Duro golpe para os maiores produtores de petróleo. Emirados Árabes Unidos abandonam OPEP
Saída dos Emirados Árabes Unidos da OPEP representa uma vitória para Donald Trump, que acusou a organização de "roubar o resto do mundo" ao inflacionar os preços do petróleo.
Os Emirados Árabes Unidos anunciaram esta terça-feira que vão deixar de fazer parte da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e da OPEP+ a partir de 1 de maio, no que representa um duro golpe para o cartel.
O país do Golfo não explicou por que razão decidiu abandonar a OPEP. Num comunicado, o Ministério da Energia e Infraestruturas limitou-se a afirmar que a decisão se baseou no interesse nacional dos Emirados Árabes Unidos, na sequência de uma revisão abrangente da sua política e capacidade de produção, considerando que a sua saída da lhes dará mais flexibilidade para responder à dinâmica do mercado.
“Reafirmamos o nosso apreço pelos esforços tanto da OPEP como da aliança OPEP+ e desejamos-lhes sucesso”, disse ainda o Ministério da Energia e Infraestruturas, no mesmo comunicado.
Desde 1967, sete anos após a criação da organização, que os Emirados Árabes Unidos eram um país membro da OPEP. Em fevereiro, eram o terceiro maior produtor de petróleo do grupo, apenas atrás da Arábia Saudita e do Iraque.
O anúncio dos Emirados Árabes Unidos surge depois de o país ter sido alvo, durante semanas, de ataques com mísseis e drones por parte do Irão, também membro da OPEP.
Ao mesmo tempo, o bloqueio do Estreito de Ormuz por Teerão também limitou severamente a capacidade dos Emirados Árabes Unidos de exportar petróleo, ameaçando os alicerces da sua economia.
Com a saída do país do Golfo, a OPEP, que tem procurado mostrar uma frente unida face ao conflito alargado no Médio Oriente, apesar das divergências internas sobre questões como a geopolítica e até as quotas de produção, poderá ficar enfraquecida.
Os produtores da região do Golfo Pérsico têm enfrentado dificuldades para escoar as suas exportações através do Estreito de Ormuz, uma importante via navegável entre o Irão e Omã por onde normalmente passa 20% da produção global de petróleo bruto e gás natural liquefeito (GNL), devido às ameaças e ataques iranianos contra os navios.
Contudo, a saída dos Emirados Árabes Unidos da OPEP e da OPEP+ é vista como uma vitória para o Presidente dos EUA, Donald Trump, que acusou a organização de “roubar o resto do mundo” ao inflacionar os preços do petróleo.
Trump também associou o apoio militar norte-americano aos países do Golfo à subida dos preços do petróleo, afirmando que, enquanto os Estados Unidos defendem os membros da OPEP, estes “exploram isso impondo preços elevados do petróleo”.
Enquanto um dos mais importantes aliados de Washington, os Emirados Árabes Unidos criticaram os Estados vizinhos da região por não fazerem o suficiente para os proteger dos inúmeros ataques iranianos.
Na segunda-feira, Anwar Gargash, conselheiro diplomático do presidente dos Emirados Árabes Unidos, criticou a resposta árabe e do Golfo aos ataques iranianos numa sessão do Fórum dos Influenciadores do Golfo.
“Os países do Conselho de Cooperação do Golfo apoiaram-se mutuamente em termos logísticos, mas, política e militarmente, penso que a sua posição tem sido a mais fraca de sempre“, afirmou, citado pela Reuters.
“Esperava esta postura fraca da Liga Árabe e não me surpreende, mas não a esperava do Conselho de Cooperação do Golfo e estou surpreendido com ela”, acrescentou o responsável.
Jan Von Gerich, analista-chefe de mercados da gestora de ativos finlandesa Nordea, afirmou que a decisão dos Emirados Árabes Unidos tem em vista aumentar a produção de petróleo, pelo que esta medida deverá ter um impacto negativo nos preços do “ouro negro”. “Quando o conflito com o Irão terminar, a OPEP não conseguirá controlar os preços como fazia no passado”, assinalou, em declarações à Reuters.
“Embora os efeitos a curto prazo possam ser atenuados, dadas as perturbações em curso no Estreito de Ormuz, a implicação a longo prazo é uma OPEP estruturalmente mais fraca“, declarou, por sua vez, Jorge Leon, analista da consultora norueguesa Rystad, apontando que, fora da organização, os Emirados Árabes Unidos “teriam tanto o incentivo como a capacidade para aumentar a produção”, o que “levantará questões mais amplas sobre a sustentabilidade do papel da Arábia Saudita como estabilizador central do mercado”.
Já Ajay Parmar, diretor de Energia e Refinação da Independent Commodity Intelligence Services (ICIS), não ficou surpreendido com a saída dos Emirados Árabes Unidos da OPEP, mas reconheceu que “terá certamente um impacto significativo a longo prazo”. “Significa também um afastamento geral na aliança historicamente forte entre os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita“, assinalou.
(Notícia atualizada pela última vez às 15h13)
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