“Apresentaremos a oferta mais forte que pudermos” pela TAP, garante CEO da Air France-KLM
O CEO da Air France - KLM, disse que o grupo vai apresentar uma proposta até agosto e vê Lisboa importante para reforçar a operação para a América Latina. A guerra afeta a oferta? "Neste momento, não"
- A Air France-KLM anunciou a intenção de apresentar uma oferta vinculativa para uma participação minoritária na TAP, destacando a importância da localização de Lisboa.
- O grupo já havia feito uma proposta não-vinculativa para adquirir 44,9% da TAP, sendo a única concorrente ao lado da Lufthansa, após a desistência da IAG.
- A companhia aérea prevê que a integração com a TAP poderá oferecer uma ampla conectividade, especialmente para as Américas e África, beneficiando ambas as partes.
A Air France-KLM planeia apresentar uma oferta vinculativa para uma participação minoritária na TAP, afirmou esta quinta-feira o CEO Ben Smith, garantindo que a proposta será “a mais forte possível”.
“A localização geográfica de Lisboa, para reforçar a nossa já forte posição na América Latina, continua a ser muito importante“, afirmou Smith durante uma teleconferência com analistas após a apresentação dos resultados do primeiro trimestre, citado pela agência Bloomberg.
“Apresentaremos a oferta mais forte que pudermos“, sublinhou o CEO do grupo franco-neerlandês que esta quinta-feira cortou as previsões de capacidade e aumentou as de custos de combustíveis para este ano, devido à incerteza provocada pelo conflito no Médio Oriente.
O Governo aprovou a 23 de abril o convite formal para a Air France-KLM e a Lufthansa avançarem com a apresentação de propostas vinculativas na privatização da TAP, seguindo a recomendação deixada no relatório elaborado pela Parpública.
Os dois grupos foram os únicos a apresentarem uma proposta não-vinculativa para a aquisição de 44,9% da TAP (a que se somam 5% para os trabalhadores) até ao prazo limite de 2 de abril. A Parpública dispunha de 30 dias para enviar ao Governo um relatório com a avaliação das duas propostas, prazo que não chegou a esgotar.
Esta quinta-feira o diretor financeiro Steven Zaat disse, também durante a teleconferência, que a companhia aérea irá agora realizar uma análise aprofundada dos detalhes financeiros e jurídicos e apresentar uma oferta vinculativa no final de julho ou início de agosto.
Guerra não afeta oferta… por enquanto
Em subsequente teleconferência de imprensa, Smith foi questionado se a guerra e a crise energética alteram de alguma forma termos o valor da oferta que o grupo pretende apresentar pela companhia aérea portuguesa. “Vemos alguma mudança ou alteração? Neste momento, não”, respondeu.
Sobre a desistência da IAG – dona da Iberia e da British Airways, entre outras companhias – da corrida pela TAP por preferir uma compra maioritária, Smith expressou agrado, mas com cautela. “Passar de três para dois, sim, é positivo, mas veja que a outra parte que está a concorrer [Lufthansa] está tão interessada quanto nós, por isso vamos apresentar uma proposta tão positiva e forte como pretendíamos, de modo que isso não altere a nossa oferta”, referiu aos jornalistas. “Mas passar de três para dois é definitivamente positivo”.
No comunicado dos resultados, a Air France – KLM já tinha feito referência ao interesse na TAP. “Graças à sua localização geográfica ideal, Lisboa poderia tornar-se o único centro de operações do grupo no sul da Europa, oferecendo ampla conectividade, nomeadamente para as Américas — incluindo o Brasil, um mercado chave tanto para a TAP como para a Air France-KLM —, bem como para África”.
“A TAP beneficiaria da sua integração numa organização comercial mundial, que abrange a Air France, a KLM e a Transavia, bem como de uma estreita colaboração com os parceiros do Grupo no âmbito da joint venture transatlântica”, adiantou.
A Air France-KLM reportou esta quinta-feira uma redução no prejuízo operacional nos primeiros três meses do ano, mas reviu em baixa as projeções de capacidade e em alta as de custos devido à incerteza gerada pelo conflito no Médio Oriente e o impacto nos preços do jet fuel.
A parceria franco-neerlandesa registou um prejuízo operacional de 27 milhões de euros no primeiro trimestre, uma melhoria de 301 milhões de euros em relação ao ano passado, com os aumentos dos preços dos combustíveis ainda a não afetarem os resultados.
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