Jovens brasileiros ficam com 8% da garantia pública no crédito à habitação

É nacionalidade que se destaca, a seguir aos portugueses - sobretudo os do Alentejo e das Beiras. O retrato de quem optou pela garantia pública no primeiro trimestre, segundo o Banco de Portugal.

Quase metade tem ‘canudo’ e está na faixa entre os 26 e 30 anos. Moram sobretudo no Alentejo e nas Beiras e têm ‘concorrência’ dos brasileiros no apoio à compra de casa. É este o retrato dos jovens que optaram pela garantia pública no crédito à habitação que foi lançada pelo Governo no início do ano passado e que vai ser reforçada em 750 milhões de euros.

Até março, os devedores portugueses representavam 86% do montante total contratado ao abrigo deste regime, seguindo-se os de nacionalidade brasileira, de acordo com os dados divulgados esta quinta-feira pelo Banco de Portugal (BdP).

Quanto às habilitações literárias, 46% tinham licenciatura ou outro grau académico, enquanto 43% terminaram o ensino superior. No que diz respeito ao género que pede crédito ao abrigo da garantia pessoal do Estado, há paridade. A distribuição dos devedores por género é totalmente equilibrada (50% mulheres e 50% homens).

No final do primeiro trimestre, a maioria dos contratos de crédito à habitação (própria e permanente) concedidos a jovens das regiões do Alentejo, Beira Baixa, Lezíria do Tejo, Terras de Trás-os-Montes, Beiras e Serra da Estrela e Alto Tâmega e Barroso beneficiaram da garantia do Estado. No mapa é possível verificar que a proporção destes contratos foi menor na zona da Grande Lisboa e na Madeira, que representaram apenas cerca de um terço.

No cômputo geral, entre janeiro e março, foram celebrados 6,8 mil contratos de crédito à habitação através da garantia do Estado, num valor total de 1,5 mil milhões de euros, o que corresponde a metade quer do número de contratos (49,5%) e quer do montante contratado por jovens até aos 35 anos durante estes três meses (51,3%). Na comparação com o último trimestre de 2025, o número e o valor caíram 11,7% e 8,4%, respetivamente.

 

“Até março de 2026, foram celebrados 32,3 mil contratos de crédito à habitação própria e permanente com garantia do Estado, num montante total de 6,5 mil milhões de euros. Estes contratos representaram 43,9% dos contratos e 46,2% do montante contratado por jovens até aos 35 anos para a mesma finalidade”, lê-se no relatório do BdP.

No final de março, tinha sido utilizado mais de 60% do montante total atribuído pelo Estado, no âmbito deste regime. Ou seja, cerca de 905 milhões de euros desta linha estatal que teve uma dotação inicial de 1,2 mil milhões de euros e foi reforçada com mais 350 milhões ao longo de 2025 para um acumulado de 1,55 mil milhões de euros.

Como noticiou o ECO, o BdP prepara-se para estancar os efeitos desta iniciativa do Governo de Luís Montenegro através de uma revisão das medidas macroprudenciais (limites ao rácio LTV, ao DSTI e à maturidade) que enquadram a concessão de crédito à habitação em Portugal, numa resposta regulatória direta a um envelope público que, com esta nova dotação, sobe para os 2.300 milhões de euros e que já permitiu financiar mais de 25 mil contratos a jovens até aos 35 anos, a maior parte deles com rácios loan-to-value (LTV) próximos dos 100%.

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