Bancos da Zona Euro vão apertar ainda mais o crédito no segundo trimestre
Banco Central Europeu revela que os bancos vão tornar o crédito ainda mais difícil de obter no próximo trimestre, numa altura em que famílias e empresas já estão a travar os pedidos de empréstimo.
- O crédito na Zona Euro deverá tornar-se mais difícil de obter nos próximos meses, com os bancos a preverem um endurecimento nos critérios de aprovação de empréstimos no segundo trimestre.
- No crédito a empresas, a percentagem líquida de bancos que reportou um aperto foi de 10%, o valor mais elevado desde o terceiro trimestre de 2023.
- No c´crédito às famílias, os bancos antecipam que a procura prolongue-se no segundo trimestre, antecipando uma queda de 20% na procura de crédito à habitação e de 9% no crédito ao consumo.
O crédito na Zona Euro vai ficar ainda mais difícil de obter nos próximos meses. As instituições financeiras europeias preveem um “aperto generalizado e mais marcado” nos critérios de aprovação de empréstimos a empresas e particulares ao longo do segundo trimestre de 2026, segundo o inquérito trimestral sobre crédito bancário divulgado esta terça-feira pelo Banco Central Europeu (BCE).
Este comportamento esperado é acompanha pela perspetiva de uma nova contração na procura de empréstimos para habitação e crédito ao consumo, num sinal de que famílias e empresas estão a travar os planos de financiamento.
O cenário que se avizinha surge no seguimento de um primeiro trimestre em que os bancos já endureceram os critérios de concessão de crédito em todas as categorias, acima mesmo do que eles próprios tinham antecipado.

No crédito a empresas, a percentagem líquida de bancos que reportou um aperto foi de 10%, o valor mais elevado desde o terceiro trimestre de 2023, e superior à previsão de 6% que os próprios bancos tinham feito no inquérito anterior, referem os dados do BCE. Para o crédito ao consumo, o aperto foi ainda mais expressivo, com uma percentagem líquida de 15%.
A sustentar esta dinâmica está a maior perceção de risco económico e a menor tolerância ao risco por parte das instituições financeiras, com “os desenvolvimentos geopolíticos e energéticos a exercerem pressão de restrição”, segundo o documento do BCE.
De acordo com as perspetivas dos bancos, os próximos meses não será animador. Para o segundo trimestre, os bancos antecipam novas quedas na procura de crédito à habitação (-20%) e de crédito ao consumo (-9%).
A procura, por seu lado, também falhou as expectativas. Enquanto os bancos esperavam um aumento de 6% na procura de empréstimos por parte de empresas, o que se verificou foi uma ligeira queda de 2%, “principalmente impulsionada por uma diminuição da procura de investimento fixo”.
No crédito ao consumo, a quebra foi ainda mais acentuada: menos 11%, “refletindo um menor gasto em bens duráveis e uma menor confiança dos consumidores“. Apenas a procura de crédito à habitação se manteve estável, em 0%, numa altura em que a deterioração da confiança dos consumidores continua a pesar sobre as decisões das famílias.

De acordo com as perspetivas dos bancos, os próximos meses não será animador. Para o segundo trimestre, os bancos antecipam novas quedas na procura de crédito à habitação (-20%) e de crédito ao consumo (-9%).
As condições de acesso aos mercados de financiamento também pioraram no primeiro trimestre, com o acesso a títulos de dívida a registar “a deterioração mais significativa desde o primeiro trimestre de 2023”, segundo o BCE. Além disso, os bancos esperam que esta tendência se agrave nos próximos três meses, afetando também o financiamento de retalho e o acesso aos mercados monetários.
O inquérito, que abrangeu 161 bancos com uma taxa de resposta de 100%, inclui ainda uma análise inédita sobre titularização, com quase metade dos bancos europeus a revelar que recorreu a operações de titularização — tradicionais ou sintéticas — para libertar capital e conceder novos empréstimos, com fundos de investimento privados e seguradoras e fundos de pensões a surgirem como os principais compradores destes ativos.
Esta será inclusive uma tendência que deverá perdurar, dado que os bancos antecipam um impacto “cada vez mais positivo” da titularização nos volumes de crédito — uma luz ao fundo do túnel num panorama que, para já, aponta para um crédito mais caro, mais escasso e com menos procura.
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