ISCAL prepara doutoramentos em contabilidade, fiscalidade e auditoria para 2027

Politécnico quer evitar "ser mais do mesmo" e garante estar em condições de lançar "vários" doutoramentos, incluindo ciências empresariais, mal confirme todos os requisitos necessários.

O Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Lisboa (ISCAL) está a preparar-se para a era dos doutoramentos nos politécnicos. No ano letivo de 2027/2028, o ISCAL acredita que estará em condições de apresentar uma oferta curricular para obtenção do grau de doutor em áreas como contabilidade, fiscalidade, auditoria e outras mais transversais como ciências empresariais.

“É um objetivo em cima da mesa. Contamos a breve prazo tentar apresentar as primeiras propostas de programas de doutoramento nas áreas onde temos um maior reconhecimento do mercado: contabilidade, fiscalidade, auditoria… Uma zona mais transversal entre a área das ciências empresariais e jurídicas, que é uma área de cruzamento”, disse ao ECO/EContas o presidente do ISCAL, Pedro Pinheiro.

Na primeira entrevista após ter sido eleito para o segundo e último mandato à frente da instituição de ensino superior, Pedro Pinheiro afirma que a entrada no mercado dos doutoramentos faz parte do plano estratégico até 2030. “Diria que para o próximo ano letivo não, porque estamos muito em cima, mas admito que para 27/28 já teríamos condições para começar a apresentar alguma oferta nesse contexto”, antecipa.

Há “vários doutoramentos que estão a ser discutidos”, mas nem todos serão logo apresentados. “A ideia é: ao longo do tempo, escalonar a sua apresentação para que o possamos fazer de uma forma diferenciada. Ou seja, eu não sou de todo partidário de que o ISCAL deva ir para o mercado com formações que sejam – desculpem a expressão – mais do mesmo”, esclareceu o dirigente académico.

Pedro Pinheiro, presidente do Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Lisboa (ISCAL), em entrevista ao ECOHugo Amaral/ECO

Pedro Pinheiro explica que o instituto politécnico da Avenida Miguel Bombarda, uma das principais artérias da cidade de Lisboa, se encontra a tentar perceber quais são os requisitos para obter acreditação para doutorar em Portugal e o enquadramento normativo.

“Depois da abertura da possibilidade de os politécnicos terem doutoramento, existe – e bem – um quadro regulatório que exige que a instituição tenha um conjunto de requisitos do ponto de vista quantitativo e qualitativo, nos quais estamos a trabalhar. Mas com aquilo que temos hoje já conseguiríamos apresentar alguns programas de doutoramento”, garante o presidente do ISCAL.

Ou conseguimos apresentar uma proposta de valor diferenciada ou não vale a pena, porque o mercado está saturado, já existe muita oferta. Portanto, o que estamos a trabalhar são em programas de doutoramento em áreas mais específicas.

Pedro Pinheiro

Presidente do ISCAL

O compasso de espera deve-se também ao processo de revisão do Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES​), que sofreu atrasos devido às várias crises políticas. As propostas de alteração do Governo, PS e Chega relativas a este regime acabaram por ter ‘luz verde’ na Assembleia da República no início de dezembro, mas só no passado mês de fevereiro é que o ministro da Educação, Ciência e Inovação anunciou uma “reforma profunda” do RJIES.

Quais as principais alterações? A possibilidade de existirem universidades politécnicas, reitores escolhidos por eleição direta, cursos acreditados por agências europeias e instituições com mais autonomia. “Estamos à espera do enquadramento para perceber o que se mantém ou não, que alterações vamos ter, porque o que há, até ao momento, são documentos de trabalho em discussão pública e ainda podem sofrer alterações”, ressalva o presidente do ISCAL, Pedro Pinheiro.

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