📹 Da queda do BES à venda do Novobanco: 12 anos que mudaram a banca
A venda do Novobanco ao grupo francês BPCE foi concretizada esta quinta-feira. Recorde aqui os principais momentos que marcaram a história da instituição criada para proteger os depositantes do BES.
O Estado e a Lone Star concluíram esta quinta-feira a venda da totalidade do Novobanco ao grupo bancário francês Banque Populaire et Caisse d’Epargne (BPCE), por um valor 6,7 mil milhões de euros, 200 milhões acima do valor estimado inicialmente.
Foi quase há um ano que Lone Star e BPCE fecharam um acordo em torno do banco português e no final de outubro, o Estado e Fundo de Resolução assinaram a sua adesão ao acordo por conta da posição de 25% detida pelas duas entidades públicas na instituição financeira.
Recorde aqui a fita do tempo dos principais acontecimentos que marcaram a presença do Estado no banco que foi criado há quase 12 anos para proteger os depositantes do Banco Espírito Santo (BES).
- A 3 de agosto de 2014, num domingo, chegava ao fim o Banco Espírito Santo, o BES, que era então o terceiro maior grupo bancário em Portugal.
- Quatro dias antes, o banco tinha anunciado um prejuízo histórico de 3,6 mil milhões de euros no primeiro semestre desse ano.
- Entretanto, vieram a ser descobertas graves irregularidades financeiras, que mais tarde deram origem a vários processos crime.
- Ainda em junho de 2014, Ricardo Salgado já tinha sido forçado a sair da presidência executiva do BES. Depois disso, o banco passou a ser liderado por Vítor Bento e avançou-se para a divisão entre o chamado banco mau e o Novobanco.
- No banco mau ficaram os ativos considerados tóxicos. O Novobanco nasceu para proteger os depósitos, ficando nas mãos do Fundo de Resolução.
- Banco de Portugal, Governo, Comissão Europeia e Banco Central Europeu assumiram então que o objetivo era privatizar o Novo Banco o mais rapidamente possível. Essa privatização só chegou em 2017, com a venda ao fundo norte-americano Lone Star.
- Entre o segundo semestre de 2014 e 2020, o banco acumulou perdas de mais de sete mil milhões de euros e o Fundo de Resolução injetou 3.405 milhões.
- António Ramalho, presidente entre 2016 e 2022, foi o rosto da defesa do uso desse dinheiro público nos anos mais difíceis do banco.
- Em 2021, o Novo Banco teve pela primeira vez um resultado líquido positivo e, desde então apresentou lucros crescentes até chegar aos 828 milhões de euros em 2025.
- A concretização da venda ao BPCE aconteceu esta quinta-feira, 30 de abril, por mais 200 milhões do que os 6,4 mil milhões avançados inicialmente. O processo terá custado cerca de oito mil milhões de euros ao Estado. O Ministério das Finanças indica que com o encaixe da operação, a que se somam os dividendos já pagos, o Estado português e o Fundo de Resolução conseguem recuperar cerca de dois mil milhões de euros.
- Com a formalização desta quinta-feira, o grupo BPCE fica com todo o capital do banco, depois de comprar as posições de 75% dos norte-americanos da Lone Star e das participações que estavam nas mãos do Estado e do Fundo de Resolução.
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