CGTP anuncia “grande greve geral” para 3 de junho e apela à “convergência de todas as estruturas dos trabalhadores”

Tiago Oliveira aproveitou intervenção no Primeiro de Maio para reforçar apelo a que o Governo retire pacote de alterações à lei do trabalho. Anunciou (agora oficialmente) greve geral de 3 de junho.

O secretário-geral da CGTP anunciou esta sexta-feira a convocação de uma nova greve geral contra a reforma da lei do trabalho. A paralisação acontecerá a 3 de junho, com Tiago Oliveira a apelar à “convergência de todas as estruturas dos trabalhadores”. Ao contrário do que aconteceu na greve de 11 de dezembro, a UGT não tem mostrado, desta vez, intenção de se juntar à CGTP, tendo o seu secretário-geral afirmado, ainda esta tarde, que essa forma de luta não está para já a ser equacionada.

“Vamos afirmar a nossa indignação e protesto, a exigência de uma vida melhor, da derrota do pacote laboral, vamos afirmar a poderosa força dos trabalhadores. Todos juntos vamos realizar uma grande greve geral no próximo dia 3 de junho. E aqui, hoje, perante milhares de trabalhadores, a CGTP-Intersindical Nacional apela, mais uma vez, aos trabalhadores para a luta. Apela à convergência de todas as estruturas dos trabalhadores“, salientou o secretário-geral da CGTP, numa intervenção no âmbito das comemorações do Dia do Trabalhador.

O sindicalista acusou o Governo de “fugir à discussão com a CGTP” nos últimos nove apesar, apesar de esta central sindical, garantiu, ter apresentado proposta. “Queriam impor as propostas dos patrões. Nós dissemos ‘não’. Estão muito enganados“, atirou Tiago Oliveira, que considerou a reforma laboral em curso “um dos maiores ataques de sempre aos trabalhadores

“É apresentar um retrocesso como se avanços estivéssemos discutir”, declarou ainda o líder da CGTP, que salientou que, passados nove meses, o anteprojeto continua a insistir com “tudo o que de mais grave” contém, nomeadamente a “normalização da precariedade“, a possibilidade de usar como fundamento para a contratação a prazo o facto de um jovem estar à procura do primeiro emprego, a redução do travão ao outsourcing após despedimentos, o alargamento da não reintegração após despedimentos ilícitos, o banco de horas individual e o “ataque ao direito à greve”, com o reforço dos serviços mínimos.

A negociação da reforma laboral arrancou em julho do ano passado, com o Governo a aprovar em Conselho de Ministros e a apresentar na Concertação Social um anteprojeto com mais de 100 mudanças ao Código do Trabalho. O documento mereceu, desde o primeiro momento, duras críticas por partes das duas centrais sindicais, mas a negociação foi avançando, com o Governo a indicar abertura para o diálogo, sem, porém, abdicar das suas traves mestras.

Nestes nove meses de negociações e evoluções, a CGTP tem ficado de fora (por apelar à retirada na íntegra do pacote, o Governo entende que a central se autoexclui das conversações). Já a UGT levou, por duas vezes em abril, as propostas do Governo ao seu secretariado nacional (o órgão executivo máximo) e em ambas a rejeição foi unanimemente decidida. O último chumbo deu-se a 23 de abril, tendo a ministra do Trabalho demorado pouco a reagir: “O Governo entende que não basta a UGT manifestar disponibilidade para continuar a negociar se vierem propostas do Governo. A UGT terá de mostrar que quer efetivamente uma aproximação, e não continuar a ter pretextos para fazer fugas para a frente”.

Maria do Rosário Palma Ramalho marcou, assim, para 7 de maio uma última reunião da Concertação Social. Até lá, a UGT não deverá juntar-se à greve geral agora anunciada pela CGTP, mas Mário Mourão não excluiu recorrer a essa forma de luta, depois desse encontro.

(Notícia atualizada às 17h23)

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