Juros dos depósitos dão maior salto em dois anos e meio
Com a escalada dos preços do petróleo por causa da guerra no Irão a pressionar por uma subida dos juros, a remuneração dos depósitos a prazo registou em março a maior subida desde outubro de 2023.
A remuneração dos depósitos a prazo voltou a subir em março pelo segundo mês seguido. A taxa de juro de novas aplicações deu mesmo o maior salto em dois anos e meio, um movimento provocado pela escalada das Euribor naquele mês devido à guerra no Irão e à subida dos preços do petróleo, que levou o mercado a antecipar uma subida dos juros oficiais do Banco Central Europeu (BCE).
A taxa de juro média de novos depósitos a prazo subiu 0,06 pontos percentuais para 1,42% em março, de acordo com os dados divulgados esta quarta-feira pelo Banco de Portugal.
Foi a maior subida desde outubro de 2023 e que coloca a remuneração das poupanças a prazo no valor mais elevado em nove meses.
Juros dos depósitos dão maior salto desde outubro de 2023
Fonte: Banco de Portugal
Esta evolução deu-se num quadro de forte pressão inflacionista devido ao aumento dos preços da energia, nomeadamente do petróleo e gás natural, em resultado do conflito no Médio Oriente envolvendo os EUA, Israel e o Irão. Razão pela qual os mercados estão já a antecipar duas subidas das taxas oficiais do BCE ao longo deste ano para evitar uma nova escalada da inflação, como aconteceu após a invasão da Ucrânia em fevereiro de 2022.
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Em resultado deste cenário, as Euribor, que até então estavam praticamente estáveis em níveis ligeiramente acima dos 2%, foram catapultadas. Fator que levou os bancos a melhorarem as condições de remuneração dos depósitos.
Ainda assim, como o governador do Banco de Portugal fez questão de assinalar numa publicação nas redes sociais, continua muito aquém da média do euro, que se situou nos 1,86% em março. Portugal tinha a quinta taxa mais baixa na região.
Segundo maior montante de depósitos
A incerteza nas bolsas por conta da guerra no Médio Oriente e a subida das taxas dos depósitos poderá ter levado as famílias a guardarem mais dinheiro no banco.
Pelo menos, o Banco de Portugal revela que o montante de novas aplicações a prazo totalizou os 13,1 mil milhões de euros, “o segundo valor mais elevado da série histórica”, que começa em janeiro de 2003.
No que toca às empresas, as novas operações de depósitos superaram os 11,5 mil milhões de euros, mais 3 milhões do que em fevereiro. A taxa média das aplicações a prazo subiu 0,1 ponto percentual em março, fixando-se nos 1,79%.
(Notícia atualizada às 11h25)
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