Líder do BCP responde ao Banco de Portugal. “Não queremos dar crédito para estar em incumprimento”
Maya recusa a ideia de que o crédito com garantia para jovens esteja a agravar o risco (como vê o Banco de Portugal). E adiantou que a taxa de incumprimento nestes casos ronda os 0,02%.
No BCP há seis situações de jovens que pediram crédito com garantia pública e que as “coisas não estão a correr bem”. Miguel Maya adiantou que estes casos de incumprimento foram determinados por fatores que estão na base de outros incumprimentos: desemprego, divórcio ou doença.
O gestor, que falava na conferência de imprensa de apresentação dos resultados trimestrais, detalhou os dados do BCP no âmbito da garantia pública aos jovens e que, para o Banco de Portugal está a agravar o risco do crédito. Por causa dessa avaliação, o supervisor liderado por Álvaro Santos Pereira prepara-se para apertar as regras que os bancos têm de cumprir na concessão de crédito – as chamadas regras macroprudenciais.
Miguel Maya recusou essa ideia e tentou mostrar com números. Por exemplo, que a taxa de incumprimento no crédito com garantia pública para jovens é praticamente a mesma que na generalidade dos créditos à habitação própria e permanente, a rondar os 0,02%.
“Nós não queremos fazer um crédito para estar em incumprimento. Isso não é bom para as pessoas e é péssimo para o banco. É péssimo para as pessoas e é péssimo para o banco. Como queremos ter o cliente 30 ou 40 anos connosco, é melhor dar sempre bons conselhos, mesmo que seja um não”, afirmou aos jornalistas.
Segundo o líder do BCP, financiar um cliente “tem muito a ver com a capacidade de ter rendimento para fazer face ao serviço da dívida”, mais do que saber se é a 90% do valor da casa (uma das regras macroprudenciais). “E essa que é a nossa preocupação, que é ser rigorosos nisso e aconselhar os clientes”, precisou.
Miguel Maya é a favor da continuidade da medida da garantia pública pois os “jovens com capacidade financeira e em início de carreira não deviam ficar condicionados de comprar casa por não terem os 10% para dar de entrada”.
“É muito importante apoiar os jovens, é muito importante não pedir aos jovens que tenham de estar a pagar uma renda durante três anos e em cima da renda estar a acumular capital para os tais 10% de entrada”, salientou.
“É uma boa medida, estamos a gerir com muito rigor, está a gerar valor para a sociedade”, afirmou ainda o líder do banco que acabou de ter um reforço do seu plafond na ordem dos 150 milhões de euros ao abrigo desta linha – acima dos 185 milhões de quota inicial.
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