Martifer ganha saúde em Angola e ‘renova energias’ no leste europeu
Estruturas metálicas para hospital em Angola valem contrato de 3 milhões. Grupo constrói navios da Marinha e cruzeiro japonês em Viana, e investe mais de 30 milhões em renováveis na Polónia e Roménia.
Na ressaca de um ano marcado pela OPA da Visabeira e pelo pacto de acionistas envolvendo a Mota-Engil e os irmãos Martins, a Martifer arrancou o exercício de 2026 a ganhar a subempreitada de fornecimento, fabrico e montagem de 360 toneladas de estrutura metálica, bem como os revestimentos de cobertura e caleiras, para todos os edifícios do novo Hospital Pediátrico de Saurimo, em Angola.
Escolha o ECO como fonte preferida no Google
Segundo adiantou ao ECO a empresa fundada por Carlos e Jorge Martins, que acabam de concretizar a venda de 18% à Visabeira, este contrato tem um valor aproximado de 3,5 milhões de dólares (cerca de três milhões de euros à taxa de câmbio atual), estando a conclusão da sua intervenção neste projeto prevista para o segundo semestre de 2026. O cliente é a Engevia e o dono do projeto é o Ministério da Saúde de Angola.
Localizada numa zona conhecida pelos depósitos de diamantes e minerais abundantes – o projeto é financiado pela SODIAM – Empresa Nacional de Comercialização de Diamantes de Angola –, este complexo hospitalar com uma área total de construção de 13.270 metros quadrados será uma unidade de referência no atendimento especializado à primeira infância e no tratamento de patologias renais na região leste de Angola.
Este é o mais recente contrato da empresa de Oliveira de Frades na construção metálica, em que emprega mais de 1.230 pessoas e que conta com fábricas em Portugal, Roménia, Angola e Moçambique (em parceria). No ano passado, este que é o principal segmento do grupo contribuiu com 156,5 milhões de euros para o volume de negócios, com o restante a provir da indústria naval (129,4 milhões) e das energias renováveis (13 milhões).
No último exercício, em que os lucros consolidados baixaram 59% para 9,5 milhões de euros, a Martifer participou na entrada em operação do Metro de Riade (Arábia Saudita), reforçou no Reino Unido com o término da obra no aeroporto de Manchester e o “avanço significativo” da nova linha ferroviária de alta velocidade HS2, ao passo que em Portugal prosseguiu com projetos como o Viva Offices (Porto), a Torre Norte do Colombo (Lisboa) ou o HVO da Galp (Sines).

Fora do país, o grande destaque nesta sub-holding que detém a 100% vai para a “forte dinâmica” em Espanha, através da adjudicação e execução de vários projetos de reabilitação e construção. Foi o caso das fachadas que seguiram para Madrid para o hotel de luxo de Robert De Niro (Nobu) e para o histórico mercado de frutas e legumes de Legazpi, que esteve anos ao abandono; ou para o novo Museu de Pré-história e Arqueologia da Cantábria (MUPAC), em Santander.
Na capital espanhola, porém, a ‘jogada’ com maior visibilidade voltou a estar no estádio Santiago Bernabéu, que lhe rendeu ao todo uma faturação a rondar os 16 milhões de euros. É que depois de dois projetos que incluíram os módulos em aço inoxidável e alumínio para a cobertura e o revestimento perimetral do rés-do-chão, a empresa portuguesa voltou a ser contratada pela construtora FCC para um terceiro pacote de trabalhos: o revestimento interior do átrio de uma das entradas VIP da mítica casa do Real Madrid.
Barcos em Viana e renováveis na Polónia e Roménia
Na área da indústria naval, a Martifer acaba de vender os estaleiros de Aveiro a Mário Ferreira por 3,7 milhões de euros, mas o ‘porta-aviões’ é a West Sea desde que em 2014 ficou com a subconcessão das antigas instalações dos estaleiros de Viana do Castelo. Atualmente com 365 trabalhadores e a ‘zarpar’ o maior investimento em 15 anos com uma doca seca, que estará pronta em 2026, entregou o navio-hotel Viking Gyda e tem em carteira os seis novos Navios Patrulha Oceânicos, no valor de 300 milhões.
A empresa liderada por Pedro Duarte mantém a previsão de entrega destas embarcações à Marinha entre 2027 e 2031, ao passo que o navio cruzeiro de luxo para o armador japonês Ryobi Holdings, que representou o maior contrato individual (103 milhões) tem igualmente data de entrega prevista para o próximo ano. Nesta fase, conta ao ECO que estão a ser instalados os sistemas técnicos e de propulsão, assim como diversos equipamentos, e a serem preparados e pintados os tanques, antes da flutuação.

Já através da sub-holding que atua como developer de energias renováveis, a Martifer avança no mais recente relatório e contas que fez investimentos “superiores a 30 milhões de euros” na construção de um projeto solar na Polónia (de 29 MWp em Korczowa e que já se encontra em operação); e na hibridização do parque eólico de Babadag na Roménia – acrescentando 18,3 MWp solares aos 42 MW eólicos existentes –, que deverá entrar em funcionamento até ao final de junho.
Visando “materializar e consolidar o seu portefólio de ativos de energia renovável, uma aposta estrutural e de longo prazo”, fonte oficial da Martifer explica ao ECO que “o foco mantém-se nos mercados da Polónia e da Roménia, onde o grupo dispõe de pipeline relevante e ativos já em operação, permitindo um crescimento sustentado”. Em paralelo, relata que “continua a desenvolver duas parcerias estratégicas nas áreas do eólico offshore e do hidrogénio, com expectativas muito positivas”.
Ao todo, o grupo que a 31 de dezembro de 2025 somava 1.713 trabalhadores, contabiliza que a Martifer Renewables já desenvolveu e/ou construiu mais de 1.500 MW em diferentes geografias. Nos últimos projetos vendidos, como salienta no mais recente documento anual partilhado com os investidores, teve como parceiras empresas de destaque como a IKEA, Galp, Ferrostaal, SPEE, Banco Santander, CPFL, Tractebel, EDP, Solaire Direct e Finerge.
A energia renovável é uma aposta estrutural e de longo prazo. O foco mantém-se nos mercados da Polónia e da Roménia, onde o grupo dispõe de pipeline relevante e ativos já em operação, permitindo um crescimento sustentado.
Em termos corporativos, a súmula do acordo parassocial tripartido celebrado entre a Visabeira, a I’M dos irmãos Martins e a Mota-Engil, com data de 16 de fevereiro, vem regular ao pormenor as relações entre estes três grandes acionistas enquanto detentores do capital da empresa de Oliveira de Frades. Está previsto que a Mota-Engil e a Visabeira se tornem os maiores acionistas, com 37,5% do capital cada, enquanto os irmãos Martins mantêm uma participação de 25%.
O objetivo do trio de acionistas é promover a exclusão de bolsa e controlar 100% do capital. Isso apenas poderá acontecer se for ultrapassada a barreira dos 90% na oferta, permitindo uma oferta potestativa sobre as restantes ações dispersas; ou se, sendo aprovada uma exclusão voluntária de bolsa, os investidores que fiquem com ações aceitarem vender à base acionista de controlo. De uma maneira ou de outra, o futuro da Martifer deverá passar a ser fora da bolsa.
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
Martifer ganha saúde em Angola e ‘renova energias’ no leste europeu
{{ noCommentsLabel }}