Lucro da Jerónimo Martins recua 7% até março com clientes “prudentes” no consumo alimentar
Consumidores mantiveram-se prudentes relativamente ao consumo alimentar, perante "a já evidente subida dos custos, em particular dos combustíveis". Vendas subiram 6,3% para 8,9 mil milhões de euros.
A Jerónimo Martins fechou os primeiros três meses do ano com um resultado líquido de 119 milhões de euros, um lucro que fica 6,8% abaixo dos 127 milhões reportados no período homólogo de 2025, num período marcado pelo agravamento dos “níveis de incerteza enfrentados pelas empresas e pelos consumidores”.
Perante “a já evidente subida dos custos – em particular dos combustíveis –, os consumidores mantiveram-se prudentes relativamente ao consumo alimentar, continuando a privilegiar preços baixos e promoções”, justifica a empresa em comunicado publicado no site da Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).
As vendas cresceram 6,3% para 8,9 mil milhões de euros, “contando também com a antecipação, em relação a 2025, da época de Páscoa que, em 2026, foi no início de abril, beneficiando, por isso e em certa medida, as vendas de março”, nota a empresa.
Já o EBITDA aumentou 8,4%, ou 9% a taxas de câmbio constantes, para 572 milhões de euros, com a margem a situar-se em 6,4%, 13 pontos base acima do primeiro trimestre do ano passado.
A empresa explica ainda que a descida do resultado líquido no trimestre “traduz os efeitos, no trimestre, dos juros e das diferenças cambiais apurados com a capitalização das rendas“.
“No início de 2026, o rápido agravamento do contexto geopolítico aumentou ainda mais os níveis de incerteza, com impacto no comportamento dos consumidores”, refere o CEO Pedro Soares dos Santos, numa mensagem divulgada na apresentação de resultados.
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"A escalada do conflito no Médio Oriente refletiu-se na volatilidade do preço do petróleo, com efeitos imediatos e substanciais no preço dos combustíveis e, talvez ainda mais preocupante, na acentuada subida do preço dos fertilizantes, introduzindo pressão acrescida nos custos do próximo ciclo de produção alimentar que agora se inicia.”
O líder da dona do Pingo Doce destaca ainda que “a escalada do conflito no Médio Oriente refletiu-se na volatilidade do preço do petróleo, com efeitos imediatos e substanciais no preço dos combustíveis e, talvez ainda mais preocupante, na acentuada subida do preço dos fertilizantes, introduzindo pressão acrescida nos custos do próximo ciclo de produção alimentar que agora se inicia”.
O empresário nota ainda que “apesar da exigência do contexto, as insígnias do Grupo registaram um forte primeiro trimestre, com sólido crescimento de vendas e de EBITDA” e os resultados apresentados reforçam a “confiança na robustez competitiva e na resiliência” de todos os modelos de negócio. “Continuaremos a monitorizar de perto os impactos da instabilidade geopolítica, nomeadamente os decorrentes da guerra no Irão, sobre os custos e a cadeia de abastecimento“, acrescenta Pedro Soares dos Santos.
“Continuaremos a monitorizar de perto os impactos da instabilidade geopolítica, nomeadamente os decorrentes da guerra no Irão, sobre os custos e a cadeia de abastecimento“, remata o CEO da Jerónimo Martins.
Deflação pressiona crescimento na Polónia
A polaca Biedronka fechou o trimestre com um crescimento de 3,6% das vendas para 6,2 mil milhões de euros, apesar de um contexto de deflação no cabaz e da intensa concorrência no mercado. Segundo o comunicado, a insígnia registou um crescimento comparável (LFL) de 2,3%, “apesar da deflação substancial registada no cabaz“.
“A Companhia manteve o foco na gestão disciplinada de custos, que, em conjunto com o desempenho de vendas, levou o EBITDA a crescer 4,6% (+5,5% em moeda local), atingindo 482 milhões de euros, com a respetiva margem a cifrar-se em 7,8% (7,7% no primeiro trimestre de 2025)”, explica a empresa, acrescentando que a Biedronka abriu 12 lojas nos primeiros três meses do ano e fez 36 remodelações.
Em relação à Hebe, a Jerónimo Martins destaca que a marca operou num “mercado com crescente concorrência de preço”. As vendas, em moeda local, aumentaram 2,5%. Em euros, atingiram 148 milhões, o que representa um aumento de 1,6% face ao período homólogo. A Hebe abriu 14 lojas no mercado polaco, terminando o período com um total de 408 lojas.
Em Portugal, o Pingo Doce aumentou as vendas, no trimestre, em 7,5% para 1,3 mil milhões de euros, com um LFL de 5,7% (excluindo combustível), que também beneficiou da relativa antecipação da época de Páscoa.
No caso do Recheio, a retalhista realça que “operou num contexto marcado por alguma volatilidade durante os primeiros meses do ano, em consequência das várias tempestades que afetaram especialmente o centro do país e o canal HoReCa”. Apesar do impacto do comboio de tempestades que varreu o país, as vendas do Recheio cresceram 3,3% para 312 milhões de euros, com um LFL de 2,7%.
Contas feitas, o EBITDA da Distribuição Portugal cifrou-se em 83 milhões de euros, 7,2% acima do trimestre homólogo, com a respetiva margem a atingir 5,2%, em linha com o primeiro trimestre de 2025.
Na Colômbia, a Ara viu vendas crescerem 21,2%, em moeda local. Em euros, as vendas totalizaram 959 milhões no período, mais 23,6% do que no primeiro trimestre de 2025.
Os custos financeiros líquidos subiram de 71 para 99 milhões de euros. “O aumento, em relação ao ano anterior, traduz, por um lado, os 5,5 milhões de euros relativos à diferença cambial negativa gerada pela capitalização das rendas denominadas em euros na Polónia (que foi positiva em cerca de oito milhões no primeiro trimestre de 2025) e, por outro lado, a execução do programa de expansão e o consequente impacto, principalmente nos juros de locações operacionais capitalizadas”, justifica a empresa.
A companhia aprovou, na última Assembleia Geral realizada a 23 de abril, a atribuição de 40 milhões de euros adicionais à Fundação Jerónimo Martins, uma verba que terá impacto na demonstração dos resultados do segundo trimestre do ano, cujos números serão divulgados a 29 de julho.
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