Empréstimos com garantia pública a empresas têm taxa de juro mais favorável

  • Lusa
  • 6 Maio 2026

A taxa de juro média nos empréstimos a empresas, com garantia pública, é de 2,95%, menos 0,84 pontos percentuais do que nos contratos sem garantia pública.

As empresas que contraíram empréstimos com garantia pública, no último ano, beneficiaram de condições mais favoráveis, com a taxa de juro média a situar-se nos 2,95%, menos 0,84 pontos percentuais do que nos contratos sem garantia pública, indicou o Banco de Portugal (BdP).

Numa análise divulgada esta quarta-feira sobre o impacto dos empréstimos com garantia pública no crédito às empresas entre março de 2025 e de 2026, o BdP detalha que esta diferença se verificou em todos os setores de atividade económica, mas foi “mais acentuada” no setor do comércio, transportes, alojamento e restauração, onde atingiu 0,92 pontos percentuais.

O banco central refere ainda que o setor do comércio, transportes, alojamento e restauração registou, no período, o maior montante de novos contratos com garantia pública, de 1.700 milhões de euros. No entanto, o peso relativo deste tipo de financiamento foi superior no setor das indústrias, eletricidade, gás e água, onde representou 19,3% do montante total de novos contratos celebrados com empresas deste setor.

Uma percentagem muito próxima da observada no setor do comércio, transportes, alojamento e restauração (17,8%). O BdP detalha ainda que, comparando com o período da pandemia, o peso dos programas de financiamento com garantia pública foi, entre março de 2025 e março de 2026, inferior em todas as classes de dimensão das empresas.

“Essa diferença foi particularmente acentuada nas microempresas e nas grandes empresas e reflete o caráter excecional e mais abrangente das linhas utilizadas durante a pandemia, dirigidas a um maior número de empresas”, refere.

Analisando as diferenças entre regiões, verifica-se que, entre março de 2025 e de 2026, o Norte concentrou o maior montante de crédito concedido ao abrigo dos programas com garantia pública, mas o peso relativo deste tipo de financiamento foi superior no Oeste e Vale do Tejo e no Centro (respetivamente 24% e 23% do montante total de crédito concedido a empresas destas regiões).

Já entre as empresas da Grande Lisboa o recurso a este tipo de financiamento representou apenas 8% do montante total concedido.

A composição setorial do montante de novos contratos diferiu também entre regiões, com o setor das indústrias, eletricidade, gás e água a concentrar, no Norte e no Centro, a maior parcela do montante de novos contratos com garantia pública. Já no Alentejo foi o setor das outras atividades (que inclui a agricultura) e, nas restantes regiões, o setor do comércio, transportes, alojamento e restauração.

Os novos contratos sem garantia pública apresentaram, contudo, uma distribuição diferente, com a construção e atividades imobiliárias a assumir, na maioria das regiões, maior expressão no crédito concedido, enquanto o comércio, transportes, alojamento e restauração tiveram um menor peso.

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