“Espécie de escuteiros” nas Forças Armadas. Militares arrasam proposta da AD para serviço cívico de jovens

  • ECO
  • 6 Maio 2026

Ex-chefes militares como Gouveia e Melo e Pinto Ramalho criticam que não é a acenar com 439 euros e uma carta de condução que se resolve o problema da falta de efetivos.

O projeto “Defender Portugal”, apresentado por PSD e CDS-PP como recomendação ao Governo, consiste num programa de voluntariado que visa “proporcionar aos jovens uma formação robusta em liderança, disciplina e autonomia, e aproximar as novas gerações” das Forças Armadas, que se debatem com falta de efetivos. Aos jovens dispostos a dedicar entre três e seis semanas ao Defender Portugal, o Estado atribuiria 439 euros, dando-lhes a possibilidade de tirarem a carta de condução em meio militar, de forma gratuita.

No entanto, a proposta não caiu bem entre ex-altos responsáveis militares ouvidos pelo Público (acesso pago), que a consideram “uma inutilidade”, “dar oxigénio a um corpo morto”, “um remendo”, “um bocado ridículo, face à dimensão do problema”, “uma coisa da Segurança Social para indigente”. O ex-chefe do Estado-Maior da Armada e ex-candidato presidencial Henrique Gouveia e Melo fala em “mais uma medida de marketing político”.

“Parece-me um slogan, uma medida propagandística. Depois dos 439 euros e da carta de condução, que ligação fica às Forças Armadas? O que é isto? Criar uma espécie de escuteiros?”, questiona também o general Pinto Ramalho, que foi chefe do Estado Maior do Exército entre 2006 e 2011.

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