Deixar energias fósseis é necessário para “a independência”, diz comissário europeu do Clima

  • Lusa
  • 28 Abril 2026

Wopke Hoekstra indica que a Europa "está perder 500 milhões de euros por cada dia que dura esta guerra" no Médio Oriente.

O comissário europeu para o Clima advertiu esta terça-feira que a saída das energias fósseis é necessária para alcançar “a independência”, apontando o custo da guerra no Médio-Oriente para a economia europeia.

“Na Europa, (…) estamos a perder 500 milhões de euros por cada dia que dura esta guerra”, afirmou Wopke Hoekstra ao intervir na conferência sobre a saída dos combustíveis fósseis que decorre em Santa Marta, na Colômbia.

“Já tínhamos um grande motivo para agir em relação às alterações climáticas, fazendo esta transição. Agora temos outro, por razões comerciais e de independência.” “Por isso, vamos em frente”, acrescentou o comissário na primeira conferência internacional sobre o tema. A crise energética generalizada provocada pela guerra no Médio Oriente não estava prevista no ano passado, quando a Colômbia e os Países Baixos anunciaram o encontro, convocado para contornar a recente paralisia das conferências anuais sobre o clima da ONU.

Na última conferência da ONU, no Brasil, o tema de um roteiro para o fim dos combustíveis fósseis nem esteve na declaração final, quando já tinha sido aflorado em reuniões anteriores, nomeadamente no Dubai, em 2023. A subida dos preços do petróleo desde março e, consequentemente, dos preços dos combustíveis, deu um segundo motivo para a realização do encontro na cidade portuária de Santa Marta.

“A eliminação gradual dos combustíveis fósseis é uma forma muito concreta de seguir as recomendações científicas. E foi precisamente isso que levou muitos de nós a apoiar o consenso do Dubai, que visa eliminar os combustíveis fósseis dos sistemas energéticos de forma justa, ordenada e equitativa”, explicou o comissário.

“Três anos depois, a crise energética está a trazer-nos de volta à realidade de forma brutal”, lamentou, referindo que os esforços políticos em matéria de alterações climáticas sofreram um duro revés nos últimos meses.

Hoje a ministra do Ambiente da Colômbia e organizadora do evento, Irene Vélez Torres, afirmou que “o petróleo continua a ser um fator desestabilizador para as economias de todo o mundo”. Mais de meia centena de países, incluindo Portugal, participa na conferência de Santa Marta, que deve terminar na quarta-feira.

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