BCP lucra mais de 300 milhões no arranque do ano
Resultado do banco liderado por Miguel Maya subiu quase 26% nos três primeiros meses do ano, superando a marca dos 300 milhões de euros.
O BCP BCP 0,42% registou lucros de 305,8 milhões de euros no primeiro trimestre do ano, mais 25,6% em relação ao mesmo período de 2025. Portugal contribuiu com 265,4 milhões, subindo 21,2% em termos homólogos. Mas também a Polónia começa a dar um contributo relevante, com mais de 70 milhões.
Em conferência de imprensa, o CEO Miguel Maya sublinhou a “forte capacidade” do banco de gerar valor para os acionistas, apesar do quadro de incerteza marcado pela guerra no Irão. O BCP apresenta-se com uma rentabilidade dos capitais próprios de 15,9%. E esta quinta-feira a assembleia geral vai aprovar a distribuição de 500 milhões de euros de dividendos relativos ao exercício do ano passado e ainda um programa de recompra de ações no valor de 400 milhões.
Miguel Maya recusou que “sejam lucros excessivos nem inesperados”. “Nem excessivos para o enorme capital investido pelos acionistas, nem inesperados pois todos estes lucros foram resultado dos trabalhadores do banco e da estratégia”, disse aos jornalistas.
A margem financeira manteve-se com crescimento apesar da normalização das taxas de juro: nesta rubrica o banco ganhou mais 2,4%, com as receitas com juros a ascenderem a quase 740 milhões de euros. As comissões subiram 8,2% para 218 milhões. E isto resultando num aumento de 3,7% do produto bancário, para 956,3 milhões.
Os custos operacionais subiram 4,5% para 354,9 milhões, que Miguel Maya considerou ser um “crescimento muito contido” por conta de toda a envolvente.
O resultado do banco beneficiou ainda de uma redução das imparidades, na ordem dos 43 milhões de euros, sobretudo relacionada com as imparidades para os riscos legais com os créditos hipotecários em francos suíços na Polónia. O BCP ainda tem perto de 1,4 mil milhões em imparidades registadas nas suas contas.
A nível do balanço, o BCP registou uma subida dos recursos de quase 8% em relação a março de 2025, gerindo agora 112,8 mil milhões de euros dos seus clientes. Em Portugal, os recursos ascendem a 75,4 mil milhões, mais 6,3% em termos homólogos. Os depósitos totalizam os 57 milhões.
No que toca ao crédito, em Portugal a carteira cresceu quase 10% para 44 mil milhões de euros, com o segmento da habitação a crescer mais de 11% para 22,3 mil milhões.
Mudanças na gestão
O BCP apresentou resultados na véspera da assembleia geral que vai nomear os novos órgãos sociais para mandato entre 2026 e 2029 e com várias mudanças à vista.
Já se sabia que Miguel Maya e Nuno Amado iam continuar ao leme do banco enquanto CEO e chairman, respetivamente. Mas ao nível da comissão executiva há dois administradores de saída: Rui Teixeira (retalho) e José Silva Pessanha (risco) vão ser substituídos por António Pinto Júnior (que vem do banco polaco do BCP) e Miguel Manso (até agora diretor de risco do banco).
Também há várias alterações entre os administradores não executivos. Uma das novidades será Madalena Tomé, ex-presidente da SIBS, que entra no board.
O banco vive um contexto de indefinição acionista. A Fosun, com mais de 20% do BCP, está a preparar a sua saída do capital do banco português dez anos depois de lá ter entrado. O grupo chinês poderá ter uma mais-valia de 2,4 mil milhões com o investimento realizado na instituição financeira.
(notícia em atualização)
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