Incerteza geopolítica leva Fed a congelar juros na despedida de Powell
Pela terceira reunião seguida – e a última com Powell como presidente – o banco central dos EUA 'congelou' as taxas de juro. Com 4 votos contra em 12, a decisão foi a mais dividida desde 1992.
- A Reserva Federal dos EUA decidiu manter as taxas de juro inalteradas, refletindo incertezas económicas devido à guerra no Médio Oriente e à inflação crescente.
- A decisão foi a mais dividida desde 1992, com três votos dissidentes que expressaram preocupações sobre a comunicação da Fed em relação à redução dos custos de financiamento e um a favor de um corte.
- Os analistas preveem um possível corte nas taxas de juro, mas apontam para incerteza sobre o timing.
A Reserva Federal norte-americana (Fed) manteve esta quarta-feira as taxas de juro inalteradas, numa decisão tomada pelo Comité de Política Monetária (FOMC) amplamente antecipada por analistas e investidores, com a taxa das Federal Funds Rates a ficar no intervalo 3,50%-3,75% pela terceira reunião consecutiva devido à incerteza provocada pela guerra no Médio Oriente.
A decisão foi, no entanto, a mais dividida desde 1992, salientando dessa forma preocupações crescentes com a inflação numa declaração de política monetária que suscitou três votos dissidentes por parte de membros que já não consideram que o banco central dos EUA deva comunicar uma tendência para a redução dos custos de financiamento.
Um quarto voto dissidente, o de Stephen Mirran (nomeado por Donald Trump), foi a favor de uma redução da taxa de juro de um quarto de ponto percentual.
“A inflação está elevada, refletindo, em parte, o recente aumento dos preços globais da energia”, afirmou a Reserva Federal em comunicado, numa mudança face à formulação anterior, que referia que a inflação estava apenas “ligeiramente” elevada.
“Os acontecimentos no Médio Oriente estão a contribuir para um elevado nível de incerteza quanto às perspetivas económicas”, sublinhou.
Atividade económica expande a ritmo sólido
O Comité acrescentou que os indicadores recentes sugerem que “a atividade económica tem vindo a expandir-se a um ritmo sólido“, registando ainda que a criação de emprego “tem-se mantido baixa, em média, e a taxa de desemprego tem-se mantido praticamente inalterada nos últimos meses”.
A escalada do conflito no Médio Oriente, desencadeado pelos ataques dos EUA e Israel ao Irão a 28 de fevereiro, fez disparar o preço do petróleo, elevou os preços da gasolina nos EUA e obrigou os principais bancos centrais globais a adotar uma postura de cautela.
No caso dos Estados Unidos, vários analistas preveem que o próximo passo do banco central poderá ser um corte nos juros, mas nºão arriscam no timing. Os investidores apontam até para uma manutenção nos atuais níveis este ano.
Essa subida eventual descida, em qualquer caso, depois da saída de Jerome Powell da presidência da Fed, com a confirmação no Senado do seu sucessor, Kevin Warsh, nomeado por Donald Trump, prevista para a semana de 11 de maio.
(Notícia atualizada às 19h11)
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