Remax vendida por 750 milhões de euros. Portugal diz que não muda nada (por agora)

A maior rede imobiliária do mundo foi comprada por uma empresa tecnológica. A operação em Portugal não muda, garante a empresa, mas o reforço tecnológico que aí vem pode trazer novidades à rede.

A The Real Brokerage, empresa tecnológica norte-americana cotada no Nasdaq, anunciou na segunda-feira a compra da Remax Holdings num negócio que vale cerca de 750 milhões de dólares incluindo dívida.

O acordo cria o Real Remax Group, uma nova entidade que reunirá mais de 180 mil agentes imobiliários em todo o mundo e receitas de cerca de 2 mil milhões de euros, com Tamir Poleg, CEO da Real Brokerage, a assumir a liderança da empresa combinada.

Para os acionistas da Remax, a oferta é de 13,80 dólares por ação em dinheiro, ou 5,15 ações da nova empresa, um prémio de cerca de 73% face à cotação de sexta-feira.

Esta operação diz respeito à estrutura acionista da empresa-mãe da marca a nível global e não altera, para já, a operação da Remax Portugal.

Fonte oficial da Remax Portugal

A Remax Portugal, liderada por Beatriz Rubio, que encerrou 2025 com um volume de transações de 8,67 mil milhões de euros, mais 21,7% face ao ano anterior, e uma rede de 11.350 profissionais, revela ao ECO que este negócio não tem efeitos na operação nacional.

“Esta operação diz respeito à estrutura acionista da empresa-mãe da marca a nível global e não altera, para já, a operação da Remax Portugal”, refere fonte oficial da imobiliária em resposta ao ECO. A ressalva “para já” não é inocente: o negócio só deverá ser concluído no segundo semestre de 2026, sujeito a aprovações regulatórias e dos acionistas.

No plano operacional, a subsidiária portuguesa garante que “a Remax Portugal mantém a sua estrutura, gestão e modelo de negócio totalmente inalterados, continuando a operar de forma autónoma e independente no mercado nacional, como tem acontecido ao longo dos últimos 25 anos”.

A empresa acrescenta que “as marcas deverão manter-se, assim como a estratégia e o posicionamento de cada mercado” e que “para a rede Remax em Portugal e para os nossos clientes, consultores e franchisados, não existe qualquer impacto direto na operação diária”. Esta autonomia é consistente com o modelo de franchising global da Remax, que franchisa redes de mediação em mais de 120 países sem gerir diretamente as operações locais.

A operação insere-se numa vaga de consolidação que está a redesenhar o setor imobiliário nos EUA. Esta é a terceira grande aquisição em poucos meses: a Rocket Companies comprou a Redfin em março de 2025 e a Compass acordou comprar a Anywhere Real Estate, dona da Sotheby’s International Realty e da Coldwell Banker, em setembro e fechou o negócio em janeiro deste ano.

A pressão sobre as corretoras americanas é dupla: as vendas de casas nos EUA estagnaram nos últimos anos e várias empresas tiveram de pagar avultadas indemnizações em litígios relacionados com as comissões dos agentes imobiliários. A Real Brokerage, fundada em 2014 e com valor de mercado de 570 milhões de dólares, apresenta-se como a resposta tecnológica a este impasse, dizendo recorrer a inteligência artificial para operar de forma totalmente digital.

Do ponto de vista da Remax Portugal, a compra da Real Brokerage é mais uma oportunidade do que uma ameaça. “Olhamos para esta evolução com entusiasmo, na medida em que poderá representar um reforço da capacidade tecnológica, da inovação e do acesso a ferramentas mais avançadas num setor cada vez mais digitalizado”, acrescentando que “a união entre a notoriedade global da marca RE/MAX e a forte componente tecnológica da The Real Brokerage poderá trazer novas oportunidades de crescimento e competitividade a toda a rede internacional”.

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