BCE mantém juros inalterados pela sétima vez seguida enquanto avalia impacto da guerra
O banco central estendeu a pausa nos juros enquanto avalia os impacto do conflito no Médio Oriente na economia da Zona Euro, mas alertou para "o aumento acentuado" dos preços da energia.
- O Banco Central Europeu decidiu manter as taxas de juro na Zona Euro inalteradas pela sétima vez consecutiva, refletindo a cautela em relação ao impacto do conflito no Médio Oriente.
- A inflação na Zona Euro subiu para 3% em abril, impulsionada pelo aumento dos preços da energia, o que preocupa investidores e economistas.
- O BCE está preparado para agir rapidamente contra a inflação, com expectativas de aumentos das taxas de juro nos próximos meses, dependendo da evolução da situação económica.
O Banco Central Europeu (BCE) manteve esta quinta-feira as taxas de juro na Zona Euro inalteradas pela sétima reunião consecutiva, em linha com as expectativas de investidores e analistas, numa altura em que os principais bancos centrais globais colocam a política monetária em pausa enquanto avaliam os impactos do conflito no Médio Oriente.
Desta forma, o banco central liderado por Christine Lagarde deixa a taxa de Facilidade Permanente de Depósito nos 2% e as taxas de refinanciamento e de cedência de liquidez mantêm-se nos 2,15% e 2,4%, respetivamente, numa decisão que era altamente esperado por investidores e economistas.
“A guerra no Médio Oriente provocou um aumento acentuado dos preços da energia, impulsionando a inflação e agravando o sentimento económico“, referiu em comunicado. “As implicações da guerra para a inflação no médio prazo e para a atividade económica dependerão da intensidade e da duração do choque nos preços da energia, bem como da dimensão dos seus efeitos indirectos e de segunda ordem”.
O BCE alertou que “quanto mais tempo a guerra durar e quanto mais tempo os preços da energia permanecerem elevados, mais forte será, provavelmente, o impacto sobre a inflação em sentido mais amplo e sobre a economia”.
A inflação na Zona Euro acelerou para 3% em abril, acima dos 2,6% registados no mês anterior, refletindo mais uma vez pelo forte aumento dos preços da energia, revelou esta quinta-feira o Eurostat.
Os mercados financeiros antecipam agora subidas das taxas de juro em junho e julho, seguidas de pelo menos mais um aumento no outono, partindo do princípio de que o BCE estará determinado a travar rapidamente qualquer espiral inflacionista, até porque foi criticado por ter reagido tarde em 2022 à crise energética provocada invasão da Ucrânia pela Rússia.
“Bem posicionado”
O Conselho do BCE continua bem posicionado para gerir a atual incerteza, afirmou o banco central, reiterando a mensagem central que Lagarde passou após a reunião de março.
“A Zona Euro entrou neste período de forte subida dos preços da energia com a inflação em torno da meta de 2%, e a economia tem demonstrado resiliência ao longo dos últimos trimestres”, recordou. “As expectativas de inflação de mais longo prazo mantêm-se bem ancoradas, embora as expectativas de inflação em horizontes mais curtos tenham aumentado de forma significativa”.
O Conselho promete acompanhar de perto a situação, seguindo uma abordagem dependente dos dados e reunião a reunião na determinação da orientação adequada da política monetária.
(Notícia atualizada às 13h30)
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