Perto da saída de Powell, a Fed vai ficar em modo de espera

Sem mexidas nos juros e poucos sinais para a frente, o grande motivo de interesse reside no que Jerome Powell poderá dizer após a sua (provável) última reunião à frente da Reserva Federal.

ECO Fast
  • A guerra no Médio Oriente está a levar a Reserva Federal dos EUA a manter as taxas de juro inalteradas, numa reunião que deverá ser a última da liderança de Jerome Powell.
  • A maioria dos analistas acredita que a Fed não reduzirá as taxas, com 100% de probabilidade de manutenção no intervalo atual de 3,50% a 3,75%.
  • A incerteza gerada pelo conflito está a provocar divergências entre economistas, com uma pequena maioria a prever estabilidade nas taxas até setembro.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

A guerra no Médio Oriente está a obrigar os principais bancos centrais a fazer pausas na política monetária e a Reserva Federal (Fed) norte-americana não é exceção, até porque a reunião que termina esta quarta-feira será de transição na presidência: a última de Jerome Powell antes da chegada de Kevin Warsh.

Na passada quinta-feira, o Departamento de Justiça dos EUA encerrou a investigação sobre o papel de Powell no disparo dos custos da renovação do sede do banco central, numa decisão que abre a porta à confirmação do seu sucessor.

“O principal foco de interesse será a conferência de imprensa de Jerome Powell, que, em teoria, será a sua última, uma vez que o seu mandato como presidente termina a 15 de maio”, referiram os analistas do banco de investimento neerlandês ING.

Haverá perguntas sobre como Powell encara o seu legado e a sua relação com o presidente Trump, e se optará por permanecer na Fed, dado que o seu mandato como membro do Conselho de Governadores só termina em janeiro de 2028

Analistas do ING

“Como tal, haverá perguntas sobre como Powell encara o seu legado e a sua relação com o presidente Trump, e se optará por permanecer na Fed, dado que o seu mandato como membro do Conselho de Governadores só termina em janeiro de 2028”, sublinharam.

Para os analistas do britânico Lloyds Bank, a Reserva Federal parece disposta a manter as taxas de juro inalteradas, prolongando a pausa nos cortes para uma terceira reunião consecutiva.

Essa opinião é partilhada pela vasta maioria dos investidores e economistas. Segundo o site CME FedWatch Tool, que monitoriza a negociação dos futuros das taxas de juro, esta quarta-feira a probabilidade de a Fed manter as Federal Funds Rates no intervalo atual de 3,50% a 3,75% era de uma certeza absoluta: 100%.

Mesmo antes da escalada do conflito no Golfo, parecia haver pouca vontade entre a grande maioria dos decisores políticos para uma nova redução imediata“, recordaram os analistas do LLyods. Os recentes desenvolvimentos — riscos potenciais de subida da inflação e riscos de descida do crescimento económico e do emprego — irão provavelmente reforçar a tendência para manter a situação inalterada por enquanto, adiantaram.

Assim, parece provável uma votação quase unânime a favor da manutenção, com Miran, nomeado pelo Presidente Trump, a ser o único dissidente a favor de um corte imediato, notaram, sublinhando que o foco estará na mensagem que os decisores transmitirem sobre as intenções futuras e que na atualização anterior, em março, a ênfase recaiu sobre o elevado nível de incerteza em torno das consequências económicas da Guerra do Golfo, mas também sobre o facto de, dada a situação aparentemente sólida da economia dos EUA, a Fed estava bem posicionada para aguardar e observar os desenvolvimentos.

Próximo passo? Um corte, mas ainda falta tempo

“De facto, ao contrário de outros grandes bancos centrais, a Reserva Federal parece continuar a dar a entender que o próximo movimento nas taxas de juro será, muito provavelmente, uma descida“, vincaram. “É improvável que haja qualquer alteração nessa mensagem fundamental mas, no entanto, uma vez que os decisores políticos irão querer garantias de que qualquer aumento da inflação é relativamente contido, tal medida provavelmente ainda está um pouco longe”.

Os analistas to ING referiram que o mercado continua a apontar para eventuais reduções das taxas, com cerca de 10 pontos-base de flexibilização descontados até ao final do ano.

“A própria Reserva Federal mantém uma redução de 25 pontos-base nas suas projeções económicas de março para 2026, enquanto o consenso entre os economistas continua a ser um pouco mais agressivo, prevendo duas reduções de 25 pontos-base na segunda metade do ano”, escreveram, concluindo que o ING também continua a prever dois cortes nas taxas este ano, um em setembro e outro em dezembro.

A incerteza causada pela guerra no Médio Oriente está provocar divergências de opinião entre os economistas sobre o rumo da política monetária na maior economia do mundo.

Uma pequena maioria dos economistas, 56 de 103, numa sondagem da Reuters realizada entre 17 e 21 de abril, previu que a taxa de juro de referência da Reserva Federal se manteria estável na faixa de 3,50% a 3,75% até ao final de setembro, em comparação com os quase 70% que esperavam pelo menos uma redução até essa data numa sondagem realizada no final de março.

No inquérito não houve um consenso claro sobre onde as taxas terminariam o ano, mas 71 economistas ainda esperavam pelo menos um corte. A previsão mediana aponta para uma única redução, em linha com as projeções do dot plot divulgadas pela Fed no mês passado. Quase um terço dos economistas espera agora que as taxas permaneçam inalteradas este ano, quase o dobro da percentagem registada na sondagem anterior.

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