Energia empurra inflação da Zona Euro para 3% em abril
Subida dos preços na Zona Euro acelerou ainda mais em março, impulsionada sobretudo pela taxa de inflação associada à energia devido à guerra no Médio Oriente.
- A inflação na Zona Euro subiu para 3% em abril, impulsionada pelo aumento dos preços da energia, segundo o Eurostat.
- Os preços da energia registaram uma taxa homóloga de 10,9%, enquanto a inflação dos serviços abrandou ligeiramente para 3%, refletindo um contexto de baixo crescimento.
- As expectativas de inflação dos consumidores aumentaram, prevendo uma taxa de 4% para os próximos 12 meses, o que representa um desafio para o BCE.
A inflação na Zona Euro acelerou para 3% em abril, acima dos 2,6% registados no mês anterior, refletindo mais uma vez pelo forte aumento dos preços da energia, revelou esta quinta-feira o Eurostat. Os dados ganham especial relevância por serem conhecidos em dia de reunião do Conselho de Governadores do Banco Central Europeu (BCE).
Desde o início do conflito no Irão e consequente bloqueio do Estreito de Ormuz que a taxa de inflação, medida pelo Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC), tem vindo a acelerar, provocando apreensão num contexto de baixo crescimento económico no bloco dos países da moeda única.
Os dados do Eurostat são ainda preliminares mas indicam já que a aceleração da inflação em abril é, mais uma vez, sobretudo explicada pela subida dos custos com a energia, cuja taxa homóloga deverá disparar para o nível mais elevado: 10,9% — o que compara com os 5,1% registados em março. Quando descontado da inflação os componentes mais voláteis como a energia e os alimentos não transformados, a taxa fixou-se em 2,2%, contra os 2,3% alcançados no mês anterior.
Isto porque a inflação associada aos serviços abrandou ligeiramente para 3% contra 3,2% em março, enquanto a dos alimentos, álcool e tabaco sobiu para 2,5% (face aos 2,4% em março) e a dos bens industriais não energéticos para 0,8% (contra 0,5%).

Para Peter Vanden Houte, economista do ING, os dados revelam que apesar da aceleração verificada na energia, as pressões deflacionárias sobre os preços dos bens “parecem estar a diminuir gradualmente”, tal como sobre os preços dos serviços, amplamente monitorizados e com maior componente doméstico. Contudo, destaca que “o período do feriado da Páscoa provavelmente distorceu este número”.
O Conselho de Governadores do BCE reúne-se esta quinta-feira, sendo esperado que as taxas de juro se mantenham inalteradas, devido à incerteza do conflito no Médio Oriente e à evolução económica. Contudo, para uma instituição que toma com base em dados, a estimativa de inflação para abril ganha especial relevância e os analistas estarão atentos aos sinais que a presidente do banco central, Christine Lagarde, possa transmitir durante a conferência de imprensa.
“Como os preços da energia provavelmente vão continuar elevados nos próximos meses, após a queda observada ao longo de 2025, a contribuição desses preços para a inflação geral deverá aumentar ainda mais. Além disso, os preços dos alimentos podem aumentar ainda este ano devido à escassez de fertilizantes (os preços dos alimentos não processados já subiram 4,7% em relação ao ano anterior e essa tendência pode, com algum atraso, se traduzir em maior inflação dos preços dos alimentos processados)”, antevê Peter Vanden Houte, numa nota de research.
Para o economista, não se poderá “descartar alguns efeitos secundários do choque energético, já que as expectativas de preços de venda dispararam em todos os setores“, pelo que, acredita, “é provável que a inflação suba gradualmente, aproximando-se do patamar de 4%”. Um cenário que coloca desafios ao BCE, cuja meta de IHPC é de cerca de 2%.
Esta semana, os resultados do inquérito do BCE relativo a março revelam que os consumidores do bloco do euro esperam agora uma aceleração mais acentuada do que no mês anterior da inflação. Deste modo, as expectativas para os próximos 12 meses e para um horizonte de três anos são de uma inflação de 4% e 3%, quando em fevereiro era esperada uma taxa de 2,5% em ambos os casos.
Mas o maior pessimismo não se fica por aqui. A expectativa de inflação dos consumidores sobre a taxa de inflação homóloga ao longo dos últimos 12 meses situa-a em 3,5%, quando em fevereiro era de 3%. Ademais, os dados indicam que a incerteza relativamente às expectativas de inflação para os próximos 12 meses aumentou em março.
Em Portugal, a inflação medida pelo IHPC acelerou para 3,3% em abril, quando em março se situou em 2,7% e em abril de 2024 em 2,1%.
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