Líder do BPI descarta aumento do risco com crédito jovem, mas banco vai cumprir medidas do supervisor

Supervisor prepara um travão na concessão do crédito depois de registar um agravamento dos indicadores de risco com a garantia pública para os jovens. Oliveira e Costa entende, mas tem outra visão.

O Banco de Portugal prepara um aperto das regras que os bancos têm de cumprir na concessão de crédito à habitação. Uma medida que surge num contexto de forte crescimento dos empréstimos aos jovens ao abrigo da linha da garantia pública. Para o líder do BPI, isto não trouxe um acréscimo do risco, mas assegura que vai cumprir todas as medidas impostas pelo supervisor.

“Ficámos muito contentes de podermos ser um banco que ajuda os jovens a cumprir o sonho da compra de casa e iremos continuar, garantindo sempre o cumprimento de todas as regras de supervisão, que nos são solicitadas e impostas”, afirmou João Pedro Oliveira e Costa durante a conferência de imprensa de apresentação dos resultados do primeiro trimestre.

“Nessa matéria estamos tranquilos, qualquer medida que venha a ser adotada ou venha a ser imposta, nós iremos obviamente adotá-la”, disse aos jornalistas.

Oliveira e Costa referiu ainda que o banco não vê “nenhum nível de preocupação” em relação ao crédito jovem nem diferenças em relação à contratação normal de crédito à habitação noutros segmentos.

Ainda assim, entende que é “é perfeitamente razoável, legítimo e faz todo o sentido” que haja uma “preocupação, atenção e uma nota especial” por parte do supervisor depois de um “crescimento muito significativo na contratação de crédito à habitação nos últimos anos.

“Os bancos não têm flexibilizado [na concessão de crédito] e têm mantido o mesmo rigor, obviamente aproveitando aquilo que é a pretensão de uma política de um país de apoiar os jovens a terem casa em Portugal, estabelecerem-se em Portugal, pagar as suas impostas em Portugal e desenvolverem o país”, declarou.

O líder do BPI lembrou ainda que nos momentos de crise o crédito à habitação mostrou-se sempre resiliente, porque “das casas das pessoas que estamos a falar, do tecto delas” e as famílias fazem um esforço para cumprir as suas obrigações.

Notou ainda que o tempo médio de pagamento de um crédito é muito inferior ao do prazo contratado, “é menos de metade”, porque as “pessoas normalmente pagam antecipadamente”.

O BPI registou lucros de 133 milhões de euros no primeiro trimestre do ano, menos 2% em relação ao mesmo período do ano passado.

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