Crise na energia. Ministra defende “contenção nas medidas, para já”, mas podem tornar-se “mais drásticas”

Apesar de ver várias desvantagens em baixar a carga de impostos sobre combustíveis, a ministra do Ambiente indica que esta opção não está totalmente fora da mesa.

A ministra do Ambiente e Energia, em sede de audição regimental, explicou esta terça-feira que o Governo tem optado pela “prudência” nas medidas de resposta à crise energética que resulta do conflito no Irão, escolhendo apoiar setores específicos. Não exclui contudo medidas “mais drásticas”, em particular em apoios a empresas caso os preços do gás subam e, apesar de ver várias desvantagens em baixar a carga de impostos sobre combustíveis, indica que não está totalmente fora da mesa.

“Portugal tem tido uma postura de prudência face ao cenário de incerteza económica e geopolítica”, considerou Maria da Graça Carvalho. “É muito incerto o futuro, temos de ter alguma contenção nas medidas, para já“, acrescentou.

No entanto, depois de relembrar a ação recente do Governo, ressalvou que “tudo vai depender da evolução da crise. Pode fazer com que tenhamos [de implementar] medidas mais drásticas“.

Como exemplo de medidas mais “drásticas”, a responsável da tutela assinalou que se existir um grande aumento do gás “pode ser necessário” avançar com medidas de ajuda às empresas que dependem desta energia, ou até uma ajuda às empresas eletrointensivas, caso o preço da eletricidade suba.

A nossa linha é apoios setoriais mas com ênfase nos mais vulneráveis“, resumiu, já depois de ter apontado apoios anunciados pelo Governo aos transportes de passageiros, agricultura e pescas.

Esta opção, de focar em determinados setores que entende que “precisam” de ajuda, é justificada pela governante por o “auxílio generalizado” ser, na ótica de economistas, “menos eficiente”.

Uma descida generalizada dos impostos nos combustíveis, expôs a ministra, não incentiva a diminuição do consumo e é menos eficaz que apoios diretos, ao mesmo tempo que “não tem impacto, muitas vezes, nos preços finais”.

A descida em impostos como o IVA “são muitas vezes diluídas nas várias cadeias ate chegar ao consumidor”. Apesar destas ressalvas, Maria da Graça Carvalho afirma que “não quer dizer que [este tipo de medida] não venha a ser tomada”.

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