Trump vê “grandes progressos” em direção a acordo com Irão. Saiba como os mercados estão a reagir

Otimismo regressou aos mercados com post de Trump e notícias sobre um memorando de uma página para pôr fim à guerra no Golfo. Petróleo afunda e ações dispararam.

ECO Fast
  • Donald Trump anunciou progressos significativos nas negociações com o Irão, despertando otimismo nos mercados financeiros sobre a possibilidade de um acordo de paz no Médio Oriente.
  • Os preços do petróleo caem acentuadamente, com o Brent a perder 9,62%, enquanto as ações europeias atingiram máximos de duas semanas, refletindo um clima de apetite pelo risco.
  • Um acordo de paz poderia aliviar as pressões inflacionistas e permitir uma possível redução das taxas de juro pela Reserva Federal em 2026, beneficiando assim o preço do ouro.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

“Grandes Progressos em direção a um acordo Completo e Definitivo com os Representantes do Irão”. A frase de Donald Trump, num post da rede Truth Social (com o seu próprio protocolo de capitalização de palavras), esta quarta-feira, está a animar os investidores nos mercados financeiros, que demonstram maior apetite pelo risco com base numa esperança cautelosa sobre o fim do conflito no Médio Oriente.

O presidente americano adiantou que “embora o bloqueio se mantenha em pleno vigor e efeito”, o Projeto Liberdade – que lançara meras 48 horas antes para ajudar navios de países ‘neutros’ a saírem do Estreito de Ormuz – “será suspenso por um curto período de tempo para se verificar se o acordo pode ou não ser finalizado e assinado”.

Os Estados Unidos e o Irão estão prestes a chegar a um acordo sobre um memorando de uma página para pôr fim à guerra no Golfo, afirmou uma fonte do Paquistão, país mediador, familiarizada com as negociações. A fonte paquistanesa afirmou que uma notícia anterior da agência de notícias norte-americana Axios sobre o memorando proposto era correta. A notícia da Axios tinha citado dois responsáveis norte-americanos e duas outras fontes familiarizadas com as discussões.

“Para os mercados, volta-se ao clima de apetite pelo risco… por enquanto… agora que Trump suspendeu o ‘Projeto Liberdade“, referiram os analistas do britânico Lloyds Bank. “Resta saber se algo resultará do ‘grande progresso’ mas este é o tom que marca a sessão europeia”.

Com a possibilidade de reabertura do canal pelo qual antes do início do conflito a 28 de fevereiro passava perto de um quinto do comércio internacional de petróleo, os preços do crude afundam e as cotações das ações europeias tocaram em máximos de duas semanas. A euforia em relação aos investimentos em inteligência artificial (IA) também está a alimentar o otimismo, com as praças asiáticas a fecharem em alta e as dos Estados Unidos vistas a abrir no ”verde’.

Para Henrique Valente, analista da ActivTrades Europe, “a leitura dos mercados é que Trump terá poucos incentivos para prolongar um conflito com impacto nos preços da energia, sobretudo num ano de eleições intercalares nos EUA”.

Ainda assim, “o risco está longe de estar resolvido: o Estreito de Ormuz permanece como o principal ponto de tensão e qualquer inversão no tom diplomático poderá voltar a pressionar o petróleo em alta”, alertou.

Veja aqui as reações nos diferentes ativos:

Petróleo abaixo dos 100 dólares

Os futuros do petróleo Brent – referência para a Europa – caem 9,62%, para 99,30 dólares por barril. O barril de West Texas Intermediate dos EUA perde 12,07%, para 89,82 dólares. Ambas as cotações de referência estão a caminho das maiores quedas diárias, tanto em termos percentuais como absolutos, desde meados de abril, tendo perdido cerca de 4% na sessão anterior.

Os EUA esperam respostas do Irão sobre vários pontos-chave nas próximas 48 horas, informou a Axios. Embora nada tenha sido ainda acordado, o relatório referiu que este foi o momento em que as partes estiveram mais perto de um acordo desde o início da guerra.

