Mastercard instala em Lisboa novo centro para desenvolver pagamentos com agentes de IA
A empresa norte-americana reforçou a aposta no território nacional com a criação de um Centro de Excelência para a Inovação, especializado em pagamentos feitos por agentes de inteligência artificial.
A Mastercard, gigante norte-americana dos pagamentos, escolheu a cidade de Lisboa para implementar um Centro de Excelência para a Inovação. O novo centro vai dedicar-se a áreas como inteligência artificial (IA) aplicada aos pagamentos, engenharia de software, ciência de dados, cibersegurança, combate à fraude e gestão de produto. A iniciativa faz parte de uma rede europeia de pólos tecnológicos que se encontra a desenvolver uma rede de pagamentos com agentes de IA segura e resiliente.
Na apresentação que decorreu esta terça-feira nos escritórios da Mastercard, em Lisboa, Paulo Raposo, líder da Mastercard em Portugal, explicou que o “novo Centro de Excelência para a Inovação em Lisboa reforça o papel de Portugal na estratégia global da Mastercard, acelera a transformação dos pagamentos digitais e impulsiona o crescimento económico local através da criação de emprego e da valorização do talento”. “Este compromisso contribui também para a construção de parcerias sólidas e para o apoio às PME, reforçando o lugar de Portugal num ecossistema financeiro mais inovador e inclusivo em toda a Europa”, explicou.
O líder da empresa em Portugal ambiciona que, com a criação deste centro, seja “possível permitir o desenvolvimento de talento em Portugal e dar condições aos portugueses para construírem uma carreira sólida no nosso país”, sublinhou.
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Paulo Raposo, Country Manager da Mastercard em Portugal -
Carlos Moedas, Presidente da Câmara Municipal de Lisboa -
Miguel Pinto Luz, Ministro das Infraestruturas e da Habitação de Portugal -
Inauguração do Centro de Excelência para a Inovação da Mastercard, em Lisboa
Atualmente, esta unidade emprega cerca de 600 pessoas com uma idade média de 34 anos, de 48 nacionalidades diferentes, sendo que a maioria são portugueses — cerca de 78%, adiantou Paulo Raposo. No entanto, não foram divulgadas informações sobre as previsões de crescimento para os próximos anos nem sobre o investimento da empresa em Lisboa.
“Este momento é muito especial para a nossa cidade, um momento de inovação. A inovação é, para mim, importante porque é a única opção que temos para criar emprego. Acho que essa é a grande transformação que estamos a viver em Lisboa. O que a Mastercard está a fazer aqui é inovação disruptiva. Os últimos cinco ou seis anos em Lisboa são únicos em inovação”, exaltou Carlos Moedas que marcou presença na apresentação do centro.
Também o ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, esteve na cerimónia de apresentação onde afirmou que a Mastercard teve a “arte e o engenho de perceber muito antes do tempo” e de liderar “a agenda da inovação nas cidades, na inovação da interação do cidadão com a Administração Pública, com os serviços, uma visão integrada de Mobility as a Service”. O governante referiu ainda, durante o seu discurso de encerramento, que a Mastercard escolheu Portugal, e nomeadamente Lisboa, por diversos motivos, como a atração de talento e conhecimento, e por “ter autarcas como Carlos Moedas”, disse.
Apesar de o ministro elogiar a evolução tecnológica nos últimos anos em Portugal, ao nível da atração de investimento e da implementação de tecnologia, Miguel Pinto Luz destacou que o país precisa de continuar a fazer mais e que ainda há falhas graves por resolver.
“Hoje dizemos que temos 5G em Portugal. Não o temos. Temos só 30% da nossa infraestrutura em 5G, portanto, a obrigatoriedade de os nossos operadores de telecomunicações garantirem a conclusão de toda a implementação de 5G é essencial, para redes fechadas de 5G, para casos práticos ligados à indústria, à saúde ou a meios de pagamentos”, finalizou o ministro.
Mastercard realizou o primeiro pagamento com Agentic AI em Portugal
Durante o evento, a Mastercard realizou aquilo que descreveu como a primeira transação ao vivo em Portugal utilizando o “AgentPay”, a sua estrutura de comércio baseada em Agentic AI. Jorn Lambert, Chief Product Officer da empresa, fez a demonstração no local, começando com uma simulação da compra de uma bicicleta e, posteriormente, concretizando a compra de pastéis de nata através de agentes de IA, que efetuaram a pesquisa e a aquisição de acordo com o pedido.
A tecnologia permite ainda procurar as melhores ofertas disponíveis e avançar automaticamente com a compra. Por exemplo, caso o consumidor procure o preço mais baixo, pode dar instruções para que a transação seja realizada assim que haja uma redução no valor.

Apesar de esta tecnologia ainda estar numa fase inicial — não sendo, para já, possível aos clientes da Mastercard utilizarem a solução —, o objetivo é que os agentes de IA possam, no futuro, iniciar e concluir transações de forma autónoma, segura e transparente, em nome de consumidores e empresas, garantindo a autorização e a proteção de todas as partes envolvidas.
Neste contexto, Paulo Raposo, à margem do evento, sublinhou aos jornalistas que a empresa é atualmente “muito mais do que apenas cartões”, destacando que o valor está cada vez mais na gestão e transformação da camada de transações geradas por cartões, carteiras digitais e tokens em novos produtos e serviços. O responsável acrescentou que a IA funciona como uma camada transversal a todas estas áreas, integrada numa operação global em rede.
O líder da Mastercard em Portugal explicou ainda que o centro em Lisboa assume um papel específico dentro da rede internacional da empresa, com foco na inovação e no desenvolvimento de serviços associados aos pagamentos, como cibersegurança, deteção de fraude, tokenização e experiências de compra “sem fricção”. Questionado sobre o acesso dos consumidores a soluções como o “AgentPay”, indicou que a sua disponibilização dependerá sobretudo da implementação, assegurando que, do ponto de vista técnico, os sistemas já estão preparados.
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