Podcast especial. “Há poucos países que tenham níveis de flexibilidade laboral comparável à portuguesa”

Mário Centeno é claro: não é a lei laboral que está a impedir a melhoria a produtividade, é a "baixíssima formação". Ouça o episódio especial do podcast 'Trinta e oito vírgula quatro".

A chave para que a economia portuguesa tenha sucesso e consiga, por fim, aproximar-se dos pares europeus? Continuar a investir nas qualificações dos trabalhadores. Quem o diz é Mário Centeno, ex-governador do Banco de Portugal e ex-ministro das Finanças, a quem coube encerrar a “Conferência Anual do Trabalho”. A sua intervenção pode ser agora (re)ouvida na íntegra num episódio especial do podcast “Trinta e oito vírgula quatro”.

“O maior atraso da economia portuguesa deve-se a este fator. Não é a legislação laboral que impede que as empresas abram postos de trabalho em Portugal. Não é a legislação laboral que impede a melhoria da produtividade. Foi a baixíssima formação e níveis de qualificação com que os portugueses entravam para o mercado de trabalho. Esta situação alterou-se gradualmente, mas esta revolução leva 45 anos a completar”, defendeu o também economista, que apelou, assim, a uma aposta contínua nas competências da força de trabalho.

E numa altura em que o Governo está a negociar uma reforma da lei laboral, Mário Centeno atira que “há muito poucos países no mundo em que a rotação no emprego seja maior do que em Portugal” e que “tenham níveis de flexibilidade laboral comparável à portuguesa“.

“Se há uma coisa que, enquanto economista vos posso garantir, é que, com a estrutura produtiva que temos, o nosso mercado de trabalho não tem défice de flexibilidade. As empresas rodam o emprego e quem mais sofre são os jovens“, avisou o antigo governador do banco central português.

O “Trinta e oito vírgula quatro” é um podcast quinzenal com entrevistas a decisores, líderes e pensadores sobre os temas mais quentes do mercado de trabalho. Numa década, a duração média estimada da vida de trabalho dos portugueses cresceu dois anos para 38,4. É esse o valor que dá título a este podcast e torna obrigatória a pergunta: afinal, se empenhamos tanto do nosso tempo a trabalhar, como podemos fazê-lo melhor.

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