Vinho. Verdes, Bairrada e Lisboa entram no radar do luxo

ECO,

Vinhos atlânticos estão a ganhar protagonismo à boleia dos novos gostos dos consumidores por vinhos mais frescos e leves.

Região dos Vinhos Verdes.

Vinho Verde, Bairrada e Lisboa estão entre as regiões vínicas a observar no segmento de investimento em vinhas, de acordo com o The Wealth Report da consultora Knight Frank. A explicação está na mudança do gosto dos consumidores, que procuram vinhos mais frescos, leves, locais e menos formais.

O novo luxo no vinho pode não estar apenas nas garrafas raras da Borgonha, nos champanhes de coleção ou nos grandes tintos para guardar. Pode estar nas regiões atlânticas portuguesas, onde a frescura, as castas autóctones e a ligação ao território começam a responder a uma mudança estrutural no consumo.

No The Wealth Report 2026, a Knight Frank identifica o Vinho Verde, o da Bairrada e o de Lisboa como regiões a observar dentro da categoria “mudança de gostos”. A consultora inclui Portugal, em particular as “zonas atlânticas”, numa lista que junta também o Loire, em França, Mosel, Rheingau e Pfalz, na Alemanha, Kamptal, Kremstal e Wachau, na Áustria, Alto Adige e Friuli, em Itália, e o Reino Unido.

A tese da Knight Frank é simples: “a forma como as pessoas bebem vinho está a mudar” e essa transformação pode criar “algumas das oportunidades mais interessantes” para investidores em vinhas. A mudança é puxada por dois movimentos: maior atenção à saúde e ao bem-estar e evolução dos gostos das gerações mais novas.

Segundo o relatório, os consumidores mais jovens, em especial a geração Z, estão “menos presos à cultura tradicional do vinho” do que as gerações anteriores. Preferem estilos mais leves, tintos que podem ser bebidos frescos, castas novas e perfis de sabor mais acessíveis. A Knight Frank sublinha ainda que os consumidores procuram cada vez mais vinhos brancos “frescos e aromáticos”, num movimento que está a alargar o interesse internacional por regiões antes vistas como secundárias no mapa premium.

É aqui que entra Portugal. Várias zonas da Europa “antes consideradas periféricas para produtores premium estão agora em ascensão” e, diz o relatório da Knight Frank, Vinho Verde e Bairrada motivam interesse por cultivarem “castas indígenas com frescura salina e finesse moderna”.

Com esta menção, ao lado de regiões de Itália de Franca, Portugal é colocado numa categoria ligada à descoberta, à autenticidade e à adequação ao novo consumidor. O que está em causa não é apenas o prestígio histórico da região, mas a capacidade de responder a uma procura mais contemporânea.

No Vinho Verde, esta leitura parece evidente. A região encaixa naturalmente na procura por vinhos leves, frescos e aromáticos, com forte ligação ao clima atlântico. Na Bairrada, a oportunidade está na combinação entre castas próprias, acidez natural e capacidade de produzir vinhos gastronómicos, menos óbvios e com narrativa forte. Lisboa surge no quadro da Knight Frank como parte das zonas atlânticas portuguesas, embora o relatório não detalhe sub-regiões, castas ou preços de vinha.

Em mercados menos inflacionados, como o dos vinhos atlânticos, a oportunidade pode estar na antecipação da próxima vaga de procura.

Para investidores, o sinal é relevante. O mercado global de vinhas continua muito marcado por geografias de prestígio, onde um milhão de dólares compra cada vez menos terra. A Knight Frank mostra, por exemplo, que em certas parcelas Grand Cru da Côte de Nuits, na Borgonha, esse valor pode comprar apenas 0,02 hectares, cerca de 200 metros quadrados. Em mercados menos inflacionados, a oportunidade pode estar na antecipação da próxima vaga de procura.

O relatório também identifica duas outras forças que podem reforçar este movimento: sustentabilidade e experiência. A Knight Frank diz que a sustentabilidade deixou de ser apenas um diferenciador de marca e passou a ser uma exigência de base para um número crescente de consumidores. No enoturismo, nota que as experiências premium e personalizadas estão a substituir o consumo por hábito, enquanto as vendas diretas na adega permitem margens mais elevadas do que a venda através de retalhistas e distribuidores.

É aqui que Vinho Verde, Bairrada e Lisboa podem ganhar uma segunda oportunidade. Não apenas como regiões produtoras, mas como territórios de experiência: vinho, gastronomia, paisagem, alojamento, arquitetura, património e storytelling. As regiões capazes de oferecer hospitalidade imersiva, educação e narrativa ligada ao lugar vão captar margem e fidelização, defende a Knight Frank.

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