Túnel do Marão atravessado por 45 milhões de veículos numa década que colocou Vila Real “no sítio certo”

  • Lusa e ECO
  • 6 Maio 2026

Com 5,6 quilómetros de extensão, o túnel que atravessa a Serra do Marão foi inaugurado a 7 de maio de 2016. No ano passado registou uma média superior a 17.000 veículos por dia.

O Túnel do Marão foi atravessado por 45 milhões de veículos desde a sua abertura há 10 anos, inserido na Autoestrada 4 (A4) entre Vila Real e Amarante, anunciou a Infraestruturas de Portugal (IP).

Com 5,6 quilómetros de extensão, o túnel atravessa a Serra do Marão, foi inaugurado a 07 de maio de 2016 e abriu ao tráfego às 00:00 do dia a seguir, 08 de maio. Na quinta-feira assinala-se uma década desde a sua inauguração.

A propósito, a IP disse hoje, em comunicado, que o Túnel do Marão se afirma “como uma infraestrutura essencial para a mobilidade entre o litoral e o interior norte do país, contribuindo para a coesão territorial e para o desenvolvimento económico da região de Trás-os-Montes e Alto Douro”.

A empresa adianta ainda que, desde a sua abertura há 10 anos, a infraestrutura já foi utilizada por mais de 45 milhões de veículos.

“Desde a abertura, não há registo de vítimas mortais ou feridos graves no túnel. Em 2025, registou uma média superior a 17.000 veículos por dia, confirmando uma tendência de crescimento sustentado nos últimos quatro anos, após o levantamento das restrições associadas à pandemia”, realça.

O tráfego médio diário anual subiu dos 13.312 veículos, em 2022, para os 17.560, em 2025, ano em que as portagens foram abolidas neste troço da A4 (01 de janeiro de 2025).

Dados anteriores fornecidos pela empresa referem que só em 2020, ano marcado pela pandemia de covid-19, a média diária de tráfego desceu, designadamente para os 9.590 veículos.

A IP disse que o “túnel representa um marco da engenharia nacional, tanto pela complexidade técnica da sua construção como pelas soluções implementadas em matéria de segurança, ventilação, iluminação e monitorização operacional”.

Lembra ainda que a infraestrutura é composta por duas galerias unidirecionais, cada uma com duas vias, e está equipada com sistemas de videovigilância, deteção automática de incidentes, postos SOS e centros de controlo operacional, “garantindo elevados padrões de segurança e fiabilidade”.

“A sua entrada em serviço permitiu substituir o antigo traçado da Serra do Marão, caracterizado por condições geométricas exigentes e elevada sinistralidade, reduzindo significativamente os tempos de percurso e melhorando a segurança rodoviária”, referiu ainda.

A Autoestrada do Marão – Túnel do Marão – permitiu a conclusão da A4, que liga o Porto a Bragança, melhorou a mobilidade na região de Trás-os-Montes, contribuiu para a redução da sinistralidade rodoviária e tornou-se no percurso preferencial ao sinuoso Itinerário Principal 4 (IP4).

Este troço da A4 entrou em funcionamento depois de sete anos de obra, três paragens nos trabalhos e do resgate pelo Estado. O investimento global na autoestrada foi de 398 milhões de euros, com um apoio comunitário de 89,9 milhões de euros.

O Túnel do Marão, aberto há um ano, ajudou a minimizar o impacto da interioridade em Vila Real, a atrair empresas e passou a ser a principal opção dos utentes nas deslocações para o Litoral, Vila Real, 4 de maio de 2017. A Autoestrada do Marão concluiu o prolongamento da A4 de Amarante até Vila Real, inclui um túnel rodoviário de 5,6 quilómetros e abriu ao trânsito a 08 de maio de 2016.JOSÉ COELHO/LUSA

A IP considera que, ao longo da última década, o Túnel do Marão tem “desempenhado um papel estratégico na rede rodoviária nacional, reforçando a ligação entre regiões, facilitando a circulação de pessoas e mercadorias e contribuindo para a valorização económica do território”.

A Infraestruturas de Portugal disse ainda que assume a gestão desta infraestrutura “com orgulho”, destacando o seu papel “enquanto obra emblemática da engenharia nacional” e reforçando o compromisso “com elevados padrões de segurança, eficiência e qualidade na rede rodoviária”.

Periodicamente são realizados trabalhos de reparação e manutenção dos equipamentos instalados e da superestrutura que requerem o condicionamento da circulação automóvel.

Em 2018, foi alocada ao túnel uma equipa de três bombeiros em permanência para prevenção, primeira intervenção e socorro, pertencentes às corporações da Cruz Branca (Vila Real) e Amarante.

