“Aquilo que o Irão está a fazer é inaceitável”, defende Montenegro

Luís Montenegro considerou "inaceitável" a estratégia do Irão sobre o Estreito de Ormuz e os ataques a países da região. Ao lado do chanceler alemão, realçou apoio ao pilar europeu da NATO.

O primeiro-ministro considerou esta terça-feira “inaceitável” a posição do Irão relativamente ao Estreito de Ormuz e aos ataques contra países do Golfo. A posição de Luís Montenegro foi transmitida durante uma conferência de imprensa ao lado do chanceler alemão, Friedrich Merz, em Berlim, onde se encontra em visita oficial.

“Aquilo que o Irão está a fazer é inaceitável do ponto de vista da obtenção de potencial nuclear, em termos militares. É absolutamente inaceitável nas consequências para o comércio internacional relativamente às dificuldades de navegabilidade, sobretudo no Estreito de Ormuz, e ao mesmo tempo dos ataques que não obedecem a critério que se compreenda contra os países da região”, afirmou Luís Montenegro na Chancelaria, em Berlim, em declarações transmitidas pela RTP3.

Com o processo para um acordo entre os Estados Unidos e o Irão num impasse, apesar dos esforços diplomáticos de vários países, com destaque para o Paquistão, as tensões no Médio Oriente voltaram a agravar-se com a operação “Project Freedom” norte-americana. Ao mesmo tempo, na segunda-feira ocorreu um ataque com drone lançado a partir do Irão que provocou “um grande incêndio” numa zona petrolífera no leste dos Emirados Árabes Unidos, cujo Governo advertiu Teerão de que reserva o direito de responder.

O primeiro-ministro português sublinhou que o Governo tem defendido o princípio de que “a via diplomática e negocial tem de ser absolutamente respeitada e incrementada”.

Os conflitos não se resolvem na base do avolumar de divisão ou de fatores de divisão, resolvem-se quando há capacidade de diálogo entre as partes envolvidas. Resolvem-se se tivermos a possibilidade de convencer aqueles que estão errados do erro que estão a cometer e de realinharem as suas decisões”, argumentou Luís Montenegro.

Portugal e Alemanha unidos no apoio à Ucrânia e… à NATO

Portugal e a Alemanha estão alinhados no apoio “político, financeiro e militar” à Ucrânia, mas também nos objetivos da NATO, sublinhou o primeiro-ministro português.

É prioritário para o futuro da Europa, é prioritário para a salvaguarda dos direitos dos cidadãos europeus, para a salvaguarda da capacidade de desenvolvimento económico da Europa”, justificou Montenegro, salientando ainda que “a importância da Aliança Atlântica e o reforço do pilar europeu da NATO” é outro dos temas que liga os dois países.

“Vimos a colaborar e a cooperar em todas as ações no âmbito da NATO, como o chanceler Friedrich Merz referiu, e quero aqui reforçar que o ano passado Portugal antecipou em quatro anos o atingir da meta dos 2% de despesa na área da defesa relativamente ao nosso produto”, realçou.

As declarações do primeiro-ministro ocorrem numa altura de tensão entre a Alemanha e os Estados Unidos e depois do Presidente norte-americano, Donald Trump, ter afirmado no sábado que planeia reduzir drasticamente o número de tropas norte-americanas estacionadas na Alemanha, após anunciar uma redução de cinco mil efetivos.

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