EDPR garante reembolso de 200 milhões nos EUA com investimento de parceiros em petróleo e gás
Acordo para a devolução dos montantes correspondentes à concessões de eólico offshore nos EUA exige o investimento em energias fósseis. EDPR diz que investimento fica a cargo de parceiros.
A EDP Renováveis EDPR 3,87% garante que não vai investir nem em gás nem em petróleo, apesar de o Governo americano ter concordado devolver o valor correspondente a dois projetos de eólico offshore cancelados, desde que o dinheiro fosse reinvestido em energias “convencionais”, como os combustíveis fósseis. A empresa portuguesa afirma que irá receber os montantes devidos mas que serão parceiros da empresa veículo a investir em tecnologias fósseis.
A 27 de abril, a EDP informou, através de uma nota publicada na página do regulador dos mercados, que a joint venture de energia eólica offshore detida em partes iguais pela EDPR e pela Engie, juntamente com os respetivos parceiros, chegou a acordo para “resolver eventuais litígios eminentes” com o Departamento do Interior dos EUA, relativamente às concessões eólicas offshore.
“O acordo prevê o reembolso dos montantes previamente pagos pela aquisição das referidas concessões, sujeito ao reinvestimento de montantes equivalentes noutros projetos de energia nos Estados Unidos da América (EUA), alinhados com as prioridades da atual Administração dos EUA”, lia-se na nota. O montante do reembolso devido à EDP Renováveis foi contabilizado em 200 milhões de dólares, “em linha com o atual valor contabilístico” dos mesmos.
Em resposta ao ECO/Capital Verde, no rescaldo da apresentação de resultados da EDP Renováveis do primeiro trimestre, em que os lucros subiram para 70 milhões, o CEO da EDP e EDP Renováveis, Miguel Stilwell d’Andrade, assegura que “a EDP Renováveis não vai investir nem em gás nem em petróleo”. Isto porque a empresa tem parceiros, em Nova Iorque e na Califórnia, que “poderão e irão fazer esses investimentos”. “Para todos os efeitos, isso vale”, conclui.
O gestor explica que, conforme o acordo, a empresa que tem de investir a quantia devolvida pelas concessões é a empresa-veículo. Os projetos são da Ocean Winds que, no Estado de Nova Iorque, tem a Blackrock como parceira (uma joint venture que se divide em partes iguais). No caso da Califórnia, o parceiro é o canadiano CPP Investments, um aliado que também pesa 50% nesta parceria. “Basta eles investirem, e eles sim investem em gás e petróleo, mas basta eles investirem e as empresas recebem o dinheiro de volta. Não precisamos ser nós a investir diretamente”, indicou.
Em causa estão os projetos Bluepoint Wind, que iria erguer-se ao largo da costa de Nova Jérsia e Nova Iorque, na sequência de um leilão de 2022, mas também o projeto Golden State Wind, um projeto que resulta da vitória no primeiro leilão lançado na Califórnia, também em 2022. Sobra um único projeto de energia eólica offshore promovido pela Ocean Winds nos Estados Unidos: o Southcoast Wind.
O Southcoast Wind “continua hibernado”, e continua em paralelo o diálogo com a administração Trump. Este “tem sido bastante construtivo, e continuamos a explorar qual é o próximo passo a dar ao projeto”, afirma Stilwell, assumindo que este projeto é aquele que está mais avançado do ponto de vista do licenciamento e do ponto de vista da prontidão para avançar. “Obviamente que isso depende agora das conversas e do diálogo que se vai ter com a administração”, conclui.
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