Custos de produção na Zona Euro com a maior subida desde agosto de 2022. Porque é que isto lhe interessa?

Em março, primeiro mês completo de guerra no Irão, os custos de produção da indústria no bloco do euro aumentaram 3,4%, face ao mês anterior. Aumento sinaliza pressões inflacionistas à vista.

A guerra no Irão e consequente bloqueio do Estreito de Ormuz está a fazer subir a inflação, puxada sobretudo pelos preços da energia, mas o acelerar dos preços poderá ser ainda mais acentuado nos próximos meses. É pelo menos isso que indicam os mais recentes sinais na Zona Euro sobre os custos dos produtos ‘à saída’ das fábricas.

De acordo com os dados divulgados esta quarta-feira pelo Eurostat, os preços de produção da indústria nos países da moeda única subiram 3,4% em março face ao mês anterior, o ritmo mais elevado desde agosto de 2022 (4%). Esta realidade é medida pelo Índice de Preços ao Produtor (IPP) industrial, que revela as variações de preços do ponto de vista dos produtores/fabricantes de um produto, ou seja, os preços básicos excluindo o IVA e outros impostos dedutíveis diretamente relacionados com faturamento.

Tradicionalmente funciona como um indicador antecedente das pressões inflacionistas que se farão sentir no bolso dos consumidores, dado que reflete o impacto de fatores como o preço do petróleo, commodities e insumos industriais. Tecnicamente, o IPP considera os produtos mais a montante que o Índice de Preços ao Consumidor, uma das principais medidas para a inflação.

Os preços de produção da indústria na Zona Euro subiram 3,4% em março face ao mês anterior, o ritmo mais elevado desde agosto de 2022.

O IPP relativo a março revela assim que ficou mais caro para a indústria na Zona Euro produzir naquele que foi o primeiro mês completo de guerra no Irão. Regra geral, custos maiores de produção significam produtos com preços mais caros a chegar aos consumidores, pelo que um IPP elevado tende a sinalizar um aumento no Índice de Preços no Consumidor e o tom não é de otimismo. Até porque em fevereiro havia caído 0,6%.

O maior aumento nos custos de produção está relacionado, sem surpresas, com o incremento dos preços na energia, que avançou 11,1%. Excluindo esta componente, os preços na indústria aumentaram 0,4%.

Fonte: Eurostat

Os maiores aumentos mensais foram registados na Lituânia (+6,9%), Espanha (+6,5%) e Itália (+5,9%), enquanto as maiores quedas ocorreram na Estónia (-12,3%), Finlândia (-5,3%) e Bulgária (-2,5%). Portugal situou-se a meio da tabela com um aumento de 3%.

Já na comparação homóloga, os preços de produção industrial aumentaram 2,1% na Zona Euro, com o custo da energia a subir 4,2%. Nesta ótica, a Bulgária (+7,5%), a Lituânia (+7,2%) e Itália (+5,4%) lideram as subidas, enquanto o Luxemburgo (-4,9%), a Estónia (-2,4%) e a Eslováquia (-1,3%) as descidas. Em Portugal avançou 0,6%, quando em fevereiro tinha caído de forma homóloga 4,3%.

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