Um milhão de euros compra menos ‘casa’ em Lisboa 2025
Com um milhão de euros, compram-se 80 metros quadrados prime em Lisboa, menos 13 do que há cinco anos. Tóquio e Dubai lideraram as subidas.

Os preços globais da habitação de luxo subiram, em média, 3,2% em 2025. O dado consta da 20.ª edição do The Wealth Report, divulgado esta segunda-feira pela Knight Frank e que acompanha 100 mercados residenciais prime. Em Lisboa, um milhão de euros compra 80 metros quadrados numa zona prime, menos 13 m2 do que há cinco anos.
O índice PIRI 100 (o Índice Internacional de Imobiliário Residencial Prime) mostra que 73 dos 100 mercados analisados registaram crescimento de preços:
- Tóquio liderou a tabela, com uma subida de 58,5% no valor dos apartamentos novos de luxo.
- O Dubai registou uma valorização de 25,1% e manteve a posição de mercado mais ativo do mundo em imóveis acima de 10 milhões de dólares, com 500 vendas ultra-prime. O Médio Oriente foi a região com melhor desempenho, com uma subida de 9,4%.
- A América Latina e Caraíbas cresceram 4,7%, a Ásia Pacífico subiu 3,6% e a Europa avançou 3,3%.
- Pelo contrário, a América do Norte registou uma queda de 0,9%, pressionada pela descida dos preços no Canadá.
- Em Lisboa, o número de metros quadrados prime que se conseguem comprar com um milhão de euros caiu 14% em cinco anos. Em 2020, esse valor permitia comprar 93 metros quadrados, contra 80 metros quadrados em 2025, diz o relatório.
Carlos Penalva, sócio fundador da Quintela + Penalva l Knight Frank, atribui a evolução em Portugal à descida das taxas de juro, à instabilidade geopolítica internacional e à transferência de ativos financeiros para ativos reais. “Estamos perante um cenário de forte crescimento dos preços na maioria dos mercados imobiliários globais e, em Portugal, em especial. A escassez de produto, combinada com a elevada procura, deverá reforçar a confiança dos compradores e continuar a fazer os preços neste segmento de mercado”, afirma, em comunicado.
"O ritmo a que a riqueza está a ser gerada ajuda a manter a procura por imóveis de luxo mais resiliente, mesmo face à recente volatilidade nos custos de financiamento.”
De acordo com The Wealth Report, a mobilidade ultra-elevada está a transformar os padrões de compra, com um número crescente de indivíduos com elevado património líquido a passar menos de 90 dias por ano nos centros tradicionais, impulsionando a procura por arrendamento ultra-prime.
Novos locais de interesse incluem as cidades de Mumbai (+8,7%), Brisbane (rápido crescimento no segmento de luxo), Miami (+67% em cinco anos) e Hong Kong (recuperação no segmento ultra-prime).
“Em muitos mercados, o imobiliário residencial prime tem-se distanciado do setor habitacional em geral, sustentado pela força da criação de riqueza. Enquanto os mercados tradicionais continuam expostos a pressões económicas mais amplas, o ritmo a que a riqueza está a ser gerada ajuda a manter a procura por imóveis de luxo mais resiliente, mesmo face à recente volatilidade nos custos de financiamento”, explica Liam Bailey, editor do relatório.
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