“Muito mais que um financeiro”. Quem é Guy Pacheco, novo CEO dos CTT?

Guy Pacheco, que deverá ser esta quinta-feira eleito CEO dos CTT, chefia as finanças dos correios desde 2017, mas quem o conhece destaca também o histórico nas operações e na transformação.

Leonor Gonçalves/ECO
ECO Fast
  • Guy Patrick Pacheco será o novo CEO dos CTT, sucedendo a João Bento, que deixa a liderança após quase sete anos.
  • Os principais acionistas dos CTT, que detêm mais de 35% do capital, apoiam a eleição de Pacheco, que é CFO desde 2017.
  • A adaptação de Pacheco ao cargo de CEO será crucial, dada a complexidade política e as relações com reguladores e trabalhadores.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

“Financeiro, calmo, adaptável, portista”. É assim que um antigo colega de longa data descreve Guy Patrick Pacheco, o homem que esta quinta-feira deverá tomar as rédeas dos CTT, uma empresa com mais de meio milénio de história, empregadora de mais de 14 mil trabalhadores e que entregou mais de 500 milhões de itens entre comércio eletrónico e tradicional no ano passado.

Ainda decorria a primeira semana deste ano quando os CTT anunciaram que o CEO João Bento vai deixar a chefia da empresa e encerrar a carreira executiva, aos 65 e após quase sete anos de uma liderança com balanço positivo, segundo vários observadores. Nessa altura os principais acionistas dos CTT – incluindo o Grupo Manuel Champalimaud, Indumenta Pueri, Greenwood Investors e Grupo Sousa – anunciaram logo que iam propor que Guy Pacheco seja eleito CEO na assembleia geral anual que se realiza esta quinta-feira.

Dado que estes acionistas representam mais de 35% do capital dos CTT, a eleição de Pacheco representa uma mera formalidade. Mas quem é este executivo que chega ao topo da cotada aos 48 anos (faz 49 em maio)? Não é uma cara desconhecida, pois está nos CTT desde dezembro de 2017 como administrador financeiro (CFO), num período em que a empresa teve de se transformar, passando a maior fatia do negócio tradicional endereçado para o bravo novo mundo da logística para o e-commerce.

Antes disso passou 16 anos no grupo Portugal Telecom, ocupando diversos cargos até chegar a CFO em junho de 2015. Os quase dois anos nesse posto terminaram de forma algo abrupta, com o administrador financeiro a sair numa altura de convulsão na operadora de telecomunicações, já parte do grupo francês Altice e a viver tensões sociais internas.

Os muitos anos na área financeira e o low profile, conforme revela um ex-colega que trabalhou com Pacheco na PT durante vários anos, podem colocar em segundo plano outras capacidades importantes para o novo cargo, dizem os que o conhecem.

É muito mais do que um financeiro, tem um espetro de competências muito largo, fez operações, fez transformação. Está muitíssimo bem preparado, é jovem, tem vontade e vai ser, certamente, um grande líder dos CTT

João Bento

CEO cessante dos CTT

“É muito mais do que um financeiro”, exclama João Bento ao ECO. “Tem a formação em economia e é CFO, mas é muito mais do que um financeiro”.

“Tem um espetro de competências muito largo, fez operações, fez transformação”, explica Bento, referindo-se a missões que Pacheco cumpriu na PT, como diretor de planeamento e controlo e na direção de transformação e melhoria contínua.

O CEO cessante partilha que também nos CTT o seu sucessor “já iniciou uma jornada muito transversal, teve nos últimos anos por exemplo, toda a área de estratégia e planeamento de operações e até a área de engenharia“.

Primeira vez como CEO

O ex-colega da PT realça também a experiência de Pacheco nas vertentes da tecnologia, da inovação e da transformação, mas aponta para uma área na qual o novo CEO terá de se readaptar rapidamente.

“O Guy nunca foi CEO, isso é diferente, claro, e toda a gente que sobe tem de começar em algum lado. Mas nos CTT a carga política que o cargo implica – com relações intensas políticas com reguladores, representantes de trabalhadores e até governantes – não é fácil“, diz, fazendo um contraponto com o percurso de João Bento, que já tinha estado na academia e em negócios industriais, como a Efacec, e de infraestruturas, como a Brisa, antes de entrar nos CTT.

Mas ele é adaptável e vai conseguir“, sublinha o ex-colega sobre o gestor que começou a carreira na consultora Andersen em 2000, depois de se licenciar em economia na Faculdade de Economia da Universidade do Porto.

“Muitíssimo bem preparado”, diz João Bento

João Bento vinca que Pacheco “está muitíssimo bem preparado, é jovem, tem vontade e vai ser, certamente, um grande líder dos CTT”.

Questionado pelo ECO sobre as dicas que tem para o sucessor, responde: “Ser ele próprio, continuar a fazer uma coisa que ele faz bem, que é procurar conhecer e desenvolver os aspetos em que precisa desenvolver e tirar partido daqueles que são muitos, em que é já muito forte”.

“E ser feliz, porque é muito importante ser feliz” remata.

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