TAP pôs empresa de catering à venda por valor abaixo do que pagou
A companhia aérea adquiriu 51% da empresa de catering por 11,7 milhões em abril de 2025. Participação foi colocada à venda nove meses depois por um valor inferior.
- A TAP decidiu vender a sua participação de 51% na Cateringpor por um valor inferior ao que pagou um ano antes, como parte do Plano de Reestruturação.
- A companhia aérea adquiriu a Cateringpor por 11,68 milhões de euros, mas o preço-base para a venda foi fixado em 9,57 milhões.
- A TAP está a negociar a venda da SPdH com a Menzies Aviation. Alienação será feita a preços de mercado, com base em avaliações de peritos independentes.
A TAP colocou à venda a participação de 51% na Cateringpor por menos 2,1 milhões do que tinha pago por ela nove meses antes. Uma alienação essencial para que a companhia aérea termine o Plano de Reestruturação, tal como a venda da SPdH/Menzies, que será feita com base em avaliações de peritos independentes.
11.685.000 euros. Foi este o valor pelo qual a TAP S.A. adquiriu 51% da Cateringpor à TAP SGPS (Siavilo) em abril de 2025 e que só agora é conhecido. O montante consta do relatório e contas de 2025 da companhia e fica abaixo do preço-base para a venda da mesma participação definido no concurso público lançado em janeiro: 9.567.145 euros.
O concurso só teve um concorrente, a Gate Gourmet, dona dos restantes 49% da empresa que fornece o catering da TAP. A venda ao grupo suíço foi fechada há duas semanas, mas o valor não foi divulgado. O ECO questionou o ministério das Infraestruturas sobre o valor da operação, mas não obteve resposta. Uma coisa é certa: o preço-base era 2.117.855 euros abaixo do que a TAP pagou à sua antiga holding.
Além da Cateringpor, a companhia também adquiriu à TAP SGPS 100% da UCS (Unidade de Cuidados de Saúde) por 4,34 milhões de euros — um valor que também não era conhecido –, e ficou com a totalidade da Portugália por 4,4 milhões de euros, conforme avançou o ECO. Os dois negócios foram comunicados em janeiro de 2025. Ao todo, a companhia aérea pagou 20,42 milhões pelas participações detidas pela holding.
O atraso na venda da Cateringpor foi uma das razões que levaram a TAP a pedir o prolongamento do Plano de Reestruturação acordado com a Comissão Europeia. Bruxelas concedeu mais seis meses, mas obrigou a companhia aérea a devolver 24,99 milhões de euros em auxílios de Estado até final de junho.
TAP negoceia venda da SPdH com a Menzies a “preços de mercado”
O outro motivo foi não ter fechado a alienação da participação de 49,9% na SPdH à Menzies, que detém os restantes 50,1%. Só a 29 de dezembro de 2025 é que a TAP exerceu a opção de venda da totalidade das ações. “Não obstante, não foi ainda efetuada a venda dado o referido concurso público para seleção de um prestador de serviços de assistência em escala a terceiros não se encontrar concluído“, justifica a companhia no mesmo documento.
O concurso público refere-se à atribuição de licenças de handling nos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro, lançado pela Autoridade Nacional de Aviação Civil (ANAC), que classificou em primeiro lugar o consórcio rival da SPdH, que reúne as empresas espanholas Clece e South. A SPdH avançou com uma providência cautelar para suspender o concurso, mas o regulador entregou uma resolução fundamentada para poder prosseguir com o processo, que nesta fase está na análise da documentação entregue pelo agrupamento espanhol.
“A TAP S.A. e a Menzies Aviation encontram-se em negociação dos termos e condições do referido exercício da opção de venda”, que “prevê uma alienação a preços de mercado, com base em avaliações de peritos independentes“, refere o relatório.
A companhia aérea não realizou novas provisões em relação à SPdH no exercício de 2025, apesar do concurso e do processo de venda ainda em curso. “Com referência a 31 de dezembro de 2025, o Conselho de Administração avaliou as referidas circunstâncias, tendo concluído que estas não afetam a recuperabilidade dos saldos a receber da SPdH, tendo por base a opção de venda detida pela TAP S.A. relativamente à referida associada, bem como o modelo de operação de handling de passageiros planeado para o aeroporto de Lisboa”. A TAP indica no relatório e contas que, no final do ano passado, tinha saldos a receber da SPdH no montante de 24,4 milhões de euros.
A venda do negócio de handling tem de ser consumada até ao final de junho para que a TAP possa sair do plano de reestruturação. A venda da SPdH e da Cateringpor ficam fora dos ativos da privatização da companhia aérea, que está na fase de apresentação das propostas vinculativas.
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