Há 10 anos colocou Vila Real “no sítio certo”

O túnel rodoviário que há 10 anos ajudou a ultrapassar a barreira da serra do Marão colocou Vila Real “no sítio certo”, no “centro geodésico” do Norte, e facilitou a atração de empresas e de profissionais qualificados.

“Este túnel permitiu que Vila Real passasse a estar no sítio certo, precisamente no centro geodésico de toda a área Norte”, afirmou à agência Lusa o presidente da câmara do concelho transmontano, Alexandre Favaios.

Com o túnel do Marão, os automobilistas passaram a ter uma alternativa mais segura e rápida ao Itinerário Principal 4 (IP4), que sobe pela serra do Marão. Em 2025, foi eliminado o pagamento de portagens naquele troço da A4.

“O que se percebe é que, após 10 anos, o túnel veio prestar um importante serviço para todo o país, de forma muito mais impactante, naturalmente, para o interior Norte. É estratégico em termos logísticos, de mobilidade, de segurança”, realçou o autarca.

A melhoria nas acessibilidades facilitou também a atração de empresas e de profissionais qualificados para o concelho. “É muito tempo que se poupa, posso estar com a família em vez de estar na estrada (…). O túnel é uma ajuda grande”, afirmou Carlos Marinho, que reside em Baião e se desloca no mínimo três vezes por semana para Vila Real, onde trabalha na Antarr, empresa de gestão florestal, sediada no Regia Douro Park.

O túnel veio prestar um importante serviço para todo o país, de forma muito mais impactante, naturalmente, para o interior Norte. É estratégico em termos logísticos, de mobilidade, de segurança.

Alexandre Favaios

Presidente da Câmara de Vila Real

Carlos Marinho estudou na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), em Vila Real, e na altura tinha que viajar pelo IP4. Na comparação entre o antes e o depois, não tem dúvidas de que o túnel rodoviário “mudou tudo” e que o acesso “está muito mais facilitado”.

“Considero que é uma estrutura segura e é uma mais-valia significativa para a região”, afirmou, realçando que as acessibilidades tiveram peso na escolha de Vila Real como local para trabalhar. “Foi significativo já existir o túnel”, frisou, explicando que o tempo de viagem é menor para Vila Real do que seria para o Porto, sua capital de distrito, e que são também menores os custos, já que, entretanto, foi abolida a portagem.

A empresa Aumovio (ex-Continental), fabricante de dispositivos eletrónicos para a indústria automóvel, tem um miniautocarro que transporta vários funcionários diariamente do Porto para Vila Real

O transporte e a autoestrada via túnel fizeram “toda a diferença” para estes profissionais que vivem no litoral e trabalham em Trás-os-Montes. A viagem tem três paragens (Campanhã, Leça do Balio e Amarante) e demora cerca de uma hora e meia. “Muitas vezes demoro tanto de Leça do Balio até Gaia, onde moro, como de Vila Real até Leça”, referiu Bruno Melo, engenheiro da qualidade naquela empresa.

Colete Leite vive perto do Porto, trabalha no departamento de recursos humanos da Aumovio e referiu que, sem o transporte, seria difícil trabalhar em Vila Real “pelo custo que está associado”, realçando ainda a vantagem que é “ter o túnel”.

Miguel Pinto

O responsável pela empresa, Miguel Pinto, começou a trabalhar nesta fábrica em 2014 e sempre fez a viagem do litoral para a cidade transmontana. “Consigo ver bem as diferenças relativamente à existência do Túnel do Marão”, sublinhou, lembrando que, em dias de neve, o IP4 fechava e que alguns candidatos que vinham fazer a entrevista desistiam depois da viagem por aquele itinerário sinuoso, não se mostrando disponíveis para fazer o trajeto numa base diária.

Miguel Pinto realçou que o túnel é “muito mais seguro, mais rápido e ajudou em termos de captação de quadros para a empresa”.

A mesma opinião tem Marisa Rio, da associação privada sem fins lucrativos Fraunhofer, localizada no Regia, para quem as acessibilidades “são uma mais-valia”. “Temos quadros altamente qualificados que não se querem mudar para Vila Real e esta facilidade em ter o túnel e fazer a viagem, que demora cerca de uma hora, acaba por permitir que trabalhem aqui e vivam no Porto”, referiu.

Fábio Ribeiro, docente de Ciências da Comunicação na UTAD, realçou as vantagens da autoestrada quer a nível pessoal, devido a consultas regulares no hospital no Porto, quer em termos profissionais, exemplificando com uma campanha recente que juntou a universidade e o Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto com o objetivo de atrair jovens dadores de sangue.

“E o túnel tem sido uma ajuda muito importante, torna a deslocação e a logística muito mais fácil (…) É uma realidade incomparavelmente melhor do que aquela que exista há 10 anos”, realçou. Para o presidente da Câmara de Vila Real seria, agora, determinante juntar a esta obra rodoviária uma ligação ferroviária pela capital de distrito.

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