Lucro da EDP baixa 12% para 378 milhões de euros até março
O lucro da EDP desceu, apesar da subida anunciada pela subsidiária EDP Renováveis no mesmo período.
A EDP registou um resultado líquido de 378 milhões de euros no primeiro trimestre deste ano, um valor que é 12% inferior ao obtido nos mesmos meses do ano anterior.
A informação foi partilhada pela empresa através de um comunicado, publicado na página da Comissão de Mercado e Valores Mobiliários (CMVM). Esta quarta-feira, a EDP já havia reportado os resultados relativos à sua subsidiária de energias limpas, a EDP Renováveis, cujo lucro subiu em 36% para 70 milhões de euros no trimestre.
“Os resultados acabaram por ser penalizados mais pelo lado da geração, e mesmo pela parte das redes associada à [tempestade] Kristin”, explicou o CEO da empresa, em declarações ao ECO/Capital Verde, após a apresentação dos resultados. Miguel Stilwell refere que os preços de eletricidade, neste primeiro trimestre, foram “bastante mais baixos” do que no ano anterior, o que penaliza os resultados.
Questionado sobre se as tempestades tiveram efeitos mais benéficos – tendo em conta a ‘ajuda’ na produção de eletricidade – ou mais prejudiciais – pelos estragos em infraestrutura –, do ponto de vista financeiro, Stilwell não hesita: “Foi claramente prejudicial”.
O gestor realça que a empresa foi “tremendamente” impactada em termos da infraestrutura de rede. Em paralelo, as tempestades “deprimiram muitíssimo os preços, porque houve muita chuva, muito vento”. Por fim, assinala que os custos de sistema (que são pagos pela gestão da rede) também foram “bastante mais elevados” na sequência das intempéries.
O EBITDA da elétrica no período foi de 1.376 milhões de euros, menos 3% que nos mesmos meses do ano anterior. O segmento de Renováveis, Clientes e Gestão de Energia contribuiu com a maior fatia, 934 milhões de euros, que por sua vez teve os projetos de energia eólica e solar, assim como os de baterias, a dar o maior impulso. A geração flexível e clientes na Península Ibérica, que também faz parte do mesmo segmento, apresentou uma quebra de 18% para os 397 milhões de euros.
Esta última rubrica foi penalizada por “preços de venda de eletricidade mais baixos e maiores custos com serviços de sistema”, suportados para comercialização de eletricidade a clientes finais, apesar do elevado volume de produção hídrica e do aumento do volume de eletricidade comercializada, lê-se no comunicado.
Já pela positiva, o CEO destaca a “muito boa performance” das redes elétricas na Península Ibérica, após a entrada em vigor de um novo período regulatório, a 1 de janeiro, assim como a eficiência e a redução dos custos operacionais. Em paralelo, as redes de eletricidade entregaram 438 milhões de euros, com a Península Ibérica a contribuir com a maior fatia, 265 milhões de euros, 16% acima do período homólogo.
Olhando à distribuição geográfica, a Península Ibérica é mesmo o território que mais perde, reduzindo em 10% o EBITDA recorrente, enquanto todos os outros territórios onde a EDP está presente mostraram uma evolução positiva. Apenas a América do Norte fica quase estagnada, com um crescimento de 1%. Ásia Pacífico e Europa (excluindo Ibéria) aumentaram o EBITDA em 75% e 21%, respetivamente. Ainda assim, a Península Ibérica é responsável por 54% do EBITDA recorrente da cotada.
Os custos operacionais líquidos apresentaram uma redução de 3% em termos recorrentes, “refletindo o foco contínuo na eficiência operacional”. A dívida líquida totalizou 15,7 mil milhões, mais 300 milhões que em dezembro, “refletindo o investimento realizado e fluxo de caixa orgânico gerado, assim como a valorização do real brasileiro face ao euro no trimestre”.
Para o resto do ano, a EDP destaca que prevê um novo encaixe financeiro com transações de rotação de ativos e parcerias institucionais nos EUA, que deverão concentrar-se no segundo semestre.
“Acho que estamos bem posicionados para o resto do ano. Nós chegámos ao final do primeiro trimestre com as barragens cheias e, portanto, agora podemos gerir o resto do ano com alguma tranquilidade”, conclui o gestor.
Procura por eletricidade em Portugal sobe “bastante acima” da média europeia
O CEO da EDP e EDP Renováveis mostra-se bastante satisfeito com a evolução da procura de eletricidade no país. “Em Portugal tem sido bastante acima da média europeia”, indica, detalhando que em terras lusas a subida foi de 4%, enquanto no resto da Europa se cingiu a 1,2%.
Stilwell atribui este crescimento em Portugal a fatores como “uma economia em bom estado”, ao aumento da população e do uso de veículos elétricos.
“A perspetiva é que isto continue agora para os próximos anos, e que em cima disso haja ainda mais procura de eletricidade por parte também dos data centers, a partir de 2027/2028”, vaticina, deixando ainda assim um alerta: “É preciso assegurar é que realmente o investimento nas redes e na geração acompanhe esta procura”.
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