Kristin: Estrutura de missão quer extensão dos apoios às empresas por mais seis meses
Empresas sentem demora na reposição de maquinaria. Governo instado a que apoios às empresas durem até final do ano. Nos seguros, esta semana deverá haver reunião entre companhias e empresas.

O presidente da Estrutura de Missão Reconstrução da Região Centro do País vai pedir ao Governo um prolongamento de seis meses para as medidas de apoio às empresas em sede de Segurança Social e de suporte ao emprego por via do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP).
Ao ECO/Local Online, Paulo Fernandes detalha as razões que justificam esta extensão: por um lado, a morosidade do processo de reposição ou reparação de maquinaria, por outro, o empenho de trabalhadores na missão de recuperação das infraestruturas das empresas para lá do que é o cerne das suas próprias funções profissionais.
“Vou propor, para as medidas que eram para o semestre, da Segurança Social, que terminariam agora no mês de junho, e de apoio à empregabilidade direta, manter pelo menos mais três meses, com possibilidade de outros três meses. Mais seis meses com período intercalar de avaliação. São medidas essenciais”, descreve Paulo Fernandes.
“A minha leitura, e que vai ser o meu parecer junto das diferentes áreas do Governo, é que, dadas estas circunstâncias, devemos estender a eficácia das medidas por mais alguns meses”, diz, ao ECO/Local Online.
A minha leitura, e que vai ser o meu parecer junto das diferentes áreas do Governo, é que, dadas estas circunstâncias, devemos estender a eficácia das medidas por mais alguns meses.
Se na componente de construção civil “tem havido alguma dificuldade”, nos equipamentos a situação “é um pouco mais preocupante”. Nas empresas que tiveram máquinas danificadas, “sobretudo nas áreas mais relevantes da indústria, dos plásticos, dos moldes”, existem “máquinas prototipadas, feitas à medida, tendo em vista um determinado produto, determinada linha de produção, que demoram, às vezes seis, sete, oito meses até serem repostas. Aqui sim, há uma dificuldade maior, que às vezes não põe em causa toda a produção, mas põe em causa a produtividade”, explica.
“A questão da reposição da maquinaria não depende dos próprios, nem de ter recursos ou não. É uma questão muito prática. Estas máquinas custam a serem novamente feitas, ou a serem corrigidas nos seus defeitos, ou seja, demoram meses”, descreve o presidente da estrutura de missão. “Estamos a falar de clusters muito importantes nesta região”, alerta.
Adicionalmente, com a necessidade de subcontratação para colmatar a ausência de produção em determinado ponto da fileira de montagem, sucedem-se situações de encurtamento das margens, dificultando a tesouraria da empresa, e de subprodução criadora de excesso de mão de obra provisória – até que as máquinas danificadas sejam substituídas – prossegue Paulo Fernandes.
"A minha leitura é que deve haver um aumento dos prazos relativamente a estas duas medidas, fazendo-se provavelmente em maio, na segunda quinzena, uma leitura mais precisa, eventualmente relativamente ao âmbito –se é para toda a economia, ou se nos vamos focar na indústria, por exemplo, e até ao âmbito territorial, se nos focamos mais nas zonas afetadas, ou se mantemos esta medida num âmbito territorial mais vasto. Isso são decisões que vão ter de ser equacionadas.”

Seguradoras e empresas seguradas chamados a reunir-se
O presidente da estrutura de missão pretende ainda promover, ainda esta semana, uma reunião entre as associações empresariais e as seguradoras, de modo a deixar claro que o recebimento de uma quantia provisória de indemnização não implica a aceitação automática pelo segurado do valor que o segurador considera devido.
Paulo Fernandes aponta para que, nos cerca de 400 milhões já pagos pelas seguradoras, 300 milhões tenham sido entregues às habitações e apenas 75 milhões a empresas, o que, justifica, se deve em boa parte à complexidade das peritagens feitas à maquinaria com que estas produzem.
“Não implica a aceitação do valor final da parte segurada. Muitas empresas têm um certo receio de aceitar o adiantamento porque pensam que isso significa um aceitamento tácito de um valor que é seguramente discutido, até pelas questões das amortizações desses mesmos equipamentos. São geralmente questões em circunstâncias até normais provocam sempre uma maior tensão entre a seguradora e o segurado”, afirma. “Não, essa questão não implica aceitação, e esperemos que isso se reforce”.
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