Metrobus de Leiria chega ao Governo este mês
Entre uma Linha do Oeste obsoleta e uma Linha do Norte estrangulada, a Região de Leiria baseia a sua dinâmica na rodovia. A solução é um Metrobus com 120 km (quase todos) em via dedicada.

Mais de uma centena de quilómetros de Metrobus em seis municípios do distrito de Leiria, por um oitavo do custo dos 21 quilómetros do sistema equivalente a interligar Lisboa e Oeiras – de Alcântara a Algés e dali a Benfica –, é o que propõe a Comunidade Intermunicipal (CIM) da Região de Leiria. O estudo final encontra-se em fase de conclusão e “levará” o Metrobus intermunicipal até Lisboa.
Ainda durante este mês de maio, o plano do Metrobus da região de Leiria chegará às mãos do ministro das Infraestruturas e Habitação e, ambiciona a CIM, antes do final do ano os primeiros passageiros poderão já usar a primeira fase.
O projeto prevê cinco linhas de transporte em autocarro elétrico entre Porto de Mós, Ourém, Batalha, Marinha Grande, Leiria e Pombal, ligações feitas maioritariamente em canal próprio, exceto num troço da autoestrada A19 em que vai conviver com o trânsito normal.
Mais tarde, será estudada a ligação de Pombal a Norte, para lá das fronteiras de uma dezena de municípios do centro do país, do Bombarral a Pombal e de Leiria a Pedrógão Grande. No caso particular de Ourém, não sendo parte integrante da região, “tem uma ligação umbilical forte e, na saúde, drena para o hospital de Leiria”, explica o presidente da CIM, Jorge Vala, justificando o porquê de este metrobus ganhar um ramo para ligar ao concelho da CIM do Médio Tejo.
“A prioridade é Leiria-Marinha Grande e Batalha-Porto de Mós-Leiria, que é onde temos plataforma e o custo direto é mais reduzido. Pombal e Ourém será na fase subsequente”, avança, por seu lado, o secretário executivo da CIM.
A ambição regional ganha forma por uns módicos 12 milhões de euros, valor suficiente para gerar canais dedicados aos autocarros elétricos, sem permissão de passagem de até de meios suaves de mobilidade, como as bicicletas, à imagem do que acontece, aliás, numa linha convencional de metropolitano.
A prioridade é Leiria-Marinha Grande e Batalha-Porto de Mós-Leiria, que é onde temos plataforma e o custo direto é mais reduzido. Pombal e Ourém será na fase subsequente
Para o orçamento de 12 milhões de euros, especialmente contido à luz dos projetos de Metrobus conhecidos, a palavra de ordem é aproveitar. Fica desde logo assegurado o aproveitamento da parte do atual traçado da Linha do Oeste, entre Marinha Grande e Leiria, onde os comboios deixarão de passar devido à reformulação ferroviária trazida pela alta velocidade – a nova estação de Leiria, a construir em Barosa, insere-se no troço de 115 km entre Soure e Carregado.
Na circular externa de Leiria, haverá alargamento da plataforma usando os terrenos da prisão escola.
No IC2, a Estrada Nacional 1 – ponto de excelência de ligação entre Lisboa e Porto até que no início dos anos 1990 se concluiu a A1 –, o Bus Rapid Transit (BRT, designação oficial do conceito de Metrobus) conseguirá o feito de transformar parte desse trajeto numa via municipalizada. “Em grande medida, vamos utilizar linhas dedicadas nos troços de estradas que já existem. Aquilo que vamos fazer é, no fundo, ajustar ao que temos”, sintetiza Jorge Vala ao ECO/Local Online.

“O IC 2 tem 12 metros de plataforma. Se municipalizarmos, como está em curso, a ligação entre Porto de Mós e Leiria, teremos plataforma suficiente para criar uma linha dedicada para o Metrobus”, avança o também autarca de Porto de Mós. Noutros casos, estradas atualmente abertas ao trânsito generalizado e que têm alternativas no território terão reconversão para canal exclusivo para o BRT. O princípio é “eliminar as redundâncias”, define o presidente da CIM.
Só na A19, na designada Variante da Batalha, que percorre o limite Oeste do casco urbano de Leiria, os autocarros elétricos partilharão o asfalto com o restante trânsito.
Para ajudar a mobilizar a população para esta operação, encontram-se já em construção dois parques de estacionamento de elevada capacidade.
Fase inicial da operação a cargo do Grupo Barraqueiro
A operação, com início previsto ainda para este ano, deverá ficar, para já, a cargo do grupo Barraqueiro, proprietário da Rodoviária do Lis, através da qual tem o contrato de concessão dos transportes intermunicipais nesta região. “Dentro do nosso contrato de concessão, [o grupo Barraqueiro] está disponível para integrar esta operação”, diz ao ECO/Local Online o secretário executivo da CIM da Região de Leiria (CIMRL). Um novo concurso, a breve prazo, determinará quem tomará conta da operação quando esta já estiver em velocidade de cruzeiro.
“Em circunstância normal, o lançamento do concurso [de concessão dos tranportes públicos] será em 2027. Para nós, será uma janela de oportunidade, porque nessa data contamos já ter a operação no terreno. Serão eles, ou outros”, ressalva Paulo Santos. A concessão incluirá a operação do Metrobus, dos circuitos intermunicipais da responsabilidade da CIMRL e a operação urbana em Leiria.

Para cobrir os cerca de 120 quilómetros de extensão das cinco linhas, a CIM contará, numa fase inicial, com autocarros elétricos adquiridos pela entidade ao abrigo do aviso do PRR para viaturas descarbonizadas. “Para já, temos 12, dá para arrancar o projeto, e depois temos uma possibilidade de incremento através de apoios do fundo ambiental”, esclarece Paulo Santos.
O carregamento das baterias dos autocarros estará a cargo da Barraqueiro, através de postos próprios de alto débito na zona industrial de Zicofa, em Leiria, e nos pontos de ligação em Porto de Mós, Batalha e Pombal.
Finalizado o estudo e entregue ao ministério de Miguel Pinto Luz durante este mês, caberá ao titular da pasta das Infraestruturas dar a luz verde a um projeto em que 90% do financiamento virá, expectavelmente, do Fundo Ambiental.
O desafio que lancei ao senhor presidente da câmara é ele, através da CIM e a própria cidade de Leiria, capital de toda esta região, possam desenhar uma rede de capilaridade fina, um metrobus que possa servir mais populações,
A crença na CIM da Região de Leiria é que a resposta do Governo será positiva, considerando o histórico com Pinto Luz. Quando procuraram obter isenção de portagens na autoestrada A8 entre Marinha Grande e Leiria, os autarcas saíram vencidos, mas, explica agora Jorge Vala ao ECO/Local Online, o governante afirmou que “não concordava com a isenção de portagens, mas estaria do nosso lado para defender o financiamento do projeto Metrobus”.
De facto, em novembro, numa visita a Leiria, onde se encontrou com Gonçalo Lopes, presidente da câmara local, Pinto Luz manifestou-se logo ali favorável ao projeto. “O desafio que lancei ao senhor presidente da câmara é que ele, através da CIM e a própria cidade de Leiria, capital de toda esta região, possa desenhar uma rede de capilaridade fina, um metrobus que possa servir mais populações, para haver rebatimento de movimentos para dentro da nova estação de alta velocidade”.
“O investimento previsto é cerca de 12 milhões de euros, nem sequer é uma coisa de dimensão”, salienta o líder da CIM da Região de Leiria.
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