Lucro do Montepio cai mais de 30% no arranque do ano

Descida do resultado reflete “a normalização do custo do risco após uma reversão extraordinária de imparidades de crédito registada no primeiro trimestre de 2025, no montante de 12,3 milhões”.

O Banco Montepio reportou um resultado líquido consolidado de 23,6 milhões de euros no primeiro trimestre de 2026, que fica 31% abaixo do obtido no mesmo período do ano passado, num “contexto de aceleração da atividade comercial, tanto a nível do crédito como dos depósitos”.

Num comunicado enviado à CMVM, o banco explica que a descida do lucro reflete “a normalização do custo do risco após uma reversão extraordinária de imparidades de crédito registada no primeiro trimestre de 2025, no montante de 12,3 milhões, mantendo‑se em 2026 um nível de imparidades historicamente baixo”.

Excluindo este impacto, acrescenta a instituição financeira que este mês passará a ser liderada por José Azevedo Pereira, o resultado dos primeiros três meses deste ano “evidencia uma evolução positiva em termos homólogos, na ordem dos 11%, refletindo o reforço da performance operacional e recorrente do Banco Montepio”.

O banco assinala que o desempenho até março “confirma a execução bem-sucedida da estratégia em curso, após um ano de 2025 marcado pela melhor performance de sempre no crescimento do negócio e pela consolidação da instituição no patamar de investimento (investment grade) pelas agências internacionais de notação financeira Moody’s, Fitch e DBRS, evidenciando o reconhecimento independente da capacidade para gerar resultados de forma recorrente e sustentável”.

O produto bancário aumentou 4,4% para 109,1 milhões, “refletindo a evolução positiva da atividade comercial”, com a margem financeira a atingir 84,3 milhões e as comissões líquidas a ascenderem a 34 milhões. Por outro lado, os depósitos de clientes superaram um novo máximo histórico de 16,3 mil milhões (+6,8%) com o segmento de particulares a valer 68% do total, enquanto o crédito a clientes (bruto) subiu 8,5% em termos homólogos para 13,4 mil milhões.

No mesmo comunicado, o Montepio contabiliza que o crédito a clientes performing aumentou em 351 milhões (+2,7% até março), para 13,2 mil milhões, a par de uma redução das exposições não produtivas (NPE) em 3 milhões (-1,5%). O rácio de NPE manteve-se em 1,6%, “evidenciando a contínua melhoria da qualidade dos ativos e da gestão de risco”.

“O reconhecimento externo, assente numa avaliação técnica rigorosa e independente, confirma a solidez financeira do Banco Montepio, a qualidade da gestão e a eficácia das medidas implementadas, bem como a redução sustentada do risco do balanço, suportada por fundamentos operacionais sólidos e por uma trajetória consistente de desempenho, reforçando a credibilidade da instituição junto do mercado e dos investidores”, sustenta a instituição.

Na nota aos investidores, o banco fala ainda num reforço da orientação estratégica no segmento empresarial através da “aceleração da originação de crédito, da captação de novos clientes e da disponibilização de soluções ajustadas às necessidades das empresas, incluindo a participação ativa em linhas protocoladas e com garantia pública, o lançamento de iniciativas comerciais direcionadas e a aplicação de medidas excecionais de apoio, nomeadamente moratórias legais e instrumentos de financiamento para mitigar os impactos da tempestade Kristin”.

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