CCP teme acordo laboral e alerta para “imprevisibilidade” política e radicalização no debate

  • ECO
  • 30 Abril 2026

Confederação de Comércio e Serviços considera “extremamente difícil” um acordo sobre a revisão das leis laborais e alerta para o peso da imprevisibilidade política e dos radicalismos.

João Vieira Lopes, que termina esta semana 16 anos à frente da Confederação de Comércio e Serviços (CCP), mostra-se pouco confiante num acordo sobre a revisão das leis laborais, alertando para a “imprevisibilidade” política, nomeadamente do Chega, e para o risco de “radicalismos” no debate parlamentar. Em entrevista ao Público e à Renascença, João Vieira Lopes admite que, apesar de a Concertação Social já ter conhecido desfechos inesperados, o atual contexto torna o consenso “extremamente difícil”, embora ainda não o considere totalmente excluído.

O dirigente defende que a discussão em torno da legislação laboral tem sido fortemente marcada por posições ideológicas e políticas, o que, na sua perspetiva, nem sempre corresponde à realidade económica e social das empresas e dos trabalhadores. Critica ainda o alargamento da revisão legislativa proposta pelo Governo, que ultrapassa os quatro pontos inicialmente apontados pelas associações patronais, como o outsourcing, o banco de horas, os contratos a prazo e o regime de despedimentos, embora reconheça a qualidade técnica do documento apresentado.

Apesar das divergências, João Vieira Lopes sublinha que há vontade de negociação entre Governo e parceiros sociais, rejeitando a ideia de “simulacro de negociações”. Ainda assim, alerta para o ruído político e mediático que tem marcado o processo e para a forma como diferentes leituras sobre matérias sensíveis, como a reintegração de trabalhadores despedidos, têm alimentado interpretações contraditórias e dificultado a aproximação de posições.

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