça Francisco Oom Peres, embora sem revelar valores.

Francisco Oom Peres, COO da Orion Technik.Hugo Amaral/ECO

Hoje a companhia, globalmente está “perto de ultrapassar as 100 pessoas”, tendo vindo a “crescer de forma consistente, com um aumento significativo da equipa nos últimos anos, a qual duplicou”.

“Existe vontade, necessidade e expectativa de continuar a reforçar com talento, experiência e multidisciplinaridade. Esta é uma área de negócio de mão de obra altamente qualificada, de enorme competitividade e que necessita no ponto de vista da experiência assim como no da regulamentação, de longos períodos (anos) para que um novo elemento comece a acrescentar valor nas nossas operações”, aponta o COO. “Temos tido a habilidade e capacidade de manter um quadro humano de sucesso, extremamente estável, adaptativo e quase sempre alinhado com os objetivos da equipa ou organização em que estão envolvidos”, refere.

Crescimento de mais de 30% no trimestre

O COO não revela valores de faturação, mas adianta que no ano passado a empresa fechou com um “crescimento do volume de negócios a nível global de 96%, superando as nossas previsões, mas de alguma forma expectável dado o início das operações de novas capacidades e da entrada em novos mercados resultantes do plano de investimentos que executámos entre 2023 e 2025″, afirma.

Evolução positiva que, diz, se mantém no arranque do ano.O primeiro trimestre de 2026 foi igualmente promissor com um crescimento estruturado do volume de negócios de 32%”, diz.

Até ao final do ano, a estimativa é igualmente de crescimento. “A expectativa é de continuação de crescimento sustentado, suportado pela expansão da operação a nível internacional (onde se inclui este investimento no mercado norte-americano), no desenvolvimento de novas capacidades e no reforço de parcerias com operadores e OEM. Reforçamos sempre nos nossos planos o foco no crescimento com rentabilidade, não apenas no volume”, diz.

No setor de defesa, por exemplo, a companhia fechou em 2024, após um processo de licitação internacional, um contrato de três anos com a agência de compras de materiais de defesa sueca para a manutenção das hélices dos C-130H da Força Aérea Sueca, incluindo serviços adicionais de engenharia e suporte técnico na Base Aérea F7 de Sätenas, sede da frota sueca de Hercules. A empresa já tinha, em 2020, um contrato para apoio à frota de C-130 da Força Aérea Sueca.

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