Ações europeias em máximos de duas semanas

O índice pan-europeu STOXX 600 .STOXX sobe 2,25%, para 623,42 pontos, registando uma subida pela segunda sessão consecutiva, após ter encerrado com um ganho de 0,7% na terça-feira. As principais bolsas nacionais também avançam, com o FTSE 100 de Londres, o IBEX 35 de Madrid, o DAX de Frankfurt e o parisiense CAC 40 de França a registarem ganhos entre 2,13% e 2,77%.

A Europa, dependente da energia, tem ficado atrás dos principais mercados globais, que atingiram máximos históricos este ano, impulsionados pelo otimismo gerado pela IA, num contexto de preocupações persistentes sobre o impacto dos preços mais elevados do petróleo no crescimento e na inflação.

“Estes preços crescentes da energia estão a afetar o crescimento europeu, e é por isso que o mercado continua preocupado com as consequências do choque energético no ambiente europeu e com a capacidade das empresas para absorver estes choques”, afirmou Mabrouk Chetouane, diretor de estratégia de mercado global da Natixis, citado pela Reuters.

Ouro brilha com expectativas de paz

O preço do ouro sobe 3,36% na quarta-feira, atingindo o nível mais alto em mais de uma semana, à medida que as perspetivas de um acordo de paz entre os EUA e o Irão fizeram descer o dólar e os preços do petróleo, aliviando as pressões inflacionistas que tinham sustentado as apostas em taxas de juro mais elevadas por mais tempo. O preço spot sobe 3,2% para 4.710 dólares por onça, o valor mais alto desde 27 de abril.

“Um acordo de paz oportuno que permita a normalização do tráfego marítimo através do Estreito de Ormuz aliviaria as pressões inflacionistas e criaria as condições para que a Reserva Federal reduzisse as taxas de juro em 2026”, afirmou o analista da ActivTrades, Ricardo Evangelista.

Num cenário de normalização no Golfo Pérsico, os preços do ouro poderão recuperar algum ímpeto de alta à medida que o dólar enfraquece e as taxas de juro diminuem“, adiantou, sublinhando que tal cenário poderia permitir que o metal precioso voltasse a atingir níveis acima dos 5.000 dólares e se aproximasse dos 5.500 dólares até ao final do ano.

Wall Street deve estender ganhos

Nos Estados Unidos, os futuros dos índices acionistas em Wall Street sobem, prolongando uma forte tendência de alta impulsionada pelo potencial acordo de paz entre os EUA e o Irão e pelo otimismo inabalável em torno da IA.

A recuperação, que impulsionou o S&P 500 e o Nasdaq Composite para máximos históricos na terça-feira, mostra poucos sinais de abrandamento, com a Advanced Micro Devices a prever receitas no segundo trimestre acima das expectativas, impulsionadas pela forte procura dos seus chips para centros de dados.

Wall Street continua a apostar forte na ideia de que a guerra no Médio Oriente não irá recrudescer e perturbar a subida do mercado, impulsionada pelos lucros, para máximos históricos”, afirmou Kyle Rodda, analista sénior de mercados financeiros da Capital.com, à Reuters.

“Existe um risco elevado de que, se essa aposta estiver errada, os ativos de risco registem uma forte inversão de tendência”, alertou. “No entanto, os sinais enviados pelos Estados Unidos parecem oferecer garantias de que o país não está interessado em renovar as hostilidades”.

IA ajuda Samsung a disparar 14%

O índice mais abrangente das ações da Ásia-Pacífico, excluindo o Japão, subiu 3,2%, impulsionado por um ganho do índice sul-coreano Kospi. A Samsung Electronics disparou 14%.

Devido aos investimentos de capital que estamos a observar por parte dos hiperescaladores (de IA) nos EUA, a trajetória de crescimento dos lucros para setores como semicondutores, hardware tecnológico, indústria e materiais na Ásia excede tudo o que tenho visto há muito tempo”, explicou Rushil Khanna, diretor de investimentos em ações para a Ásia na Ostrum.

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