Taxar lucros excessivos na eletricidade “não faz sentido”, diz CEO da EDP. “Os nossos lucros até baixam”
O CEO da EDP, Miguel Stilwell, assinala que a tributação de lucros excessivos não faz sentido no setor da eletricidade, e aponta a quebra que a empresa registou no primeiro trimestre.
O CEO da EDP e EDP Renováveis, Miguel Stilwell, considera que a taxa sobre os lucros excessivos das energéticas que será aplicada em Portugal, no caso do setor da eletricidade, “não faz sentido”, argumentando com a quebra dos lucros no primeiro trimestre e com a elevada penetração de renováveis no país.
“Para o setor de eletricidade não faz sentido, porque não há lucros excessivos. Aliás, os nossos lucros até baixam neste trimestre face ao ano passado”, afirma o CEO da EDP, em declarações ao ECO/Capital Verde, no rescaldo da apresentação dos resultados da cotada. Os lucros da EDP entre janeiro e março foram de 378 milhões de euros, 12% abaixo do obtido no mesmo período do ano anterior.
Para o setor de eletricidade não faz sentido, porque não há lucros excessivos. Aliás, os nossos lucros até baixam neste trimestre face ao ano passado.
O gestor também argumenta que Portugal e a Península Ibérica têm uma grande penetração de renováveis, pelo que o preço da eletricidade é tipicamente definido pelas energias renováveis e não pelo gás, cujos preços subiram na sequência da guerra no Irão. “No caso do setor elétrico, não há razão nenhuma para ter a aplicação de uma taxa”, insiste.
Questionado sobre se tem mantido um diálogo com o Governo acerca desta questão, Stilwell afirma que a posição da empresa não foi ouvida formalmente. “Não nos perguntaram”, indica.
Esta terça-feira, o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, afirmou em Bruxelas que Portugal vai mesmo avançar com taxas sobre os lucros extraordinários de empresas energéticas, à semelhança do que aconteceu em 2022, na sequência da crise dos preços dos combustíveis que se verificou nesse ano.
“Vamos pegar nas medidas tomadas em 2022, calibrá-las, melhorá-las e — a breve trecho — apresentar ao Parlamento uma proposta“, afirmou Miranda Sarmento.
Portugal, em conjunto com Alemanha, Espanha, Itália e Áustria, avançou com um pedido à Comissão Europeia para a criação, ao nível do bloco europeu, de um imposto sobre os lucros extraordinários das energéticas. A Comissão deu o seu aval, mas entende que esta é uma decisão exclusiva dos Estados. O ministro das finanças português adiantou também que os países que assinaram a carta deverão “procurar articular respostas”, deixando a porta aberta para outros Estados-membros que queiram juntar-se à medida.
Perante a instabilidade no Médio Oriente e o encerramento do Estreito de Ormuz, o CEO da EDP, Miguel Stilwell, disse igualmente, no final de abril, que não são necessários apoios no setor da eletricidade: “Acho que Portugal não tem um problema. Portanto, acho que nem se põe essa questão de ter que ter medidas” no mercado elétrico português.”
Nessa ocasião, o gestor recordou que “no primeiro trimestre deste ano o preço da energia [elétrica] foi metade do preço do ano passado”, já incluindo o efeito da situação no Médio Oriente. “Tivemos muita água, tivemos muito vento, portanto, temos uma grande penetração de energias renováveis. O gás sobra com 15% das horas [de geração] neste primeiro trimestre”, afirmou.
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