Federação Portuguesa de Futebol ‘perde’ 4,5 milhões de euros nas apostas desportivas
Futebol ‘monopoliza’ apostas desportivas com quase 80% das receitas. Apesar da quebra de 4,5% da receita, 2025 foi o segundo melhor ano de sempre para a entidade liderada por Pedro Proença.
A Federação Portuguesa de Futebol (FPF) recebeu 38,8 milhões de euros (ME) das apostas desportivas em 2025, menos 4,5 ME do que no ano anterior, segundo os valores da distribuição a que a agência Lusa teve acesso.
O organismo liderado pelo antigo árbitro Pedro Proença é a entidade que mais lucra com as apostas desportivas, tendo arrecadado 52,77% do total de 73,52 ME entregue ao setor pela receita da parcela do Imposto Especial de Jogo Online (IEJO), menos 2,66 ME do que em 2024 (76,18 ME).
Apesar da quebra de 4,5% da receita decorrente das apostas desportivas, 2025 foi o segundo melhor ano de sempre para a FPF, desde a implementação desta forma de distribuição, em 2015, retomando o nível alcançado em 2023 (37,95 ME) e 2021 (36,46 ME).
Desde 2015, a FPF já embolsou 302,54 ME destes valores distribuídos pelo Estado, seguindo a repartição definida na Portaria n.º 209/2022 de 23 de agosto, em função do número de apostas nas competições de cada modalidade.
A distribuição destes valores é feita pelo Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos (SRIJ) do Turismo de Portugal, com o futebol a ser, tradicionalmente, o motivo para cerca de quase três quartos das apostas – 75,6% no quarto trimestre de 2024, 71,8% no terceiro, 67,7% no segundo e 71,2% no primeiro.
A Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) surge no segundo lugar desta hierarquia, com uma receita de 16,24 ME, mais dois milhões do que em 2024 (13,96 ME), depois de três anos com montantes na casa dos 12 ME (12,6 ME em 2021 e 2022 e 12,3 em 2023). O montante global que o organismo presidido por Reinaldo Teixeira recolheu desde a criação deste mecanismo foi de 106,38 ME.
Do total de 521,733 ME entregues ao setor nos 11 anos em que vigora esta distribuição, 78% (408,92 ME) reverteram para as duas entidades representantes do futebol.
Entre 2015 e 2025, a receita bruta das apostas desportivas, segundo os relatórios trimestrais do SRIJ, foi de 2.102,1 ME, com o volume de apostas a ascender, também nesses 11 anos, a 10.437,8 ME.
No ano passado, o volume de apostas foi de 2.034,9 ME – menos 18,3 ME do que em 2024 (2.053,2 ME), o melhor de sempre -, enquanto a receita bruta atingiu o valor recorde de 447,4 ME, mais 14 ME do que no ano anterior.
Futebol ‘monopoliza’ apostas desportivas com quase 80% das receitas
A Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e a Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) receberam 78% dos 521,73 milhões de euros (ME) das receitas das apostas desportivas.
Desde 2015, a receita da parcela do Imposto Especial de Jogo Online (IEJO) entregue ao desporto totaliza 521,73 ME, dos quais 408,9 ME foram entregues às entidades representantes das modalidades mais apostadas em território português, no caso o futebol.
O ‘monopólio’ do futebol é confirmado nesta distribuição de valores, relativamente à parcela do Imposto Especial de Jogo Online (IEJO), numa hierarquia em que é tradicionalmente secundado pelo ténis, pelo basquetebol e pelos desportos de inverno.
Em 11 anos, a FPF amealhou 302,54 ME e a LPFP 106,38 ME, enquanto as restantes entidades, entre as quais se incluem as outras federações, mas também o Comité Olímpico de Portugal (COP), que passou dos 560 mil euros decorrentes dos Jogos Olímpicos Paris2024 para zero, e a Federação Académica do Desporto Universitário (FADU), que duplicou de 78 para 165 mil euros, ambas em função do volume de apostas nas suas missões internacionais.
Dos 112,8 ME distribuídos extra futebol desde 2015, mais de metade ficou no ‘bolso’ da Federação Portuguesa de Ténis (57,4 ME) e quase um terço na Federação Portuguesa de Basquetebol (36,5 ME).
A Federação Portuguesa de Desportos de Inverno (FDI-Portugal) também conseguiu uma relevante fatia destes valores, com 7,36 ME desde 2015, restando, portanto, 11,5 ME entregues às outras federações, em 11 anos.
No ano passado, o ‘bolo’ global das apostas desceu de 76,18 ME para 73,52 ME, com igual queda na receita do basquetebol (4,65 ME em comparação com os 5,16 ME do ano anterior) e na FDI-Portugal (870 mil euros, menos 167 do que em 2025), enquanto o ténis manteve o registo aproximado dos 11 ME.
Igualmente estáveis mantêm-se as receitas do voleibol, de aproximadamente meio milhão de euros, e do andebol, perto dos 350 mil euros, com o padel a surgir primeira vez (559 euros), numa lista com valores irrisórios para o atletismo (678 euros), golfe (682) e hóquei em campo (142), ambos abaixo de modalidades tão relevantes e populares como ciclismo (11 mil euros) e natação (2.153 euros).
O Orçamento do Estado do Governo para 2025 incluía uma verba de 58,7 ME para o desporto, um valor abaixo do distribuído por este mecanismo.
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