Empréstimos para compra de casa subiram 10,3% em março, no ritmo mais alto desde 2003
Valor dos inventários para crédito à habitação foi o mais elevado desde setembro de 2011. Garantia pública tem impulsiona a procura, mas é motivo de braço-de-ferro entre Governo e banco central.
- Os empréstimos concedidos pelos bancos para compra de casa registaram um aumento anual de 10,3% em março, o maior desde 2003.
- O Banco de Portugal destaca que o valor total dos empréstimos à habitação atingiu 113,6 mil milhões de euros, o mais alto desde 2011.
- A instituição está a considerar uma revisão das medidas macroprudenciais em resposta ao aumento da garantia pública ao crédito à habitação, que poderá impactar o mercado.
Os stocks de empréstimos concedidos pelos bancos para compra de casa subiram 10,3%, em termos anuais, em março, o ritmo mais elevado desde fevereiro de 2003, de acordo com os dados divulgados esta quinta-feira pelo Banco de Portugal (BdP).
No terceiro mês do ano, o valor dos inventários para crédito à habitação, de 113,6 mil milhões de euros, foi o mais elevado desde setembro de 2011, quando atingiu os 113,7 mil milhões.
A procura por crédito à habitação tem sido impulsionada pela adesão à garantia pública dos jovens e o tema voltou a receber destaque na semana passada. O reforço de 750 milhões de euros que o Governo se prepara para injetar na garantia pública ao crédito à habitação dos jovens, avançado em primeira mão pelo ECO, não está a passar ao lado do supervisor.
Segundo informação recolhida pelo ECO, o Banco de Portugal prepara-se para estancar os efeitos desta iniciativa do Executivo através de uma revisão das medidas macroprudenciais que enquadram a concessão de crédito à habitação em Portugal, numa resposta regulatória direta a um envelope público que, com esta nova dotação, sobe para os 2.300 milhões de euros e que já permitiu financiar mais de 25 mil contratos a jovens até aos 35 anos, a maior parte deles com rácios loan-to-value (LTV) próximos dos 100%.
O Banco de Portugal destacou esta quarta-feira que no conjunto da Zone Euro, os empréstimos para habitação cresceram, em termos anuais, 2,9%. “A taxa de variação anual dos empréstimos para a habitação em Portugal está acima da taxa média da área do euro desde agosto de 2024”, sublinhou a instituição liderada por Álvaro Santos Pereira.
O montante de empréstimos ao consumo e outros fins subiu 656 milhões de euros em março, totalizando 34,7 mil milhões de euros, acrescentou. A taxa de variação anual aumentou para 9,1%. Em termos anuais, os empréstimos para outros fins cresceram 10,2% (o valor mais elevado desde abril de 2008) e os empréstimos ao consumo 8,5% (a taxa mais elevada desde março de 2020).

Maior crescimento empréstimos às empresas desde 2021
No final de março de 2026, o stock de empréstimos concedidos pelos bancos às empresas atingiu 75,7 mil milhões de euros, mais 1,2 mil milhões do que no final de fevereiro, informou o BdP.
Em termos homólogos, observou-se um crescimento de 5,6%, acima dos 4,1% registados em fevereiro. “Trata-se da taxa de variação mais elevada desde julho de 2021, quando vigoravam linhas de apoio no âmbito da pandemia de COVID-19”, vincou.
Adiantou que os empréstimos às microempresas e às pequenas empresas continuaram a crescer relativamente ao período homólogo (+12,4% e +7,7%, respetivamente). Em contraste, os empréstimos às grandes empresas registaram uma taxa de variação anual negativa (-0,4%). No caso das médias empresas, a taxa de variação foi positiva (0,3%), o que não acontecia desde junho de 2022.
O crédito ao setor da construção e atividades imobiliárias continuou a acelerar, atingindo uma taxa de variação anual de 11,6% (10,3% em fevereiro).
Nos setores do comércio, transportes e alojamento, a taxa de variação anual aumentou para 5,1% (4,3% em fevereiro). Em termos homólogos, o crédito ao alojamento e restauração e ao comércio cresceu 5,7% e 6,8%, respetivamente, enquanto o crédito ao setor dos transportes e armazenagem diminuiu 0,7%.
O setor das indústrias e eletricidade apresentou uma taxa de variação anual positiva de 0,9%, após -2,4% em fevereiro.
(Notícia atualizada às 11h59 com mais informação)
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