Liberdade de imprensa mundial atinge mínimo dos últimos 25 anos. Portugal cai dois lugares para décimo
No topo da lista, mais um ano, está a Noruega, o único país a obter uma classificação de "excelente" (92,72 em 100), seguida dos Países Baixos, Estónia, Dinamarca, Suécia e Finlândia.
A liberdade de imprensa global está no nível mais baixo dos últimos 25 anos, em particular devido à criminalização do jornalismo, anunciou esta quinta-feira a Repórteres Sem Fronteiras (RSF), com Portugal a cair dois lugares para a décima posição.
Na classificação dos RSF para 2026, a organização assinala que a pontuação média dos 180 países analisados nunca foi tão baixa neste último quarto de século. No caso de Portugal, em termos comparativos, desceu dois lugares, passando do oitavo para o décimo, com a classificação de “satisfatório” — 83,71 em 100. No topo da lista, mais um ano, está a Noruega, o único país a obter uma classificação de “excelente” — 92,72 em 100 –, seguida dos Países Baixos, Estónia, Dinamarca, Suécia e Finlândia.
Menos de 1% da população mundial goza do que os RSF consideram ser uma situação “boa” de liberdade de imprensa, quando em 2002 era de 20%. No extremo oposto, 52,2% dos países encontram-se numa posição “difícil” ou “muito difícil”.
A lista é encerrada por Arábia Saudita — 176.º lugar — , Irão — 177.º — , China — 178.º –, Coreia do Norte — 179.º — e Eritreia — 180.º. Entre os regimes mais fechados à imprensa está também a Rússia (172.º), “especialista no uso de leis contra o terrorismo, o separatismo ou o extremismo” para restringir a margem de manobra.
A maior queda em 2026 é protagonizada pelo Níger — 37 posições de uma só vez, para o 120.º lugar –, que exemplifica assim a deterioração da liberdade de imprensa que se verifica há anos na região do Sahel, devido aos ataques que tem vindo a sofrer por parte de diferentes grupos armados e das juntas militares no poder. No outro extremo, a queda do regime ditatorial de Bashar al-Assad na Síria permitiu-lhe subir da 177.ª para a 144.ª posição.
Grande parte dos países latino-americanos piorou a posição no ranking, em particular o Equador, que, num contexto de forte recrudescimento da criminalidade organizada, sofreu uma queda de 31 posições e ficou em 125.º lugar, após os assassínios dos jornalistas Darwin Baque e Patricio Aguilar. Também o Peru foi marcado no último ano pelo assassínio de quatro jornalistas e desceu 14 posições, para o 144.º lugar.
A organização RSF fez recuar em força na tabela a Argentina — 11 posições, para o 98.º — e El Salvador — oito, para o 143.º — devido à ação dos líderes, Javier Miley e Nayib Bukele, respetivamente, na linha do Presidente norte-americano, Donald Trump, com hostilidade e pressões sobre a imprensa.
Três países latino-americanos continuam na cauda do ranking mundial da liberdade de imprensa, apesar de terem subido algumas posições: a Venezuela — 159.º, contra 160.º — devido à incerteza sobre as garantias para a imprensa, apesar das libertações de jornalistas no início de 2026; Cuba — 160.º, contra 165.º — , onde “a crise profunda obriga os poucos jornalistas independentes a operar cada vez mais na clandestinidade” e a Nicarágua, relegada para o 168.º lugar — antes 172.º — , num “panorama mediático em ruínas, caracterizado por uma repressão sistemática”.
A Colômbia destaca-se da tendência geral da região, com um avanço de 13 posições, mas até um 102.º lugar pouco meritório. No que diz respeito ao Brasil, o país subiu na classificação, de 63.º em 2025 para 52.º este ano.
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