Querosene deverá fixar máximos em maio, mais que duplicando em dois meses
Encerramento prolongado do Estreito de Ormuz poderá causar falhas no abastecimento de combustível para aviação, levando a mais cancelamentos de voos no verão, época alta para o turismo.
A guerra no Irão, que está a causar problemas de abastecimento de combustível para os aviões e a provocar uma escalada dos preços, devido ao encerramento do Estreito de Ormuz, poderá levar ao cancelamento de mais voos em junho, em pleno verão na Europa. Isto ao mesmo tempo que se espera que os preços do querosene toquem máximos este mês, acumulando um disparo de 114% em dois meses.
Segundo as previsões da S&P Global Ratings, citadas pelo El Economista, o preço do querosene na Europa deverá bater recordes em maio nos 211,7 dólares por barril, uma escalada de 114% face ao valor a que era negociado no início da crise no Médio Oriente, no final de fevereiro. Depois de tocar máximos nestes níveis, a agência antecipa, porém, que o preço alivie até 184,4 dólares. Um valor que está longe de ser uma normalização, permanecendo em níveis historicamente elevados.
O Goldman Sachs calcula que o querosene é o produto petrolífero mais pressionado na Europa pelo fecho de Ormuz e estima uma perda bruta de cerca de 500.000 barris por dia devido à interrupção das exportações do Golfo e de carregamentos asiáticos que transitam por Ormuz. Assumindo uma compensação parcial com fluxos de outras regiões, o défice líquido rondaria os 250.000 barris diários.
Com a guerra a comprometer cerca de 23% do querosene usado pelas companhias de aviação na Europa, as autoridades têm tomado medidas para garantir o melhor uso das reservas e as refinarias estão a produzir ao máximo, para tentar limitar os constrangimentos. Em Portugal, a Galp garantiu, em abril, que Portugal tem jet fuel para “os próximos meses”. Mesmo assim, os riscos permanecem.
O banco norte-americano estima que as existências comerciais europeias de querosene poderão cair até ao limiar crítico de 23 dias de cobertura no final. Também a Agência Internacional da Energia tinha alertado que a Europa poderá ter jet fuel suficiente para apenas seis semanas, o que poderá forçar as companhias aéreas a deixar os seus aviões em terra se o fornecimento de petróleo do Médio Oriente não for rapidamente reposto.
Para já, o mercado está abastecido, mas isso deve-se ao facto de a Europa estar a recorrer aos stocks e a atrair carregamentos com preços elevados e a forçar a capacidade de refinação. Mas, com o verão à porta, a situação tenderá a agravar-se.
Com o combustível a representar entre 20% e 40% dos custos operacionais das companhias aéreas, as empresas poderão repercutir parte do aumento nos bilhetes, mas um prolongamento da crise poderá traduzir-se em cortes de capacidade, cancelamentos e subida de tarifas.
O risco não afeta toda a Europa de forma igual. O Goldman Sachs identifica o Reino Unido como o mercado mais exposto, devido à sua elevada dependência de importações e aos seus baixos níveis de inventários, com possibilidade de cair abaixo dos dez dias de cobertura durante o verão. Em contrapartida, países com maior capacidade de refinação ou posição exportadora, como os Países Baixos ou a Grécia, apresentam uma situação mais folgada, embora ainda exposta a preços elevados.
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