Bison Bank lança primeira stablecoin portuguesa. Vai estar ligada ao euro e dólar e vão ser emitidos cinco milhões

Enquanto aguarda pela licença do Banco de Portugal para se tornar no primeiro criptobanco em Portugal, Bison anuncia o lançamento da primeira stablecoin portuguesa, que estará ligada ao euro e dólar.

António Henriques, CEO do Bison Bank.Hugo Amaral/ECO
ECO Fast
  • A Bison Bank lançou a primeira stablecoin portuguesa, a Bison Bank Electronic Money Token, para facilitar transferências e pagamentos internacionais.
  • A stablecoin será emitida em cinco milhões de tokens, indexados ao euro e ao dólar, reduzindo intermediários e custos nas transações.
  • O Bison Bank procura convencer outras instituições a adotarem a nova moeda, enquanto se prepara para se tornar o primeiro criptobanco em Portugal.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

A primeira stablecoin portuguesa chega esta quarta-feira ao mercado: a Bison Bank Electronic Money Token. Apesar do nome comprido e algo técnico, é lançada com o objetivo de simplificar e agilizar as transferências e pagamentos internacionais, segundo explica o presidente do banco emissor, António Henriques, adiantando que vai estar indexada ao euro (com a designação EUB) e ao dólar (USB) e que vão ser emitidos cinco milhões de tokens numa fase inicial.

“Eu já consigo transferir para qualquer outra pessoa em Portugal em tempo real. Nas transferências internacionais isso não é verdade. Se quiser transferir dólares de Portugal para Singapura, não sei quando a outra pessoa vai receber, não sei quanto é que me vai custar a transferência e não sei sequer quantos intermediários estão no meio”, adianta António Henriques em declarações ao ECO.

“O que uma stablecoin como a nossa vem tentar resolver é exatamente agilizar transferências e pagamentos transfronteiriços, no sentido em que um banco ou uma entidade regulada A pode facilmente transferir para outro banco ou outra entidade regulada B sem qualquer intermediário e na mesma satisfazendo a moeda base, neste caso o euro ou dólar”, explica.

Na prática, a stablecoin reduz o número de intermediários de pelo menos quatro para dois numa transferência ou pagamento internacional, com “reflexo imediato no custo que é suportado pelos clientes”.

Como vai funcionar? “O Alberto quer-me transferir 10 dólares e nem precisa perceber que existe a stablecoin. Vai ao homebanking do Banco A e diz que quer transferir 10 dólares, exatamente como faz hoje, da sua conta para o amigo António em Singapura. O Banco A recebe essa instrução e transfere para alguém em Singapura que é membro desta stablecoin. Em vez de transferir dólares para a Singapura, vai transferir a stablecoin para o Banco B, que recebe 10 USB e coloca 10 dólares na conta do António”.

A stablecoin do Bison Bank — antigo banco de investimento do Banif, comprado em 2018 pelo Bison, de Hong Kong — vai estar disponível para que outros bancos e instituições de pagamento, de moeda eletrónica ou com serviços digitais também a possam usar. Aliás, esse é o objetivo do banco: convencer outras instituições a usarem a Bison Bank Electronic Money Token.

“Têm-me perguntado se já temos muitos clientes e muitos membros, na verdade quando se inova não existe muito essa possibilidade de partilhar antes o que estamos a fazer. A partir de hoje é que vamos começar de facto a trabalhar essa componente mais de venda e de mostrar as características desta stablecoin que eu acho que são muito interessantes. Introduz uma camada de segurança grande e também transporta a banca para dentro do ecossistema. É um bocadinho esse também o nosso papel neste mundo: fazer esta ponte entre o sistema clássico e o sistema mais ousado dos ativos digitais”, considera.

Numa fase inicial vão ser emitidos cinco milhões de tokens, que equivalerão a cerca de cinco milhões de euros. “Essa paridade é muito importante”, enfatiza o líder do Bison Bank. A emissão está ao abrigo do MiCA que traça regras muito claras sobre o comportamento do e-money token. Tem sempre uma paridade contra a moeda relacionada, ou seja, um token vale sempre uma unidade dessa moeda, se for euro, vale um euro, se for dólar, vale um dólar, e se for uma qualquer outra moeda, vale uma unidade monetária dessa moeda, com regras super-bem definidas e detalhadas debaixo do MiCA”.

Do ponto de vista regulatório, a moeda já tem aval do regulador — que surge numa altura em que o Bison Bank está em processo de licenciamento para se tornar no primeiro criptobanco em Portugal. “O Banco de Portugal não é obrigado a dizer que está aprovado, mas naturalmente cumprimos os prazos legais de informação com antecipação. (…) Quando se inova principalmente no sistema financeiro, é muito importante este alinhamento com todos os reguladores”, salienta António Henriques.

O responsável vê os outros bancos a seguirem as mesmas pisadas. “Gostava muito que Portugal continuasse a estar na linha da frente. (…) Do ponto de vista mais de negócio puro, porque, enfim, sou CEO de um banco e a minha função também é remunerar o nosso acionista e ganhar dinheiro com o negócio que fazemos, obviamente que para mim, quanto mais tarde os bancos portugueses entrarem, melhor, não é?”, atira com sorrisos.

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