Presidente do Grupo Mello defende reforma laboral. “Há elementos que podem contribuir para o aumento da produtividade”
Salvador de Mello considera que "há elementos da proposta que podem contribuir para o aumento da produtividade". O gestor assegurou que a introdução da IA não vai levar a despedimentos no grupo.
O presidente do Grupo José de Mello, Salvador de Mello, defendeu esta quinta-feira a reforma laboral proposta pelo Governo por considerar que pode contribuir para reforçar a produtividade em Portugal. Sobre o impacto da inteligência artificial no emprego, garantiu que o grupo que lidera não antecipa despedimentos devido à introdução da tecnologia, mas número de contratações poderá ser menor.
“Eu diria que tudo o que contribua para o aumento da produtividade em Portugal e para facilitar um maior emprego a prazo é benéfico”, afirmou José de Mello à margem de um almoço da ACEGE, a Associação Cristã de Empresários e Gestores, questionado sobre as alterações propostas pelo Governo à lei laboral.
O presidente do Grupo José de Mello – que é dono da Bondalti, CUF, Winestone, tem 17% do capital da Brisa e adquiriu recentemente 77% do capital da espanhola Ercros – não se quis pronunciar sobre as negociações em curso, mas considerou “que há elementos da proposta que podem contribuir para o aumento da produtividade“.
A negociação entre os parceiros sociais está na reta final. Para esta quinta-feira, está marcada uma reunião plenária da Concertação Social, que deverá ser a última da negociação da reforma da lei do trabalho, não sendo ainda certo se será possível um acordo. O recurso ao outsourcing após despedimento, o banco de horas individual, a não reintegração após despedimentos ilícitos e a formação contínua são os temas que estão por fechar. Com ou sem entendimento, o processo seguirá, depois, para o Parlamento.
Outra mudança relevante em curso no mercado de trabalho é a introdução da inteligência artificial. Salvador de Mello afirmou que não antecipa despedimentos por causa da introdução da tecnologia.
“As nossas empresas continuam a crescer muito e portanto talvez no crescimento possamos empregar menos pessoas por substituição de tecnologia. Mas despedir pessoas, não antecipamos isso“, afirmou o presidente executivo do Grupo José de Mello, que é um dos maiores empregadores do país, com mais de 22 mil colaboradores nas várias empresas.
O gestor ressalvou, no entanto, que a transformação é muito rápida e é impossível dizer como estará o mercado dentro de alguns anos. Defendeu, ainda assim, que “a humanização é absolutamente crítica”.
“Tudo faremos para conseguir conciliar a tecnologia com o elemento humano e com o recurso a pessoas“.
Salvador de Mello está à frente dos destinos do Grupo José de Mello desde janeiro de 2021, depois de 20 anos à frente da José de Mello Saúde, agora grupo CUF. Durante o discurso que fez após o almoço, que decorreu num prédio contíguo à Igreja de São Nicolau, em Lisboa, partilhou alguns aspetos da sua experiência de liderança e referiu os despedimentos que o grupo já teve que fazer na Lisnave ou na Brisa e a forma como os geriu.
“Aquilo que menos gosto de fazer e que tive que fazer ao longo da vida é ter que despedir pessoas, seja em larga escala, seja em pequena escala, porque às vezes é necessário, é aquilo que de facto não gosto de fazer, mas às vezes tem que ser feito”, afirmou.
Destacou também a importância da humildade na gestão. “O sucesso que vamos tendo, por vezes, pode levar-nos a ficarmos cheios de nós próprios e eu tenho aprendido que a humildade é absolutamente essencial e, ao contrário, a vaidade é muitíssimo perigosa“, disse.
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