Mais de metade das agências de comunicação antecipam crescimento em 2026
A cautela dos clientes em relação aos orçamentos e a integração de inteligência artificial generativa (GenAI) surgem como principais preocupações para 28% dos inquiridos.
A maioria (67%) das agências de comunicação, a nível mundial, antecipa um crescimento do negócio em 2026. Já 22% preveem estabilidade e 11% antecipam uma queda. Os dados são do mais recente inquérito da International Public Relations Network (IPRN), que integra dados das agências membros em mais de 22 países, incluindo Portugal, Índia, Bélgica, África do Sul, Brasil e Estados Unidos da América (EUA).
Apesar deste indicador positivo, a cautela dos clientes em relação aos orçamentos e a integração de inteligência artificial generativa (GenAI) surgem como principais preocupações para 28% dos inquiridos. A retenção e atração de talento seguem-se com 20%, reforçando que “o capital humano permanece simultaneamente como um ativo estratégico e uma vulnerabilidade estrutural”.

“O setor das relações públicas atingiu um marco em que a inteligência artificial (IA) deixou de ser uma consideração emergente para se tornar uma realidade operacional”, afirma Rodrigo Viana de Freitas, presidente da IPRN e CEO da Central de Informação, citado em comunicado.
“Com 100% das nossas agências a reportarem a utilização ativa de IA, a vantagem competitiva reside agora no equilíbrio entre eficiência automatizada e a preservação do fundamento irreduzível do valor das relações públicas —o julgamento humano e a confiança estratégica”, acrescenta ainda.
Como está a ser integrada a inteligência artificial?
“A inteligência artificial passou de uma consideração emergente a uma realidade operacional em todo o setor das Relações Públicas”, destaca o estudo. Todas as agências membros da IPRN inquiridas reportam a implementação ativa de IA, com 82% a fazê-lo de forma regular . “A questão já não é se devemos adotar a IA, mas sim como integrá-la com intenção estratégica”, destaca-se ainda.
Embora a criação de conteúdos continue a ser a principal aplicação — 25% –, o setor está a aprofundar o uso da IA em áreas de elevada complexidade, como investigação e análise de tendências — 21% –, além do processo criativo — 20% –. Esta evolução é impulsionada pela procura de maior eficiência e produtividade — 26% –-, identificada pelas agências como o principal benefício da adoção.
No entanto, subsiste uma “lacuna de perceção” significativa entre agências e clientes. Enquanto 89% das agências mantêm uma visão fortemente positiva ou estratégica da IA, a receção por parte dos clientes é mais moderada. A maioria dos clientes — 55% — aceita trabalho assistido por IA, embora 48% apenas de forma condicionada, exigindo total transparência.
O ChatGPT e as ferramentas da OpenAI — 18% — lideram a adoção por uma margem clara, seguidos pelo Google Gemini e Notebook LM — 13%. As ferramentas de escrita e linguagem, os LLMs alternativos e as plataformas de geração de imagem e vídeo registam valores idênticos — 10% –, a par de plataformas específicas de Relações Públicas com funcionalidades de IA integradas.

Adicionalmente, o setor já se prepara para a otimização para motores generativos (GEO). Embora apenas 15% estejam atualmente a gerar negócio a partir de GEO, 41% das agências estão a desenvolver conhecimento e a iniciar testes, “sinalizando que a visibilidade em ambientes de pesquisa mediados por IA está rapidamente a tornar-se um imperativo estratégico”, aponta a IPRN.
“Olhando para o futuro, as agências mais bem posicionadas para liderar são aquelas que vão além dos ganhos de eficiência e incorporam a capacidade de IA na sua oferta estratégica, desenvolvendo abordagens proprietárias, estruturas de transparência para os clientes e a competência humana necessária para transformar os resultados da IA em conhecimento genuíno (insight). A adoção universal já é o ponto de partida. A diferenciação, a governação e a confiança são o que definirá a próxima fase“, antecipa o estudo.
Outras conclusões do estudo:
- As estratégias de comunicação integrada destacam-se como principal oportunidade de crescimento — 28% –, seguidas da reputação corporativa — 22% — e do posicionamento de CEO & thought leadership — 19%.
- A consultoria em comunicação estratégica (26%) lidera a evolução dos serviços, “reforçando a transição do setor para serviços de maior valor acrescentado e intensivos no aconselhamento estratégico”.
- A tecnologia continua a liderar as perspetivas de crescimento por setores — 16% –, seguida de energia e utilities — 15%.
- As agências estão a priorizar, no seu investimento, a IA e automação — 27% –, seguidas de medição & analytics — 17% — e formação de equipas — 17%.
- Embora 82% das agências utilizem IA regularmente, as aplicações de criação de conteúdos expandiram-se face a 2024, representando agora 14% da utilização em texto, imagem e vídeo.
O inquérito foi realizado online entre 12 e 27 de fevereiro de 2026. Os países participantes no estudo incluem Bélgica, Brasil, Bulgária, Canadá, Colômbia, República Checa, Egito, Alemanha, Índia, Itália, Japão, Lituânia, Luxemburgo, México, Nigéria, Polónia, Portugal, Singapura, África do Sul, Espanha, Reino Unido e EUA.
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